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Super Dom Entrevistas

03/06/2011

Mirian Goldemberg: amor, sexo e traição


Uma mulher, que acredita ser "100% heterossexual", conta que está vivendo uma relação extraconjugal com outra mulher, por não encontrar o que precisa e quer do marido: atenção, carinho, diálogo, intimidade física e emocional. E um homem, cansado das excessivas reclamações da esposa, ameaça queimar as gravatas em protesto contra a permanente insatisfação das mulheres. Estas são algumas histórias que a antropóloga Mirian Goldemberg, da Universidade Federal do Rio, conta ao jornalista Marco Lacerda.

Há vinte anos Mirian investiga a sexualidade brasileira. Com dezenas de livros publicados, ela já escreveu sobre amantes de homens casados, sobre mulheres emancipadas, desejos femininos e masculinos. Falou de homens cansados do próprio machismo e de mulheres que só descobriram o amor e o prazer depois dos 50 anos.

Mirian Goldemberg constatou também que muito do que os brasileiros falam sobre sexo e amor é pura balela, conversa de botequim. Chocada com tantas descobertas no campo da sexualidade ela chegou até a escrever um livro que leva o título “De perto ninguém é normal”. Será?

Na entrevista ao Dom Total, ela explica ainda porque a falta de homens no mercado tem levado as “coroas” a avançarem na garotada e porque a atriz Leila Diniz se tornou símbolo da mulher revolucionária no Brasil. Conta como os amantes tornam-se cada vez mais uma alternativa para maridos infiéis e fala sobre a solidão cada vez maior das mulheres. E mais: a obsessão de homens e mulheres com os próprios corpos e a postura de vítima da mulher mesmo quando trai o homem.

Para conferir a entrevista completa, clique no áudio acima. Abaixo, alguns trechos.


Marco Lacerda: Se digitamos o nome Mirian Goldenberg no Google, aparecem 860 mil resultados em questão de segundos. A que se deve tanta popularidade?

Mirian Goldemberg: Acredito ser devido à minha produção acadêmica e também pelo fato de escrever para jornais. Assinei uma coluna regular para o Jornal do Brasil, agora escrevo para a Folha de São Paulo. Sou muito procurada para falar sobre os meus temas em TV, rádios e revistas, dou muitas palestras.

O meu objetivo é divulgar as pesquisas que faço para além do muro da universidade brasileira. Acho que é trabalho do professor e cientista fazer com que a população aprenda um pouco (compreenda melhor a nossa cultura) a partir de suas pesquisas.

Tenho feito isso há 22 anos: trabalho e produzo muito, tenho 17 livros publicados, o que faz com que o meu trabalho seja conhecido não apenas dentro do mundo acadêmico, mas também por essas pessoas que querem aprender um pouco mais sobre o que é ser homem, ser mulher, envelhecimento, casamento, sexualidade, infidelidade, que são os temas que pesquiso nessa longa trajetória como antropóloga.


Marco Lacerda: Um de seus livros mais recentes, “Por que homens e mulheres traem”, é um mergulho profundo na infidelidade. O que te levou a investigar esse tema?

Mirian Goldemberg: Foi um acidente. Quando estava fazendo meu doutorado, em 1988, tive que produzir um trabalho final sobre mulheres no Brasil. E era um trabalho sobre mulheres que fugiam ao padrão tradicional “esposa e mãe”. Percebi, então, que existia uma figura na cultura brasileira que era muito pouco estudada - na verdade não conhecia nenhum trabalho sobre ela - que era “a outra”, a amante do homem casado. E achei muito interessante pesquisar essa mulher.

Fiz entrevistas em profundidade com elas, isso em 1990, entreguei o trabalho para o meu professor do doutorado e ele disse: “nossa Miriam, esse trabalho está muito bom. Você não quer publicar?” Respondi: “lógico que quero”. Publiquei em uma editora pequenininha e o livro fez tanto sucesso que, em menos de um ano, teve sete edições. Quer dizer, um livro de antropologia, que não tinha nenhuma pretensão de ser “best-seller”, se tornou um, e ficou várias semanas (diria meses) na lista dos mais vendidos. Chama-se “A outra”. (...)

