Colunas Maria Clara Bingemer
08/07/2010
Sobre universidade e universalidade
A palavra universidade faz interface em sua raiz com outra palavra, universal. Assim é que ao buscar a fonte do que seja a universidade, encontra-se o universo com sua conotação de absoluto e totalidade. Universal é a criação, falando ao espírito humano que a toca e experimenta de voos ainda maiores, para além do que os sentidos percebem ou atingem. Assim se dá a história do pensamento e do conhecimento da humanidade. Avançando no saber e na reflexão, estendendo o conhecimento além de todos os limites que vão sendo alcançados, voando sem limite algum para o horizonte infinito que as asas de seu desejo e sua razão pretendem atingir, transpondo a cada momento todas as fronteiras. Assim nasceram as universidades católicas no Ocidente.
No fundo da motivação para construir uma universidade como morada do saber, do ensino e da pesquisa está a razão inspirada pela caridade. Caridade que deseja a Verdade e busca o conhecimento através da pesquisa, da investigação e da reflexão. Para posteriormente difundi-lo mais universalmente. Caridade que crê no ser humano como ser de razão e transcendência, em contínua abertura para o universo e em constante desejo de crescer e compreender a si e ao mundo que o rodeia. Para isso está a Universidade oferecendo leque mais totalizante e universal de oportunidades, refletindo e aprofundando o conhecido, elaborando novas formulações e sínteses sobre o apreendido e lançando-se com atenção alerta sobre o ainda não descoberto.
Recebido e apropriado pela mente humana, o conhecimento aponta para além de si e de seus limites buscando transmitir-se e transgredir-se a si mesmo. Transmitir-se na medida em que difunde a outros o caminho percorrido e seu conteúdo. Transgredir-se pois nunca encontrará repouso no já adquirido, mas sempre tenderá para mais, em contínua e persistente busca de uma universalidade maior. A autoridade do aprendido será levada a “outras partes”, abrindo horizontes e inaugurando novos mundos por onde o espírito humano poderá andar e comunicar o que aprendeu, alargando assim o espaço do saber. Essa é a razão de ser da universidade, que encontra seu segredo em nunca acabada universalidade.
Por um lado, está a inspiração e razão de ser de uma obra como a Universidade católica, que se encontram presentes na Igreja desde a Idade Media. Trata-se do desejo de dar alcance universal à missão de ajudar a outros através do conhecimento. Por outro, o objetivo e o ideal das universidades que os mesmos jesuítas assumirão a seu cargo atravessam o espaço da realidade e mergulham em plena transcendência. A razão de ser e a meta de uma universidade como a nossa, onde se busca a excelência do conhecimento, aterrissa no coração da realidade, na busca e no exercício da caridade e na ajuda do próximo. Comprometer-se com as questões concretas e os desafios reais da sociedade produzindo conhecimento e formando pessoas que possam construir uma sociedade mais justa é constitutivo da identidade da universidade confessional.
Tudo para a maior glória de Deus. Não por outro motivo a palavra universal é sinônimo de católico. E o cath-olon é a totalidade com a qual a mesma universidade se identifica. “O bem, quanto mais universal, mais divino”, dizia Inácio de Loyola, nos albores da modernidade, aos jesuítas que desejava ver percorrendo o mundo inteiro, buscando o maior serviço divino e a maior glória de Deus. Como meio para esse serviço maior a esse bem mais universal, a universidade desponta como espaço adequado onde os saberes se entrecruzam e falam de totalidade e absoluto.
Fiel a sua identidade, a universidade católica é igualmente chamada a ser espaço plural, onde a liberdade do pensar permanece aberta ao diálogo com outras crenças e também com os que não creem. Por isso podem ser encontrados em seus quadros, com pleno direito e cidadania, docentes, pesquisadores e alunos de todos os credos e também aqueles sem filiação a qualquer credo. O único pressuposto para o ingresso no seio da universidade permanece sendo – além da competência acadêmica - a integridade ética, o respeito mútuo e o compromisso humanista.
