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Comissão da Verdade em Minas e a UFMG

07/12/2017 13:55:42

Nota oficial covemg

Em nota divulgada nessa quarta (6/12) os membros titulares da Comissão da Verdade em Minas Gerais se manifestaram sobre a operação da Polícia Federal realizada na Universidade Federal de Minas Gerais.

A Comissão declarou que recebeu “com surpresa e indignação a notícia da operação”. Ao citar outros eventos que expõem negativamente a imagem das universidades públicas brasileiras, a Covemg afirma que “há um evidente ataque de setores conservadores e autoritários contra a Universidade e que “ao criminalizar uma das maiores Universidades do país abre-se a porta para a criminalização de todo um segmento que não se alinha aos setores autoritários. Nós da Covemg conhecemos bem essa metodologia.”

Ainda segundo a nota, a condução coercitiva de altos dirigentes da Universidade “tendo residência fixa e sendo cidadãos do mais alto conceito (…) se transforma numa brutal violência, a evidenciar o obscurantismo que envolve ações da justiça e da polícia nesse momento histórico.”

Leia a nota completa da Comissão da Verdade em Minas, abaixo:

NOTA OFICIAL DA COVEMG SOBRE AÇÃO POLICIAL NA UFMG

A Comissão da Verdade em Minas Gerais (COVEMG) recebeu com surpresa e indignação a notícia da realização da operação da Polícia Federal, ironicamente, intitulada “Esperança Equilibrista”.

Há um evidente ataque de setores conservadores e autoritários contra a Universidade brasileira e tudo o que essas instituições representam para o Brasil.

O ocorrido com o reitor da UFSC, a absurda nota de instituição financeira do exterior a criminalizar o ensino superior público, as inúmeras investidas contra os setores profissionais, artísticos e culturais que lutam contra o arbítrio e pela democracia real são claros sinais do estado de exceção em curso no país.

A construção do Memorial da Anistia em Belo Horizonte é um complexo projeto arquitetônico e de engenharia que envolve a reforma de prédios antigos e a construção de novos equipamentos em terreno com problemas estruturais. Portanto, o devido acompanhamento dessa obra, paralisada a fórceps pelo atual governo federal, não deveria ser objeto de ação policial e sim, de adequações financeiras, técnicas e administrativas.

Os acervos memorialístico e documental que compõem o Memorial, de vital importância para a história, a memória e a justiça em nosso país, demandam uma construção cuidadosa e diversificada.

Ao criminalizar uma das maiores Universidades do país abre-se a porta para a criminalização de todo um segmento que não se alinha aos setores autoritários. Nós da Covemg conhecemos bem essa metodologia.

Manifestamos nossa solidariedade aos dirigentes e ex-dirigentes da UFMG constrangidos nessa operação. Afinal, tendo residência fixa e sendo cidadãos do mais alto conceito, a condução coercitiva se transforma numa brutal violência, a evidenciar o obscurantismo que envolve ações da justiça e da polícia nesse momento histórico.

Estendemos a toda a comunidade da UFMG nossa solidariedade e apoio.

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