Especiais Tsunami urbano
Os monstros de cimento e sua metástases
![]() |
Cesare De Seta, escritor e especialista em arquitetura contemporânea, não parece ser otimista diante do tsunami urbano em curso no planeta, onde hoje a metade da população já vive nas cidades. Leia a entrevista:
Professor, é possível prever uma inversão desta tendência?
Temo que não. A questão do viver continua parecendo mais fácil nas cidades. Apesar das condições de vida muitas vezes infernais, os grandes centros urbanos não deixarão de ser ímãs econômicos para aqueles que querem fugir da miséria. Esses assustadores impulsos migratórios são incontroláveis e estão criando metástases urbanas. É um fenômeno que deve ser absolutamente controlado.
Como?
É preciso criar sistemas capazes de acolher essas massas de cidadãos. Por exemplo, planejando uma rede de cidades-satélites, como fizeram os ingleses depois da Segunda Guerra Mundial. Graças à sua cultura de planning, adquirida com a experiência das new towns, eles criaram uma rede urbana que evitou transformar Londres em uma megalópoles sem limites.
E hoje não há exemplos promissores no mundo?
Infelizmente não. Há um total desinteresse por parte dos governos urbanos, onde, dentre outras coisas, a cultura do planejamento está geralmente ausente. Basta ver aquilo que ocorre em cidades como a Cidade do México e São Paulo, onde nenhuma instituição se preocupa em pensar no futuro.
Em Vancouver, lançaram um projeto de "densificação urbana" na convicção de que, com mais habitantes nas cidades, se reduzirão os deslocamentos de carro e, assim, as emissões de CO2. Isso pode funcionar, segundo o senhor?
Depende. Se o tráfego na cidade não for nem governado nem controlado, também por meio da criação de uma rede funcional de transportes, então tudo será inútil.
Quais são as consequências, em nível social, daquelas que o senhor chama de "metástases urbanas"?
Um exemplo dramático é o que ocorre em Paris, que é uma cidade bem governada, mas está circundada por um anel de miseráveis banlieues, onde a marginalização racial e econômica cria sofrimentos que periodicamente desembocam em desordens.
"As Vitrines" - Chico Buarque. Ouça o vídeo
“A arquitetura ainda me convoca com força”
Quando a cidade se torna espetáculo
Carro, uma invenção apocalíptica
Entre favelas e modernismos
Minha Casa, Minha Vida: a explosão habitacional
O mundo salvo pelas metrópoles do futuro





Comentários