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Aos militares e a todos os brasileiros

25/02/2019 15:13:22
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Por Robson Sávio
1. Há 150 anos que o Brasil não entra numa guerra (já basta a carnificina que subtrai a vida de mais de 60 mil brasileiros, a maioria pobres e negros, todos os anos em nosso país).
2. Para um país continental e com grandes riquezas naturais (petróleo, minério, água doce…), a ausência em guerras é um feito e uma honra à diplomacia e às Forças Armadas.
3. A Venezuela nunca fez mal ao Brasil.  Ao contrário, tem boas relações comerciais e diplomáticas com nosso país. Ademais, somos vizinhos, latinoamericanos, coirmãos e o Brasil nunca teve pretensões imperialistas.
4. Ter na fronteira do Brasil um país com imensas reservas petrolíferas é uma imensa oportunidade de parcerias comerciais futuras, dado que nosso país possui (ainda) uma das maiores e mais bem sucedidas empresas com a capacidade de exploração e refino de petróleo.
5. Só um governo antinacional desperdiçaria as chances de relações de amizade e reciprocidade que podem gerar oportunidades para ambos os países no presente e no futuro.
6. A Venezuela tem uma série  de problemas sociais e de governança, como todos os demais países, incluso o Brasil.
6.1. Uma profunda crise democrática também assola países capitalistas que se curvaram à ditadura do mercado.
6.2. Haja vista tudo o que ocorreu em nosso país nos últimos três anos, não temos moral frente à comunidade internacional para nos postarmos como mais democráticos que a Venezuela.
7. Como um dos fundadores da ONU, o Brasil sempre se destacou no concerto das Nações como país cumpridor das resoluções dessa organização supranacional. A ONU, como se sabe, estabelece a não interferência de terceiros em assuntos domésticos (princípio da não-intervenção e soberania nacional). Para que manchar esse legado?
8. Governos passam e, mais cedo ou mais tarde, são substituídos. Porém, uma ação bélica  em um país  vizinho deixará marcas e instabilidades profundas por décadas.
8.1. Ainda mais quando a agressão se dá num momento de penúria e divisão do povo venezuelano. Como se sabe, a história nunca inocenta os agressores.
8.2. A ONU é a melhor instância para dirimir os conflitos na Venezuela e, se for o caso, dirigir ações humanitárias e o Brasil deveria atuar diplomaticamente nessa direção.
9. O povo brasileiro, salvo pequena parcela de apolíticos que se movem pelo ódio e pela violência, não aceita a agressão a um país vizinho.
9.1. Principalmente, se esse ato serve apenas para atender às exigências dos EUA, que sempre fazem da guerra e da truculência um instrumento para ampliar seus domínios e sua sanha imperialista e incrementar a indústria armamentista – uma das bases de sua economia.
9.2. Todas as guerras patrocinadas pelos EUA foram prejudiciais aos povos atacados, à ordem e à segurança mundiais.
10. Numa guerra sem justificativa como essa, se ocorrer, o Brasil não tem nada a ganhar. Mas terá muito a perder.
11. Mas, se o Brasil entrar nessa aventura, faço duas sugestões às Forças Armadas:
11.1. Convoquem para as batalhas todos os incentivadores dessa guerra, a começar pelos jovens truculentos da classe média, a turma da mídia empresarial, os bon vivant que ficam incentivando a barbárie. Certamente, eles servirão de bucha de canhão para Trump com satisfação. E, caso o Brasil vença, poderão ganhar de recompensa uma ida, com estadia paga, na disneylândia, para se divertirem por uns dias com o pateta.
11.2. Por fim, dêem a honra do comandante em chefe das FFAA, o capitão Bolsonaro e seus filhos, assumirem o ponteiro na empreitada. Parece que eles estão muito motivados. Certamente, como têm demonstrado no governo do país, serão excelentes comandantes nessa aventura. E não vale comando por tuites.
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