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Fora da minha biblioteca

22/06/2016 09:15:32

Por Carlos Ávila

Recentemente, no facebook, começou uma brincadeira a respeito dos livros e autores que foram importantes ou fundamentais – básicos mesmo – para os usuários daquela ferramenta. Daqui e dali surgiram espontaneamente listas, com cerca de vinte autores, organizadas por variadas pessoas (não só intelectuais ou escritores, imagino), reunindo nomes de livros (com seus respectivos autores) que os usuários do face consideram imprescindíveis na sua formação.

Pensando no tema que, aliás, não foi adiante – ou melhor, não prosperou ou viralizou, como dizem em termos de internet (talvez pelo sofrível nível cultural reinante nessa ilusória e superficial rede “de amigos da onça”) – imaginei uma lista ao contrário, ou seja, ao avesso – o melhor do pior.

Para me divertir um pouco, nestes tempos de vacas magras literárias, elaborei uma lista (ou antilista, se quiserem) com o nome de alguns autores que não fazem parte (nem jamais farão!) da minha biblioteca pessoal. Como poeta, me restringi a este gênero (mais adiante, talvez aborde também a nossa prosa – ou quem sabe até mesmo a crítica, se é que ainda existe crítica neste país: todos querem mesmo é saber das tais resenhinhas: aplausos, afagos, prêmios e grande vendagem, Flips e “Companhias” – “das Letras”? Só se forem as de câmbio, estas sim, funcionam muito bem neste país de corruptos).

Imagino que os possíveis leitores destas mal traçadas possam se divertir com esta minha listinha, sem maiores pretensões – mais do que com as outras listas ditas sérias, pomposas e pastosas: bacon and egos. Sim, egos. Gente que se leva muito a sério; que leva a sério o fakebook (sic).

Gosto se discute e muito (questão de repertório, do ponto de vista semiótico). A ausência de crítica legitima o vale-tudo estético. “Um crítico vale mais por suas escolhas do que por seus argumentos” (Pound). Talvez esta lista provoque uns e outros; alguma mínima discussão (ou reflexão).

Uma lista é uma lista é uma lista – pessoal intransferível, nada mais (agora, se depois de lê-la vierem de Rambo, eu vou de Rimbaud – e estamos conversados!).

Poetas que não fazem parte da minha biblioteca

1) Bilac & Coelho Neto

2) Plínio Salgado

3) J. G. de Araújo Jorge

4) Paulo Bomfim

5) Augusto Frederico Schmidt

6) José Sarney

7) Thiago de Mello

8) Manoel de Barros

9) Gerardo Melo Mourão

10) Lêdo Ivo

11) Geir Campos

12) Carlos Nejar

13) Ivan Junqueira

14) Mário Chamie

15) Affonso Romano de Sant’Anna

16) Adélia Prado

17) Armando Freitas Filho

18) Francisco Alvim

19) Bruno Tolentino

20) Alexei Bueno

21) Carpinejar & outros daí pra baixo…

*****

(Obs. se fossem incluídos covers e dublês de modernistas e concretistas; de Leminski e de “marginais”; de haicaístas e Adelitas; ou ainda as bonitinhas pós-moderninhas da Cult – a lista não teria fim. Esta é a cena atual. Uma grande geleia geral; inclusive poético-internética. Salve-se quem puder!).

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