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Não subestimemos Eduardo Cunha!

22/07/2015 11:57:57

04Por Robson Sávio

Todos conhecem a expressão “cuidado com o canto da sereia”; ou seja, cuidado com algo que atrai por parecer bom, mas, ao fim e ao cabo, é ruim.

Seria muito bom para a democracia e o estado de direito o “aparente” isolamento do tirano das maiorias, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, depois de seu rompimento formal (porque na realidade nunca houve apoio) com o governo. Mas, num contexto de vácuo de poder e ausência de lideranças carismáticas que possam ocupar o espaço vazio desde o último pleito, o decantado isolamento de Cunha, celebrado aos quatro ventos (inclusive pelas ratazanas políticas que até recentemente o apoiavam – incluindo aqui a grande mídia), pode ofuscar uma poderosa rearticulação política em torno de seu nome, transformando-o em vítima e num “salvador da Pátria”, reposicionando o usurpador-chantagista no centro das disputas políticas novamente. O pronunciamento de Renan Calheiros, na TV Senado neste fim de semana, a hipotecar solidariedade a Cunha, mostra que o campeão das doações empresariais entre os deputados não está tão isolado como parece.

Cunha continua líder, por exemplo, de inúmeros “revoltados” on e off line que há muito articulam um golpe. Manifestações do tipo “ele é corrupto, mas vai tirar o PT do poder” já abundam nas redes sociais.

Potencialmente, é líder dos que não têm nada a perder, porque sempre jogam do lado do “quanto pior, melhor”.

Parcialmente, é líder dos segmentos que sempre investiram tudo na manutenção de um país desigual e injusto, social e politicamente, e precisam de aventureiros políticos para viabilizar seus intentos.

Continua líder de grupelhos religiosos raivosos – cada vez mais salientes e despudorados – que pregam uma guerra santa em nome dos seus interesses inconfessáveis.

Poderá se manter como líder dos oligopólios da mídia que, atualmente, promovem o golpe e que, qual folha de bananeira ao vento, sopram do lado mais conveniente aos interesses dos poderosos.

Se não houver, rapidamente, uma ocupação dos espaços vazios de poder por lideranças políticas que assumam um discurso e, para, além disso, uma articulação política para o enfrentamento e superação da crise político-econômica-institucional, Cunha poderá voltar muito mais “musculoso politicamente” do que se encontra ocasionalmente nesse momento de ataque mais ou menos orquestrado.

Espera-se, também, que a presidenta Dilma Rousseff assuma de vez o papel de estadista, na condição de vitoriosa legítima do último pleito, na condução de saídas para os impasses políticos. O presidencialismo de coalizão – cujo papel do chefe do Executivo é central -, depende da liderança presidencial. Dilma continuará vítima da chantagem e do discurso golpista se não reagir rapidamente.

Em relação à Cunha uma coisa é certa: um político que não tem nenhum escrúpulo atrai aventureiros, oportunistas, covardes e imbecis de todas as espécies e, por isso, dele pode-se esperar tudo…

Não subestimemos Cunha: seu séquito, apesar de desprezável, não é desprezível.

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