15 Abr 2019 | domtotal.com

VAR não põe fim aos erros de arbitragem que interferem no resultado dos jogos

Atlético foi prejudicado no clássico contra o Cruzeiro, na primeira partida da final do Campeonato Mineiro, em dois lances capitais que decidiram o jogo

Pênalti claro em Igor Rabello sequer foi revisado pelo VAR no Mineirão.
Pênalti claro em Igor Rabello sequer foi revisado pelo VAR no Mineirão. (Bruno Cantini/DomTotal.com)

Por Juliano Paiva

A grande novidade na reta final dos Estaduais em 2019 é o VAR, o tão falado árbitro de vídeo. Enganou-se quem imaginou que os erros de arbitragem teriam fim com a esperada tecnologia. A final do Campeonato Mineiro é um ótimo exemplo disso. 

O gol da vitória do Cruzeiro sobre o Atlético, do zagueiro Leo, surgiu de um escanteio que não existiu. Numa disputa de bola na linha de fundo entre os atleticanos Fábio Santos e Adílson com o cruzeirense Marquinhos Gabriel, na frente do assistente Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa, a bola bateu por último no jogador de azul antes de ir para fora. 

Era tiro de meta para o Atlético, mas o assistente equivocadamente marcou escanteio confirmado pelo árbitro Wagner do Nascimento Magalhães. Na cobrança saiu o gol celeste. Nas redes sociais a torcida atleticana clamava pela revisão do VAR. Em vão! O árbitro de vídeo não é usado em “lances comuns” como escanteio, lateral, etc. 

A novidade tecnológica é usada apenas em quatro situações: 

 - Erro de identidade de jogadores. Se o cartão (amarelo ou vermelho) for aplicado ao jogador errado, o VAR entra em ação.   

 - Cartão vermelho direto. Se um cartão vermelho incontestável não for aplicado, por uma agressão, por exemplo, o VAR deve avisar o árbitro de campo.   

- Pênalti e não pênalti. O VAR pode informar ao árbitro de campo se houve um pênalti que ele não viu. 

- Gol ou não gol. A função do VAR neste caso é ajudar o árbitro a determinar se houve alguma infração que o impeça de validar o gol. Possíveis irregularidades como se a bola cruzou a linha, toque de mão e impedimento são analisadas. 

Além de validar o gol que se originou de um escanteio que não existiu, o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães deu amarelo para Fábio Santos. O lateral-esquerdo reclamava, acertadamente, que não foi tiro de canto, mas sim tiro de meta. 

Outro lance bastante debatido nas redes sociais foi aquele entre os zagueiros  Dedé e Igor Rabello na grande área do Cruzeiro. O cruzeirense puxa a camisa do atleticano e ainda o agarra pelo pescoço. 

Mais do que a não marcação do pênalti, o que gerou maior revolta por parte dos atleticanos é o fato de o VAR sequer ter sido acionado naquele momento. Realmente muito estranho! Por que Bruno Arleu de Araújo, o árbitro do VAR no Mineirão, não alertou o árbitro de campo, Wagner do Nascimento Magalhães, da possibilidade de pênalti? O Atlético foi prejudicado pela arbitragem em dois lances capitais que decidiram o jogo no Mineirão.  

 A não expulsão de Fred, quando fez o gol com a mão, também chamou a atenção. O atacante cruzeirense não recebeu o segundo amarelo mesmo com o VAR ccomprovando a irregularidade. Na semifinal entre Cruzeiro e América-MG no Mineirão, o atacante do Coelho Felipe Azevedo foi amerelado justamente por fazer o gol, acertadamente anulado pelo ábitro de vídeo, com a mão. Qual o crítério? Por que Fred não recebeu amarelo em lance idêntico? A FMF terá muito trabalho até a finalíssima no sábado.

Ou seja, com a possibilidade de usar o VAR (pênalti de Dedé em Igor Rabello) ou não (o escanteio inexistente), a arbitragem continua interferindo nos resultados.  

Vai ter polêmica sim, sempre! E discussões na escola, no trabalho, no bar, na fila do supermercado, no ponto de ônibus, com o motorista do táxi ou do Uber....

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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