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Colunas Paulo Umberto Stumpf

09/05/2011  |  domtotal.com

Uma Pedagogia Libertadora

No dia 02 de maio, completaram-se quatorze anos do falecimento de Paulo Freire.
Educador e filósofo, marcou a história com uma dedicação exemplar na área da educação popular, conciliando escolarização e cidadania, pela teoria e prática. Sua obra mais conhecida, “Pedagogia do Oprimido”, o destacou como um dos maiores expoentes da chamada Pedagogia Crítica e dentre os mais notáveis pensadores da Pedagogia mundial.
Na Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire apresenta os fundamentos teóricos de uma metodologia de alfabetização que procura partir da situação real do aluno, problematizando a sua realidade em vista da aprendizagem e da consciência de seu existir e agir no mundo. Para Paulo Freire, deve ser superada a dicotomia “professor versus aluno” e qualquer conceito das pedagogias tradicionais em que o professor é o sabedor exclusivo, o detentor de todo conhecimento, e o aluno é aquele que “nada sabe” e deve simplesmente assimilar informações.

A libertação, seja do analfabetismo e de quaisquer condições que escravizam a pessoa economicamente empobrecida, somente se dá, segundo Paulo Freire, quando o “educador” se coloca ao lado do “educando”, numa relação de diálogo fraterno, evitando sobrepor-se ao estudante como se o mesmo fosse “coisa” (objeto) ou simplesmente “alvo” da educação.

Esta pedagogia também se contrapõe à tradicional “educação bancária” na qual o professor é o agente absoluto dos procedimentos de ensino e aprendizagem. Aprendizagem esta que implica simplesmente em transmitir um conhecimento puramente teórico e que está todo contido nos livros dos “grandes” intelectuais (educação “livresca”). Na “educação bancária”, o educador simplesmente procura transmitir essas informações acumuladas pela história das grandes teorias. Ao educando, cabe memorizá-las e repeti-las. Para Paulo Freire, essa relação vertical é considerada autoritária e se expressa também nas metodologias de avaliação da aprendizagem. As avaliações autoritárias servem, segundo a Pedagogia do Oprimido, apenas para verificar se o aluno foi capaz de assimilar o conhecimento, exclusivamente tal qual o professor o transmitiu.

Na crítica de Paulo Freire, um dos pressupostos da “educação tradicional” é de que, tal como os fatos em geral comportam uma única interpretação, também na educação existe uma só verdade, indiscutível, insuperável. E evidentemente, essa verdade da “educação tradicional” é a “verdade” do poder dominante que é “dita” de cima para baixo, por quem foi constituído com a autoridade para o exercício do poder.

Segundo a Pedagogia do Oprimido, a verticalidade do ensino tradicional nega o conhecimento como processo de construção coletiva. Esta verticalidade educacional acaba se voltando para o cotidiano do educando que, em sua passividade cognoscitiva, não se torna capaz de assumir politicamente sua própria emancipação e seu papel de sujeito transformador social.

Para nossa modesta concepção, a grande contribuição de Paulo Freire, em sintonia com a chamada “Virada Lingüística”, foi destacar a importância da palavra na aprendizagem para a compreensão de si, do mundo e do situar-se na sociedade como sujeito político, com o profundo sentido do existir humano. A alfabetização, como toda educação, não é, para Paulo Freire, um procedimento mecânico de decorar e repetir sinais, seguir disciplinas e cumprir ordens. É, sim, um ressignificar constante da palavra no texto, do texto no contexto e do contexto na vida como compreensão de suas relações com o cotidiano. É “desvendar” no cotidiano o uso dominador da linguagem e, através da linguagem, superar os mecanismos de dominação.

“Aprender” significa, então, tornar-se capaz de comunicar a verdade que é libertadora. Para Paulo, aprender a ler, escrever e falar deve ser ato de construção da comunicação para a vida, da própria vivência em comunidade, do existir humano em comunhão, do agir para constituir fraternidade. Por isso, é ação libertadora.

No próximo artigo, trataremos da relação da Pedagogia de Paulo Freire com a Pedagogia de Santo Inácio de Loyola (a Pedagogia Inaciana) desenvolvida pela Escola Superior Dom Helder Câmara.

Paulo Umberto Stumpf é Mestre e Doutor em Direito pela UFMG, licenciado em Filosofia e Bacharel em Teologia. Advogado. É Reitor e Professor do Mestrado em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável da Escola Superior Dom Helder. Coordenador Geral do ECOS – Movimento Socioambiental e Jurídico. Diretor Geral do Portal DomTotal. Autor de vários artigos e livros, entre eles, "O Princípio Constitucional da Dignidade Humana".









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