04 Mar 2019 | domtotal.com

Galão sem a Massa


A Massa de torcedores do Atlético, o povão, não tem lugar no Mineirão em jogos da Taça Libertadores da América.
A Massa de torcedores do Atlético, o povão, não tem lugar no Mineirão em jogos da Taça Libertadores da América. (Flickr do Atlético)

Por Juliano Paiva

Um estádio com capacidade para 62 mil pessoas tem que ter lugar para todo mundo. Para quem quer – e pode – pagar R$ 2 mil no camarote com comida e bebida liberadas com show de rock no intervalo e para quem quer gastar R$ 20,00 para ver “apenas” o jogo. 

Todos os grandes clubes do país precisam ter isso como meta, principalmente os que se autodenominam o “Time do Povo” e/ou o “Time de Todos” como o Atlético. Se é de todos, tem que ter lugar para o povão no estádio, inclusive nas grandes e decisivas partidas. 

A diretoria do Atlético errou feio no preço dos ingressos e decepcionou a torcida. A baixa venda até o momento – somente 23.007 torcedores garantidos para o duelo contra o Cerro Porteño – e as reclamações nas redes sociais escancaram isso. 

O ingresso avulso mais barato para sócio é R$ 50,00 e para não sócio, R$ 100,00. Já o pacote com os três jogos da fase de grupos no Mineirão sai por R$ 120,00 o mais em conta para o sócio e R$ 180,00 para o não sócio. 

Acredite, a diretoria do Galo estipulou esses preços num país com 13 milhões de desempregados. Os preços acima seriam aceitáveis, apenas aceitáveis, se os jogos fossem no Independência com capacidade para pouco mais de 23 mil espectadores. 

Como as partidas serão no Mineirão, que tem quase três vezes a capacidade do estádio no Horto, esperava-se preços melhores, algo como R$ 20,00 para sócio e R$ 40,00 para não sócio. Preço único! Simples! Lotaria o Salão de Festas e a torcida ficaria feliz, sentindo-se recompensada pelos 111 anos de amor dedicados ao clube.  

No pior das hipóteses, os preços acima poderiam ser cobrados para os assentos atrás dos gols. Para os melhores lugares, no centro do Mineirão, o preço poderia ser de R$ 30,00 para sócio e R$60,00 não sócio. O público seria bem maior, com chances de esgotar os bilhetes, e todos, muito importante, todos teriam condição de pagar. 

Atleticanos que não vão a um jogo do Galo há anos e outros que sequer o viram in loco no estádio na Libertadores mereciam preços populares. 

A Massa é conhecida em todo o país por seu amor incondicional e, muito por isso, é dona dos recordes de público em todas as décadas no Mineirão de 1965 a 2010. E na história do Campeonato Brasileiro, ano a ano, só perde para a torcida do Flamengo, a maior do Brasil. 

Por que não devolver esse carinho viabilizando a ida do atleticano aos jogos da Taça Libertadores? Para arrecadar mais e pagar os salários dos jogadores? Se a essa altura do campeonato o Atlético, sem estádio e jogando no Independência, depender de renda para pagar salário está tudo errado no clube desde 2012, quando adotou o Horto como casa. 

Então, não tem desculpa! É preciso ter sim inclusão social e empatia pelos mais desfavorecidos. E vou repetir! Clubes como Atlético, Corinthians, Flamengo e Internacional que têm orgulho de se declararem “Time do Povo” têm uma responsabilidade ainda maior. 

O Galão da Massa, do povão, desta vez estará sem ela.  

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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