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Aécio, Frau Goebbels e o controle da mídia

05/01/2015 09:31:02
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Pimentel tomou posse como novo governador de Minas

A posse do petista Fernando Pimentel no governo de Minas encerra uma das experiências mais bem sucedidas, no Brasil, de controle da mídia. Não no sentido que o PT garante dar a essa expressão, mas no sentido de controle de conteúdo, direcionamento, pressão do poder.

Por ter sido uma ação perpetrada em escala regional e mal explicada fora de Minas, ela não produziu pelo país afora a condenação que merecia. Seu beneficiário político, o tucano Aécio Neves, desfilou por toda parte como candidato democrático, puro liberal da moda, porta-voz do antipetismo “vai-pra-Cuba”. Na verdade, a folha-corrida de Aécio demonstra nesse ponto crucial tanto apreço pela liberdade de expressão e pelas qualidades essenciais da democracia quanto a do velho dono da Bahia, o truculento ACM.

Aécio Neves tinha a seu serviço no governo de Minas certo “grupo de comunicação”, tristemente lembrado por funcionários do próprio governo e por jornalistas, que se encarregava da beleza da imagem do governador. Cercando todos os aspectos de uma operação que sufocou a mídia mineira, o “grupo” manipulava verbas publicitárias para intimidar publicações. Assessores de comunicação eram encarregados de impor à mídia – inclusive a pequenos jornais do interior – a versão oficial em todos os assuntos; chamavam isso de “visão positiva”.

Esse controle minucioso, ameaçador e retaliativo da mídia levou à observação, comum na imprensa nacional, de que Aécio não tinha oposição em Minas. Com a evolução da campanha presidencial, o tema aos poucos foi abandonado pela grande imprensa. O candidato tucano, apoiado pela grande imprensa conservadora, não ficaria bem aparecendo como era na intimidade do seu governo, um ACM em versão juvenil e festeira.

A hierarquia do “grupo” obscurantista – um tanto doentio, talvez – organizava-se em torno da misteriosa figura de Frau Goebbels, a irmã do governador, Andrea Neves. Sua presença pairava sobre todo o governo, mas ninguém a via (ou vê). Sua paixão é a coxia das tramas da mídia. Do seu ninho de metralhadoras ela imobiliza todo o sistema para o culto de um irmão que reinventou como político.

Chamada por todos, pelas costas, de “governadora”, Frau Goebbels jamais se candidatou a nada. Pela cativante simpatia, ela está certa: é inviável mesmo. Aécio é uma espécie de controle remoto pelo qual Andrea Neves faz política. Sua arrogância de “dona dos porcos” incomoda a quem estiver por perto. Um dos mais importantes tucanos mineiros, sondado para o secretariado de Aécio, confessou a amigos que só trabalharia a quilômetros de Andrea.

No esquema de controle da mídia, o “grupo” atuava através de alguns perpetradores diretos. Entre eles, o mais próximo da “governadora”, segundo alguns “o único que ela ouve”, era o publicitário Paulo Vasconcelos – operador de propaganda eleitoral e de governo, dito “marqueteiro”. O pessoal da área o apelidou de “pequeno Hitler” (adjetivo injusto, considerando o porte da pessoa), tal a prepotência e a prontidão do servilismo. Era antes de tudo o homem da regulação das verbas publicitárias conforme a doçura governista do veículo.

O que chama à atenção na escola Frau Goebbels de censura é que realmente engana muita gente. No sentido da sua eficácia deu-se relativamente bem, considerando que o irmão chegou aonde chegou (apesar da interpretação de que na verdade ele não foi um derrotado que caiu de pé, mas o perdedor de uma eleição ganha).

Notável é que Frau Goebbels, mesmo ao fim de uma campanha eleitoral acirrada, continua desconhecida, uma sombra na coxia. Seu esquema de controle da mídia é fartamente conhecido, mas dentro de Minas ou entre jornalistas e políticos. Como arte de ocultação de esqueletos, Frau Goebbels faz melhor que o DIP, o célebre Departamento de Imprensa e Propaganda da ditadura do Estado Novo (1937-1945).

O DIP foi capaz de transformar em “pai dos pobres”, em simpático “velho”, aquele ditador capaz de prender uma judia grávida, alemã casada com um adversário político, e entrega-la à Gestapo. Mas pagou um preço alto. Ficou na história como uma das instituições mais execráveis do lixo do Estado Novo. O “grupo de comunicação” dos irmãos Neves até agora continua inexplicavelmente na sombra. Para que serve a valentia de “Veja”, por exemplo, que sempre soube que, no projeto de Frau Goebbels, jornalista contrário é jornalista silenciado?

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