13 Mar 2019 | domtotal.com

Discutindo bobagens. Ainda bem

O Ministério Público desistiu de criar uma fundação para lutar contra a corrupção, com verbas recuperadas após investigações.

Outra reforma com alto potencial de controvérsia está para ser enviada: a que devolve ao Congresso sua missão básica de determinar o Orçamento, dando fim às porcentagens obrigatórias para Educação, Saúde, etc.
Outra reforma com alto potencial de controvérsia está para ser enviada: a que devolve ao Congresso sua missão básica de determinar o Orçamento, dando fim às porcentagens obrigatórias para Educação, Saúde, etc. (Agência Brasil)

Por Carlos Brickmann

A reforma da Previdência, assunto essencial, está no Congresso. Outra reforma com alto potencial de controvérsia está para ser enviada: a que devolve ao Congresso sua missão básica de determinar o Orçamento, dando fim às porcentagens obrigatórias para Educação, Saúde, etc. O Ministério Público desistiu de criar uma fundação para lutar contra a corrupção, com verbas recuperadas após investigações. Um pacote anticrime, proposto por Sérgio Moro, está pronto para exame pelos parlamentares. Para o bem ou para o mal, são propostas que modificam muito a estrutura do país.

E estamos discutindo tweets e fake-news que, seja a razão de quem for, fazem tanta diferença quanto o resultado de um jogo sub-15. É triste.

Ou não: um leitor desta coluna, advogado e ex-ministro, lembra que, por menos relevantes que sejam esses temas, pelo menos não discutimos hoje alguns bilhões de reais em propinas, nem somos surpreendidos porque um diretor de estatal devolveu R$ 90 milhões – que tinha na conta! - para se livrar da prisão fechada. As notícias de hoje são sobre indecências no Carnaval ou declarações atribuídas a uma repórter que estaria se esforçando para que suas descobertas derrubem o presidente. Coisa mais micha!

O comportamento é ilegal? Cabe à Justiça decidir. A discussão é boba? É. Mas os temas são menos escandalosos que construir uma refinaria como Hugo Chavez mandou sem ele botar um centavo na obra. Esta coluna quer esquecê-los. Mas admite que é melhor discutir besteira do que ladroeira.

Passagem rápida

Discussões sobre um episódio do Carnaval e uma entrevista a um site francês, que nega ter feito a entrevista, são chatas demais. Não deve ser impossível que governistas defendam o projeto de reforma da Previdência e oposicionistas mostrem suas falhas. É melhor até para ler a notícia!

Os lucros do assassínio

Dois presos são apontados como assassinos de Marielle. Cessa com isso a choradeira de que o Governo não queria esclarecer o crime? Não: para os radicais que dividem o mundo entre nós e eles, o assassínio continua sendo culpa de Bolsonaro – embora as prisões tenham ocorrido em seu Governo, embora ele tenha dito que é preciso chegar aos mandantes. Sérgio Moro é criticado por não ter dito nada sobre as prisões – embora tenha emitido nota oficial sobre o tema. Ô, gente chata! Será que só pensa em lucro político?

Os ausentes

Há quase 50 anos, 1972, Tom Jobim já falava nas “águas de março fechando o verão”. Mas o prefeito da maior cidade brasileira, Bruno Covas, escolheu justo esta época para tirar férias na Europa. A tragédia atingiu São Paulo e alcançou Covas, obrigado a trabalhar na época de trabalho! Mas ele não está só. O Congresso começa a discutir a reforma da Previdência; o projeto anticorrupção também será debatido; o superministro Paulo Guedes anuncia uma mudança na estrutura do país, eliminando gastos obrigatórios e liberando os parlamentares para definir despesas e investimentos. É bem nessa hora que o articulador político do Governo, Onyx Lorenzoni, decide fazer um passeio à Antártida. Entre uma fria e outra, escolheu a fria errada.

Rico...

A Assembléia do Mato Grosso do Sul aprovou e o governador Reinaldo Azambuja, do PSDB, sancionou: a partir de agora, e com efeito retroativo a 1º de fevereiro, os salários do Tribunal de Contas do Estado podem ser aumentados em até 90%. Quase dobram. Quem decide os beneficiários é o presidente do TCE – sim, o próprio. Previsão de gastos? Não foi divulgada. Afinal, quem é rico de verdade não precisa perguntar o preço de nada.

...ri...

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul tem uma lista com uns 90 juízes e desembargadores que ganham bem acima do teto constitucional de R$ 39,2 mil. O salário mais baixo da lista é de R$ 64.812,58. O mais alto atinge R$ 135.576,90 – pouco mais que o triplo dos vencimentos de um ministro do Supremo, que deveria ser o servidor público mais bem pago. Ainda bem que o agronegócio anda próspero e paga as contas do Estado.

...à toa

E, completando o quadro, o governador Reinaldo Azambuja nomeou 27 comissionados (cargos de confiança) com salários que começam na faixa de R$ 28 mil. Cinco superam o teto, e deles o mais bem pago recebe R$ 92.985,55 mensais. O Estado é generoso e ninguém regula merreca.

Ninguém é de ferro

Indignado, caro leitor? Então, mais uma: o famoso Carnaval baiano, de longa duração, é para os fracos. A Câmara dos Deputados reiniciou ontem o trabalho, após 13 dias de Carnaval, com reuniões de bancadas estaduais. Resta uma dúvida: se o Carnaval de três dias era Tríduo Momesco, como será apelidado o de 13 dias? Teremos de chamá-lo de Trezena Momesca?

Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas