28 Fev 2019 | domtotal.com

Deixem o Leão rugir


Fanática, torcida do Villa merece o time à altura da história do clube
Fanática, torcida do Villa merece o time à altura da história do clube (Reprodução TV Torcidas)

Por Rômulo Ávila

A percepção de que o Villa Nova sempre está abaixo do seu devido lugar me acompanha há décadas. Cheguei para o infantil do Leão em 1994, com apenas 16 anos. Passei pelo juvenil, júnior e profissional. Digo sem medo: o Villa não é pequeno, mas o 'complexo de vira-lata' de alguns dirigentes não o deixa rugir como o verdadeiro Leão do Bonfim. Posso até está errado, mas essa sensação é compartilhada por outros colegas, até com mais história no Villa do que eu.

Queria muito que jogadores e diretores tivessem 50% da mentalidade do ‘corneta’ João Otávio Souza, 19 anos. Em menos de dois minutos, ele resumiu tudo sobre a atual situação do Villa e mostrou o que é respeitar e gostar de um clube. "Villa não é humilhação. Villa é time de tradição", disse o torcedor em desabafo feito à TV Banqueta que viralizou na internet. João Otávio tem razão. 

Não quero colocar mais lenha na fogueira, pois reconheço o momento delicadíssimo que o clube de 111 de história atravessa. Minha intenção ao escrever este artigo é justamente agregar, mostrar o quanto o Villa é grande e não merece brigar contra o rebaixamento (NUNCA). O problema é que muitas pessoas e jogadores que passam pelo clube não sabem disso. Acham que o Villa é um clube do interior como tantos outros. Não é (apesar de há muitos anos não ocupar seu devido lugar). Os motivos? Seria leviano apontar, mas colocaria minhas fichas que a mentalidade pequena tem uma parcela enorme nesse processo. Parece que muita gente não quer ver o Villa em outro patamar.

Estava na categoria de base em dois momentos importantes e distintos da história do Villa.  Em 1994, o Leão caiu para o Módulo II do Campeonato Mineiro. Quanta tristeza. Três anos depois, em 1997, acompanhei a brilhante campanha do vice-campeonato mineiro. No ano seguinte, em 1998, estava no elenco que disputou a semifinal contra o Cruzeio. Esse, no mínimo, o lugar do Villa. Repito aqui o que escrevi em 2007 em um artigo do extinto Diário da Tarde:  ‘Dimensionar a grandeza do Villa Nova é praticamente impossível. Talvez, só quem dedica anos de vida ao clube possa ter noção dessa paixão'. 

É por ter tido tal privilégio que sempre me questiono: Por que o Villa Nova não ocupa o seu devido lugar? Nova Lima é uma cidade rica, com empresas multinacionais,  próxima à capital e o Leão tem o maior patrimônio de um clube: torcida fanática, que veste com o orgulho as cores vermelho e branco. Não é nenhum exagero afirmar que Nova Lima e Villa Nova não existiriam um sem o outro. O Villa é grande. Falta avisar aos navegantes. É preciso mudar a mentalidade. Quem pensa pequeno nunca será gigante. 

Na sede administrativa do Leão tinha ( não se ainda continua lá) uma foto com um dos times do Villa e ao lado estava escrito mais ou menos assim: “O Cruzeiro é o melhor time do Brasil, menos no Alçapão do Bonfim”. Se não me engano, a frase é uma referência ao time do Cruzeiro que tinha batido os principais rivais do Brasil, mas não vencia o Leão em Nova Lima. 

O Villa precisa voltar a ser temido, respeitado e a ser, no mínimo, a principal força do interior de Minas. Reviver os anos 30, quando conquistou o primeiro tricampeonato mineiro, e a década de 50, do lendário Vaduca. É fato que tal mudança não ocorre do dia para a noite. É um processo lento que precisa ser iniciado agora. Investir na categoria de base é fundamental. Formar jogadores que conheçam a história e tudo que o Leão representa evita contratar sanguessugas, sem qualquer comprometimento com o clube. Até porque vestir a camisa do Leão não é para qualquer. 

De imediato, torço de coração para o Villa  permanecer na elite do futebol mineiro. Sua história, Nova Lima e seus torcedores não merecem outro rebaixamento. Espero que todo esse aperto fique como lição. Ouçam o João Otávio e deixem nosso Leão rugir. 

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
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