Super Dom Entrevistas

08/10/2010

Eduardo Araújo: ele ainda é o ‘bom’


No começo de sua carreira, Eduardo Araújo era o cara. Ele era “o bom”. Entrava na Rua Augusta a 120 por hora, com suas botinhas sem meia, gritando para os brotinhos na calçada: “Pode vir quente que eu estou fervendo”. Eram os tempos da Jovem Guarda e ele bombava com o rock legítimo que lhe deu fama nacional. Mas não durou muito.

Logo Eduardo deixaria o movimento liderado por Roberto Carlos, levando mágoas, mas nada que não pudesse ser perdoado nem esquecido. Voltou para a fazenda no norte de Minas onde cresceu, e passou a se dedicar a outra grande paixão da sua vida: os cavalos, a vida no agreste e os rodeios.

Mas a música falou mais alto e Eduardo acabou fazendo de novo o caminho inverso, disposto a recuperar o espaço que fora dele um dia. Era um outro Eduardo Araújo. E se no passado ele era “o bom”, hoje ele está ótimo.

Eduardo Araújo é o convidado da semana no Dom Total. Na entrevista que concede ao jornalista Marco Lacerda, pontuada por alguns de seus maiores sucessos, ele conta como surgiu o codinome artístico “O Bom”, sobre sua participação na Jovem Guarda e sua relação com o Rei Roberto Carlos de quem nunca se considerou súdito. Critica o rock que é feito hoje no Brasil e fala sobre a perda da mulher Silvinha e sobre os seus 50 anos de carreira que serão comemorados em breve.

Confira abaixo trechos da entrevista e no áudio acima a entrevista completa.


Marco Lacerda: Que caminhos, Eduardo, te levaram à música?

Eduardo Araújo: Desde garotinho, os amigos do meu pai às vezes chegavam falando: “meu filho será isso. E o seu doutor, vai ser o quê?” E meu pai respondia: esse aqui só da pra cantor de rádio. Eu vivia com o cabo de vassoura cantando, fingindo que era um microfone.

A música me despertou muito cedo. Quando estudava no Colégio Batista, pedi a minha mãe para estudar acordeom. Depois que começou a onda de rock and roll, então vi que tinha que arrumar um violão para dependurar no pescoço e sair cantando. Troquei a “sanfona” pelo violão e guitarra.


Marco Lacerda: Nos anos 50 o lendário grupo Bill Halley e seus Cometas se apresentaram no Brasil e enlouqueceram a juventude. Qual foi o impacto daquele grupo de rock em você?

Eduardo Araújo: Eu era menor, devia ter uns 15 anos, e a censura estabelecida para o show foi de 18 anos. Sei que fiz uma ginástica incrível para entrar no Centro Cultural, em Belo Horizonte, consegui subir pelo teto e passei pelo forro do teatro.

O palco do teatro era vazado até em cima e pensei: “putz, vou descer dentro do palco”. Mas consegui sem que ninguém me visse, fui dando um jeitinho, de repente já estava dentro do palco e quando vi pulei para a platéia.

Então, fui o menor que na época conseguiu assistir o Bill Halley ao vivo. Depois ainda participei do concurso que ele faz no final, chamando o pessoal para dançar. Tinha uma amiga minha que já dançava, tinha mais de 18 anos, e nós ganhamos o concurso inclusive, uma loucura!


Marco Lacerda: Nessa época você teve a chance de dar uma escapada até o Rio e procurou o radialista Jair Taumaturgo que comandava o programa de maior audiência entre a juventude. O programa se chamava “Hoje é Dia de Rock”. Como foi o seu envolvimento nesse programa que até hoje está gravado na memória de qualquer fã de rock brasileiro?

Eduardo Araújo: Na verdade foi um pouquinho depois, já estava cantando rock e estudando no Colégio Afonso Celso. A minha carreira começava. O Aldair Pinto, da Rádio Inconfidência, tinha um programa chamado “Só para mulheres” e ele me apresentava como o Rei do Rock de Minas Gerais.

Um dia, quando minha família foi toda para Joaíma, onde tínhamos uma fazenda, eu fiquei para uma segunda época em Belo Horizonte. Ouvi, então, na rádio Mayrink Veiga, o “Hoje é Dia de Rock”. Pensei: “acho que vou dar um pulo até o Rio”.

Peguei o ônibus, fui bater lá no Jair Taumaturgo e me anunciei como o Rei do Rock de Minas, acho que isso fez com que ele me recebesse. (...) Ele me mandou subir, toquei uma música, e ele falou: “você vai se apresentar domingo no meu programa”.

Fiquei uma semana conhecendo o Rio, encontrei um primo que morava lá. No domingo, fiz o programa e foi um verdadeiro sucesso. Algo estrondoso, nem eu mesmo imaginava. E imediatamente duas gravadoras se interessaram pelo meu trabalho. (...)


Marco Lacerda: A certa altura você passou a ser conhecido como “O Bom”. De onde veio esse codinome artístico?

Eduardo Araújo: Veio de uma música, que foi a minha primeira composição junto com o Carlos Imperial. Isso foi bem na frente, já era contratado pela Odeon. Foi na época que a juventude começou a furar os bloqueios do preconceito e nós passamos a ser tocados em todas as programações de rádio (geralmente a gente só tocava em programas de rock).

A resistência foi melhorando na Mayrink Veiga, depois a Tupi. (...) A coisa foi ficando muito popular. Roberto Carlos gravou um disco chamado “Louco por você”, o primeiro trabalho jovem dele produzido por Carlos Imperial. Esse trabalho fez um sucesso maravilhoso, a mídia começou a tocar as músicas.

Nessa época, sai da Philips e fui para Odeon, onde fiz essa composição com o Carlos Imperial, chamada ‘O Bom’. Nem queria muito gravar porque considerava uma pretensão. O cara chega e fala que é ‘o bom’. Achava que poderia me prejudicar.

Mas o Imperial falou: “vamos fazer sim, você vai ver”. Gravamos e a música pegou, foi para as paradas de sucesso e ficou durante muito tempo em primeiro lugar. A minha carreira praticamente solidificou.


Entrevista realizada pelo jornalista Marco Lacerda no programa FrenteVerso, que vai ao ar aos domingos, às 21h, pela Rádio Inconfidência FM (100,9), de Belo Horizonte.

Comentários








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diola capelaro | 27/02/2011 00:26
nossa estou com saudades de ver voce cantando!! volta eduardoooooooooooooooooo bjos e
responder comentário Responder diola capelaro







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