Essa reflexão deseja celebrar com alegria os 70 anos da PUC-Rio. Esperamos que essa celebração seja cheia da criativa fidelidade à inspiração que fez nascer a Universidade e que a faz ser o que é: a melhor universidade privada do país. Em seu brasão, o desejo e a ousadia da universalidade expressos pelas duas asas da fé e da razão. Assim voando, nada é pesado e os limites se convertem em desafios e oportunidades na fascinante aventura humana de pensar, conhecer e acreditar. “Alis grave nil”.
No fundo da motivação para construir uma universidade como morada do saber, do ensino e da pesquisa está a razão inspirada pela caridade. Caridade que deseja a Verdade e busca o conhecimento através da pesquisa, da investigação e da reflexão. Para posteriormente difundi-lo mais universalmente. Caridade que crê no ser humano como ser de razão e transcendência, em contínua abertura para o universo e em constante desejo de crescer e compreender a si e ao mundo que o rodeia. Para isso está a Universidade oferecendo leque mais totalizante e universal de oportunidades, refletindo e aprofundando o conhecido, elaborando novas formulações e sínteses sobre o apreendido e lançando-se com atenção alerta sobre o ainda não descoberto.
Recebido e apropriado pela mente humana, o conhecimento aponta para além de si e de seus limites buscando transmitir-se e transgredir-se a si mesmo. Transmitir-se na medida em que difunde a outros o caminho percorrido e seu conteúdo. Transgredir-se pois nunca encontrará repouso no já adquirido, mas sempre tenderá para mais, em contínua e persistente busca de uma universalidade maior. A autoridade do aprendido será levada a “outras partes”, abrindo horizontes e inaugurando novos mundos por onde o espírito humano poderá andar e comunicar o que aprendeu, alargando assim o espaço do saber. Essa é a razão de ser da universidade, que encontra seu segredo em nunca acabada universalidade.
Por um lado, está a inspiração e razão de ser de uma obra como a Universidade católica, que se encontram presentes na Igreja desde a Idade Media. Trata-se do desejo de dar alcance universal à missão de ajudar a outros através do conhecimento. Por outro, o objetivo e o ideal das universidades que os mesmos jesuítas assumirão a seu cargo atravessam o espaço da realidade e mergulham em plena transcendência. A razão de ser e a meta de uma universidade como a nossa, onde se busca a excelência do conhecimento, aterrissa no coração da realidade, na busca e no exercício da caridade e na ajuda do próximo. Comprometer-se com as questões concretas e os desafios reais da sociedade produzindo conhecimento e formando pessoas que possam construir uma sociedade mais justa é constitutivo da identidade da universidade confessional.
Tudo para a maior glória de Deus. Não por outro motivo a palavra universal é sinônimo de católico. E o cath-olon é a totalidade com a qual a mesma universidade se identifica. “O bem, quanto mais universal, mais divino”, dizia Inácio de Loyola, nos albores da modernidade, aos jesuítas que desejava ver percorrendo o mundo inteiro, buscando o maior serviço divino e a maior glória de Deus. Como meio para esse serviço maior a esse bem mais universal, a universidade desponta como espaço adequado onde os saberes se entrecruzam e falam de totalidade e absoluto.
Fiel a sua identidade, a universidade católica é igualmente chamada a ser espaço plural, onde a liberdade do pensar permanece aberta ao diálogo com outras crenças e também com os que não creem. Por isso podem ser encontrados em seus quadros, com pleno direito e cidadania, docentes, pesquisadores e alunos de todos os credos e também aqueles sem filiação a qualquer credo. O único pressuposto para o ingresso no seio da universidade permanece sendo – além da competência acadêmica - a integridade ética, o respeito mútuo e o compromisso humanista.
Essa reflexão deseja celebrar com alegria os 70 anos da PUC-Rio. Esperamos que essa celebração seja cheia da criativa fidelidade à inspiração que fez nascer a Universidade e que a faz ser o que é: a melhor universidade privada do país. Em seu brasão, o desejo e a ousadia da universalidade expressos pelas duas asas da fé e da razão. Assim voando, nada é pesado e os limites se convertem em desafios e oportunidades na fascinante aventura humana de pensar, conhecer e acreditar. “Alis grave nil”.
Maria Clara Bingemer
é teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio. É autora de diversos livros, entre eles, ¿Un rostro para Dios?, de 2008, e A globalização e os jesuítas, de 2007. Escreveu também vários artigos no campo da Teologia.
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