07 Mar 2019 | domtotal.com

Uma bike no meio do caminho

Já passa da hora de se criarem regras de trânsito para usuários de veículos não motorizados.

Patinetes e bicicletas são muitas vezes deixados no caminho dos pedestres, em praças e passeios públicos.
Patinetes e bicicletas são muitas vezes deixados no caminho dos pedestres, em praças e passeios públicos. (JFS)

Por Jorge Fernando dos Santos

Chegou a Belo Horizonte, faz pouco tempo, o serviço de patinetes e bicicletas compartilhadas da Yellow. Trata-se de uma empresa de venture capital, sediada em Menlo Park, na Califórnia.

A proposta é oferecer um modelo mais prático de transporte individual para as grandes cidades. Ao contrário das bikes do Itaú, por exemplo, os veículos da Yellow não tem plataforma fixa. Com isso, o usuário pode encontrá-los em qualquer lugar.

O sistema foi implantado em São Paulo há dois anos e funciona por meio de um aplicativo, que pode ser facilmente baixado da internet. Contudo, já vem enfrentando e causando alguns problemas em BH.

Cenas divulgadas nas redes sociais mostram bicicletas amarelas sendo vandalizadas ou simplesmente jogadas nas águas do Arrudas. Vídeo captado perto de um campo de futebol, na periferia da cidade, exibe adolescentes destruindo uma delas.

A outra ocorrência decorre da falta de educação de alguns usuários. Pelo fato de não terem estação fixa, patinetes e bicicletas são muitas vezes deixados no caminho dos pedestres, em praças e passeios públicos. 

Tráfego perigoso

Há também que se observar o fato de alguns usuários trafegarem em meio ao trânsito, mesmo quando a via dispõe de pista exclusiva para ciclistas. E há aqueles que, ao se deslocarem em passeios públicos, abusam da velocidade, colocando em risco a segurança de terceiros.

Em frente ao Museu do Brinquedo, por exemplo, em plena Afonso Pena, abaixo da Praça ABC, já se tornou rotina bicicletas descerem o passeio a toda velocidade. É uma sorte que nenhuma criança tenha sido atropelada.

Assim como ciclistas e skatistas, quem anda de patinete geralmente não respeita as mãos do trânsito. Isso coloca em risco a segurança de quem atravessa a via pública pensando que o tráfego vem só de uma direção.

Por essas e outras, tecnologias que facilitam a vida urbana precisam ser devidamente regulamentadas pelo poder público. Já passa da hora de se criarem regras de trânsito para usuários de veículos não motorizados.

Em BH, a fiscalização poderia ser feita pela BHTrans, empresa responsável pelo trânsito. Infelizmente, nos dias de hoje, somente o rigor da lei parece ser capaz de educar e civilizar as pessoas, sobretudo nas grandes cidades.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Ed. Atual), Prêmio Guimarães Rosa em 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ em 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti em 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio da APCA em 2015; e A Turma da Savassi (Quixote).
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