Depois disso, não fiquei só na “outra”, fui entrevistar os homens casados que têm outras. Entrevistei também as mulheres que são infiéis. E isso se tornou uma obsessão minha: compreender a infidelidade masculina e feminina.


Marco Lacerda: Você não acha que o conceito de infidelidade mudou muito nos últimos anos?

Mirian Goldemberg: Mudou sim. Quando comecei a estudar, ainda existia aquela ideia de que o homem tinha certo privilégio na traição. Às vezes, o homem amava sua esposa e queria muito manter a família, mas tinha necessidade de ter outras mulheres, simplesmente por parte da natureza masculina.

Hoje as mulheres não aceitam esse tipo de desculpa, nem que seja o homem mais convincente do mundo. Elas querem relações mais igualitárias, podem se separar porque são mais independentes economicamente. Diria que hoje o principal valor das mulheres (e também dos homens) numa relação amorosa é a fidelidade.

Há 20 anos, eram: amor, respeito, família, filhos. Hoje é a fidelidade. Já que as pessoas podem se separar, já que são mais independentes, preferem viver uma relação com alguém que seja fiel. (...)


Marco Lacerda: A mulher sofre mais quando é traída?

Mirian Goldemberg: Os dois sofrem, mas são sofrimentos diferentes. A mulher sofre porque percebe que a fantasia que ela tinha de ser única, especial, insubstituível e complementar aquele homem de todas as formas é apenas uma fantasia. E ela quer muito isso. Assim como a mulher quer um parceiro único, ela quer acreditar que ela pode ser única. E ela sofre por isso, por perceber que não era tão especial assim.

Claro que o homem sofre subjetivamente: se ele ama aquela mulher, se sente profundamente traído e, muitas vezes, passa a não acreditar mais nas relações. Mas ele tem também um sofrimento social por assumir o papel do homem traído, que é corno, que não soube satisfazer de todas as formas a mulher que ele amava.

Então eu diria que o sofrimento da mulher é mais o fim de uma fantasia e do homem mais um sofrimento social. Mas os dois sofrem muito.


Marco Lacerda: Uma coisa que irrita muita mulher é essa conversa de que falta homem no mercado. Isso é verdade mesmo?

Mirian Goldemberg: Infelizmente é verdade. Existem fatores demográficos e fatores culturais que fazem com que os homens se tornem uma mercadoria escassa. Vou explicar: na cultura brasileira, o homem morre oito anos antes das mulheres. Já existe ai uma defasagem. O segundo fator é também cultural: o homem brasileiro escolhe para casar (em geral) mulheres mais jovens do que ele.

Então, no primeiro casamento, ele procura uma mulher três anos mais jovem, mas se ele se casa e ‘recasa’ e ‘recasa’, vai aumentando essa diferença de idade. Um homem de 50 procura uma mulher de 40, um homem de 60, uma mulher de 45. Ai começa a acontecer um problema.

Uma mulher de 30, em geral, não vai casar com um homem de 25. Ela procura um homem de 35, 40. Toda mulher de 40, está procurando um homem de 45. Só que um homem de 45 não quer a mulher de 40 (são poucos os que querem). Eles querem a mulher de 30.

Quanto mais velha a mulher fica, menos homens disponíveis existem no mercado de casamento. A única solução seria elas se casarem com homens mais jovens, mas são poucas que fazem essa escolha, porque elas têm medo. Lógico que elas casam com homens mais jovens, mas não muito mais jovens. Elas têm medo do preconceito social. (...)


Entrevista realizada pelo jornalista Marco Lacerda no programa Frente Verso, que vai ao ar aos domingos, às 21h, pela Rádio Inconfidência FM (100,9), de Belo Horizonte.

Comentários








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ZM6dje Yeah, it is clear now !... Just can not figure out how often do you update your blog?!...
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regina | 11/09/2011 18:37
Não tinha outro ASSUNTO?
responder comentário Responder regina







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Ronaldo | 07/06/2011 11:16
O que este imbecil escreveu aí. Não entendi nada!!
responder comentário Responder Ronaldo







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