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Colunas José Adércio Leite Sampaio

13/10/2009  |  domtotal.com

Sobre Nerds, Mulheres e Sexo

Uma pesquisa recente confirma algo que os nerds só começam a entender com o passar do tempo (se entenderem). Quase sempre mofinos, raquíticos e feios, na escola, são rejeitados. Crescem e ganham dinheiro, alguma segurança e as mulheres que os enjeitaram na escola. Ou suas equivalentes remoçadas.

A atração sexual, pelo menos o impulso e aquela da adolescência docemente inconsequente (quase pleonasmo), é determinada por um padrão de comportamento adquirido, darwiniano, portanto. Os hormônios, expressão desse processo, dominam suas regras.

Quando as mulheres estão ovulando (será que as adolescentes estão sempre?), tendem a preferir as figuras masculinas que estão no arquétipo social dos machões, fortes e encrenqueiros, nada familiares. Tudo que indique, inconscientemente, vida saudável e genes capazes de vencer a luta pela sobrevivência. Querem a proteção da força e da genética.

No período que não se encontram a descarregar seus óvulos, esse ímpeto diminui e até muda de orientação. Tendem a ver a beleza escondida por detrás de óculos e dos ossos. A alma e o caráter, a inteligência e o conhecimento parecem indicar para esse cérebro bioquímico que seus titulares serão bons pais às crias que elas gerarem. Preferem então a proteção do carinho e da segurança.

Esse traço talvez explique a tormentoso conflito ancestral dos homens de que "a maternidade é certa, enquanto a paternidade é presunção". Ou na pilhéria desconsertante: "pai é quem cria ou registra". A dúvida gerou a divisão sexual do trabalho com mecanismos de controle da sexualidade feminina.

Entre outras razões, nobres ou de pura segurança da família e dos patrimônios, justifica os incisos I e II do artigo 1.597 do Código Civil brasileiro. E que tem reproduções na maioria dos sistemas jurídicos. Foi a forma achada pelos homens para compensar a submissão da mulher a seus próprios instintos.

A ciência pode mudar esse quadro. Pelos menos em parte. A filandesa Virpi Lummaa e a francesa Alexandra Alvergne publicaram as conclusões de sua pesquisa no artigo "Does the contraceptive pill alter mate choice in humans?" [A pílula contraceptiva altera a escolha de parceiro nos humanos?], que confirmam as transformações dos nerds e podem diminuir as desconfianças masculinas.

As pílulas anticoncepcionais, como impedem a ovulação, fazem com que a alma seja mais apreciada pelas mulheres do que os músculos. Para ser mais exato, a pesquisa também revela que os homens são mais atraídos pelas mulheres no período ovulatório que em outros dias do mês.

Podemos buscar nessa atitude masculina o instinto Don Juan que, entre poesias e carinhos, visa realmente a espalhar seus genes nas fêmeas que se encontram no ponto certo para a reprodução. A pílula, todavia, arrefece ou confunde seus ânimos. De duas uma. Passam a atirar para todos os lados ou monogamizam-se. As pesquisadoras não responderam ao dilema.

O estudo é interessante, mas é também reducionista. Será que as mulheres mudam efetivamente de companheiros com o passar dos dias do mês, como se fossem meros corpos biológicos? Achemos a pergunta reacionária, mas a cultura tem essa força de contenção.

Talvez as mulheres se sintam atraídas por outros parceiros ou parceiras, por determinismo biológico ou carências de afeto, mas há um padrão ético, resultante das leituras feitas da tensão psicológica e bioquímica pela cultura com todos os ingredientes de divisão do trabalho sexual, que as impedem de levar adiante o seu projeto. Pelas mesmas razões éticas e culturais, o casanovismo não é tão reprovado nos homens.

Como isso, entretanto, interfere no sequenciamento das operações hormonais ou é por elas moldado é algo ainda sem respostas convincentes para acalmar principalmente os ânimos masculinos. Eles sabem, alguns por experiência própria, que a pílula às vezes falha. As mulheres mais ainda. Entretanto, mais adaptadas, tocam as suas vidas.

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José Adércio Leite Sampaio é Jurista. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela UFMG. Procurador Regional da República. Professor da Escola Superior Dom Helder Câmara.






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