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Autoritarismo: ou, a volta daqueles que nunca foram

12/03/2018 14:01:51

urna

Por Robson Sávio

Como está cada vez mais claro e evidente, o golpe de 2016 só foi possível por ações, omissões e conivências do sistema de justiça que, assistindo de camarote a usurpação da Constituição por diversas vezes (inclusive em transmissões ao vivo, como no caso do vazamento do telefonema entre a presidenta Dilma e Lula), preferiu “dormir em berço esplêndido” enquanto uma horda de malfeitores, a serviço do rentismo internacional e dos privilegiados nativos, preparava a facada final, através do fajuto impeachment sem crime de responsabilidade. Encenação tão mal-ajambrada que a presidenta cassada não perdeu seus direitos políticos, a denunciar a patifaria que se constituiu tal processo de exceção.

Qualquer cidadão que entende um mínimo de estado democrático de direito compreende que o golpe de 2016 se caracterizou pelo fato de um grupo minoritário ter tomado o poder sem respaldo e delegação popular, desrespeitando a decisão da maioria e afrontando os mecanismos institucionais e jurídicos do dito estado democrático e, por mais esdrúxulo que possa parecer, tal golpe ter sido respaldado por ações judiciais.

Pois muito bem. Passados dois anos da empreitada dos golpistas, as pesquisas de opinião pública apontam o total desdém do povo em relação ao conglomerado golpista, formado pela fusão dos três poderes contra o povo e os interesses da Nação. Temer et caterva, o Congresso – majoritariamente formado por larápios – e o judiciário da Casa Grande são objeto de reprovação da maioria dos brasileiros.

Enquanto foi possível substituir os tanques pelas togas, o golpe funcionou precariamente, devido a resistência popular que se avolumava, apesar da narrativa manipuladora da mídia nativa.

Mas, aproximando-se das eleições de outubro vindouro e haja vista a total desaprovação popular de todos os nomes do conglomerado usurpador, as aparências ruíram e foi ficando claro que o golpe corria risco. Portanto, só restava recorrer à caserna para manter o projeto “de salvação nacional”, como dizia o impoluto conselheiro presidencial, o senador Romero Jucá.

Agora, fica claro: os grupos que empreitaram o golpe de 1964 estão novamente juntos e misturados: as elites nacionais a serviço dos interesses norte-americanos, o sistema judicial-policial e as Forças Armadas.

Infelizmente, tivemos a leia da anistia que jogou uma pá de cal nos torturadores, ratificada solenemente pelo Supremo, diga-se de passagem; depois, a Constituição Federal de 1988 não reformou os sistemas de justiça e de segurança. Os governos democráticos não enfrentaram as reformas estruturais que poderiam colocar um freio no poder das corporações midiáticas e na sanha predatória das elites nacionais de mentalidade escravocrata.

Resultado: a repressão institucionalizada que caracterizou o golpe de 1964 está novamente montada no país e a intervenção militar no Rio é somente a face mais evidente dessa quadra do golpe.

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