21 Mar 2019 | domtotal.com

O futebol que ninguém vê 

Agente penitenciário foi convocado como testemunha em um processo criminal que tinha como réu justamente seu ex-colega de clube.

Agente penitenciário foi convocado como testemunha em um processo criminal que tinha como réu justamente seu ex-colega de clube.
Agente penitenciário foi convocado como testemunha em um processo criminal que tinha como réu justamente seu ex-colega de clube. (Pixabay)

Por Rômulo Ávila

Longe da badalação, das cifras milionárias, das viagens de avião, das transmissões em alta definição, da tietagem e dos estádios lotados existe um futebol que quase ninguém vê. Salários atrasados, falta de estrutura, intermináveis viagens de ônibus e outros problemas fazem parte da rotina que não passa na TV e que, na verdade, é a realidade do futebol nacional. São mais de 650 clubes profissionais no país pentacampeão do mundo, dos quais apenas 40 estão nas principais divisões do Brasil. 

O sonho de ser jogador de futebol, alimentado por milhões de garotos brasileiros, se transforma, na maioria das vezes, em frustração. Poucos chegam ao estrelato. E algumas tristes coincidências da vida mostram isso. E uma delas ocorreu nesta semana, no juizado criminal de uma cidade da Grande BH, com dois colegas (os nomes serão mantidos em anonimato) que jogaram juntos na base do Villa Nova, o tradicional Leão do Bonfim, em 1997. Como o sonho da bola não deu certo, cada um seguiu seu caminho. Um é agente penitenciário e o outro, infelizmente, mergulhou no mundo das drogas.

O agente penitenciário foi convocado como testemunha em um processo criminal que tinha como réu justamente seu ex-colega de clube. A triste coincidência foi relatada pelo agente em grupo de Whatsapp de ex-jogadores do Villa. Contudo, o destino não colocou os dois frente a frente nesta quinta-feira (21). O ex-jogador, hoje réu por roubo, cumpre prisão domiciliar e não recebeu a intimação por não ter sido localizado. "Tomara que ele não esteja roubando de novo", disse o agente.

Esse caso mostra o lado escuro do futebol que muitas pessoas nem sabem que existe. É claro que não há como afirmar que meu colega entrou no mundo do crime porque não deu certo no futebol, mas é certo que a frustação de não ter o sonho alcançado mexe com a cabeça de muitos garotos Brasil afora. É fato também que nem todos têm suporte e estrutura familiar para trilhar outros caminhos, e acabam se envolvendo com o submundo do crime. Há aí um problema social. É o caso desse meu colega e, com certeza, de outros tantos meninos que sonham com a fama, dinheiro e sucesso, mas descobrem que o futebol não garante isso. 

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
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