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Colunas João Batista Libânio

08/07/2011  |  domtotal.com

Acompanhamento parlamentar

O acompanhamento parlamentar põe o dedo na chaga da democracia representativa. Churchill, em tom de blague, dizia que ela é o melhor dos regimes deficientes que temos. Ao reconhecer-lhe a vantagem, apontava-lhe, ao mesmo tempo, os gritantes limites.

Predomina representatividade descolada da sociedade civil depois de cumprido o ritual eleitoral. Os parlamentares encafuam-se nas assembléias e entregam-se a vergonhosas barganhas ou fabricam leis contra os interesses daqueles que os elegeram na maior ignorância e descaso dessas pessoas.

Lentamente se acorda para tal mazela. E surge a idéia sadia de rigoroso e atento acompanhamento da ação parlamentar ao longo de todo o mandato dos eleitos. Só falta dispositivo legal ágil que permita aos eleitores retirarem o mandato conferido quando constatada a infidelidade dos mandatários.

Já se dá bom passo quando, em tempos de eleição, se vasculha o passado político dos candidatos, sobretudo daqueles que pretendem reeleger-se para a mesma função ou credenciar-se para outro cargo político. Para os marinheiros de primeira viagem cabe também atenção não menor em busca de informações fidedignas de seu caráter e práticas públicas.

Tal acompanhamento esbarra com a inércia política do cidadão médio. A cultura atual, mais que em outros tempos, reforça a atitude de ”deixar fazer”, “deixar passar”. Em reflexão pertinente, J. L. Segundo ousava interpretar o conceito negativo de “mundo”, usado na Escritura por Paulo e João, como aquela atitude de quem não se empenha por criar algo novo, mas se entrega ao fluir dos acontecimentos. Prefere guardar as energias e disposição para os interesses pessoais, pequenos, imediatos a assumir causas pesadas de conseqüências históricas. E os políticos medíocres apostam na indolência dos eleitores que após lhe darem o voto só voltarão a fazer pedidos pessoais interessados nas próximas eleições. Não entram em questão práticas políticas de alcance social.

Só motivação consistente consegue arrancar-nos da letargia a-política. E esta nasce de causas maiores. Gira no mundo eclesiástico frase atribuída, entre outros, a Paulo VI, de que a política se constitui uma das maiores e melhores formas da caridade. Atravessa, porém, o atual imaginário popular tudo ao contrário. Vê-se a política poluída por tanta corrupção, interesses baixos e mesquinhos. Entretanto há outra maneira de pensá-la como serviço de caridade à sociedade. E essa atitude não brota cogumelamente depois da chuva. Antes supõe cultivo bem adubado.

O acompanhamento parlamentar pretende modificar tal cultura depreciativa da política, apoiada e alicerçada infelizmente em inúmeros fatos. A história humana possui dinamismo e pressão maior que consegue romper o dique das regras impostas pelo sistema dominante. E suas águas férteis fazem brotar novas experiências políticas.
Vivemos momento privilegiado. Caducam muitas formas políticas. Rejeitam-se maciçamente os comportamentos antigos do coronelismo de cabresto. Em seu lugar, brotam atitudes conscientes, livres, organizadas. Nelas apostamos para a renovação da política e dos políticos. O acompanhamento parlamentar serve de prefácio e posfácio de toda eleição. Antecede-a, selecionando os candidatos com melhor nível de informação. Prossegue depois das eleições num corpo-a-corpo permanente, não deixando que os eleitos esqueçam a que vieram e que prometeram.


João Batista Libânio é teólogo jesuíta. Licenciado em Teologia em Frankfurt (Alemanha) e doutorado pela Universidade Gregoriana (Roma). É professor da FAJE (Faculdades Jesuítas), em Belo Horizonte. Publicou mais de noventa livros entre os de autoria própria (36) e em colaboração (56), e centenas de artigos em revistas nacionais e estrangeiras. Internacionalmente reconhecido como um dos teólogos da Libertação.






Comentários









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Astrogildo | 10/07/2011 18:41
De quem é esse jegue?
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Márcio Andrade | 08/07/2011 16:25
Essa politicagem do clero comunista faz com que os católicos fiquem sem orientação e sem instrução para levarem suas vidas, resultando na sociedade doentia em que vivemos (mas que era mais sã quando os padres cuidavam das almas com a catequese, a devoção e os sacramentos).
responder comentário Responder Márcio Andrade
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