JESUÍTAS: 500 ANOS DE TRADIÇÃO E EXCELÊNCIA ASSINE NOSSA NEWSLETTER CONTATO

Colunas José Adércio Leite Sampaio

06/12/2011  |  domtotal.com

As razões de uma paixão torcedora

Ao Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, um artista do futebol que se foi

O que nos faz apaixonados por um time de futebol? Os pais? Na maioria das vezes, mas conheço muita gente que, para ser do contra, escolheu o rival. Os amigos? Ajudam, mas podem funcionar como estímulo à nossa identidade, pelo contraste, para sermos diferentes. As conquistas? Explicam, mas paixão que é paixão também se alimenta da decepção e das derrotas. E de expectativas. Todo ano, imaginamos um Atlético triunfante em Tóquio. Tanto campeão do Gelo, quanto do Sol (Nascente). Todo natal, o melhor presente é a permanência na primeira divisão. Paixão.

O contexto talvez seja a melhor resposta. Aceitação, emulação, sublimação, alienação e um monte de outros ãos, além da oportunidade de ter ido pela primeira vez ao campo, constroem a nossa identidade de torcedor. Mas toda paixão tem um limite. Não pode descer a ladeira da violência, da força bruta e da humilhação.

Sei que, às vezes, dá vontade de estrangular o sujeito que grita, naquele momento em que estamos desmontados e combalidos, ZEROOO. Ou, vale tanto ou mais, GALOOO. Trata-se, porém, de futebol. Amanhã será segunda ou outro dia a mais no calendário e ninguém, nem mesmo o presidente ou o melhor jogador de nosso time, irá resolver os nossos problemas, pagar nossas contas, cuidar de nossa vida. O grito é a catarse desesperada do outro. Vamos sorrir que há sempre o ano próximo e suas venturas. O mais importante é estarmos vivos e bem, noves fora a desgraça daqueles onze.

Toda paixão tem limite. Não podemos usar o erário para presentear o clube do coração. Que usem a fortuna privada, se quiserem, mas dinheiro público? Claro que estou a me referir ao Itaquerão. Por mais que imagine a paixão de um torcedor privilegiado, como justificar a doação, por meio de benefícios fiscais e financeiros, de R$ 420 milhões (além do empréstimo de outros R$ 400 mi pelo BNDES) para construção de um estádio de um clube privado, seja qual for, Atlético, Cruzeiro, Flamengo ou Corínthias? Dinheiro que poderia ir para a redução do déficit habitacional, para o saneamento básico, para a educação, para a saúde. Há procedimentos em curso contra esse presente com chapéu alheio. Duvido que deem em alguma coisa.

Por isso, sim, dá vontade de esganar. Mas somos, por índole, pacíficos. E, mesmo sem muito pão, adoramos circo. Ainda que sejamos nós os palhaços de ocasião. O que nos faz apaixonados por esse picadeiro? Uma falta de vergonha na cara. O gosto acre e histórico de sermos passados para trás e rebaixados à última divisão da civilidade política. Impunemente. Podem deixar, desisti de perguntar, pois ano que vem tem mais.


José Adércio Leite Sampaio é Jurista. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela UFMG. Procurador Regional da República. Professor da Escola Superior Dom Helder Câmara.






X Fechar







código captcha






Outros artigos

Vídeos

Brasil é o 58º no ranking de qualidade de vida
Acervo de Entrevistas

Agenda Cultural

Cinema  |  Teatro  |  Shows
Filmes Bem-Vindo a Nova York
"Welcome to New York"
Drama
2h0min.

Enquete

Você conhece as principais propostas dos seus candidatos nas Eleições de outubro?

Sim
Não

Participe e concorra a prêmios.

TV DomTotal

Concerto Musical: Bicentenário da Restauração
Mais

Publicações


Vol. 10 / Nº 19


CAPES: Qualis B1
Entre as melhores do Brasil