18 Mar 2019 | domtotal.com

Ainda dá tempo, Levir! 

Atlético precisa de quatro vitórias em quatro jogos na Libertadores.

Com três volantes, o Atlético de Levir não marcou um gol sequer em três jogos.  
Com três volantes, o Atlético de Levir não marcou um gol sequer em três jogos.   (Bruno Cantini / Atlético)

Por Juliano Paiva

Levir Culpi soltou o time do Atlético. A torcida agradece. O treinador cedeu ao clamor, e ira, nas arquibancadas e redes sociais e escalou o Galo diante do América com dois volantes ‘pegadores’ (Adílson e Zé Welison) e Guga na lateral direita no lugar do contestadíssimo Patric. 

O resultado foi um time mais ofensivo, vertical, que buscou o gol o tempo todo. Tomou dois gols, é verdade, mas aí o problema já é outro. Igor Rabello vive péssima fase e, parte em decorrência disso, o Atlético segue muito vulnerável nas bolas áreas, cruzadas.   

Não é qualquer técnico que tem o nome gritado pela torcida. Isso é uma honra, uma conquista comparada a um título. Levir pode se gabar disso. É um ídolo atleticano. E não é por acaso. 

O técnico coleciona ótimos resultados com o Atlético em todas as suas passagens anteriores: 1994, 2001, 2006 e 2014. Na última delas ganhou a Copa do Brasil em cima do Cruzeiro numa final – eternizada pelo “quarta-feira tem mais” – em que o Galo deitou e rolou.

Mas a insistência com um esquema que fracassou, o de três volantes, colocou a idolatria na berlinda. E pior! Deixou o Atlético em situação muito difícil, quase eliminado, da Taça Libertadores da América.  

Levir precisa insistir na formação que venceu o América-MG, ou seja, persistir com o DNA ofensivo do Galo. Simultaneamente, claro, trabalhar a defesa, tentar saber de Igor Rabelo porque está tão mal. E, se for o caso, usar Leonardo Silva ou Maidana entre os titulares. 

Ainda dá tempo, Levir!

O Atlético só depende de suas próprias forças para chegar às oitavas de final da Libertadores. É difícil conseguir quatro vitórias em quatro jogos? Sim, muito! Mas será impossível se insistir com um esquema em que o time não marcou um gol sequer em três jogos.    

O toque de lado, irritante e insistente num meio de campo com três volantes, que não cria nada ofensivamente, simplesmente não deu certo. Reconhecer isso é mais do que meio caminho para uma temporada feliz para os atleticanos. 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
+ Artigos
Instituições Conveniadas