Fato em Foco
Mussolini, um tirano movido por afrodisíacos
Para os parâmetros brasileiros, ele seria reprovado em qualquer teste para escolha do elenco de “Malhação”. Mas, por incrível que pareça, Benito Mussolini tornou-se um sex-symbol capaz de conquistar mulheres como se fosse uma estrela do rock. Segundo estimativas confiáveis, pelo menos 400 mulheres passaram por sua cama nos anos de poder. O sexo estava no centro da vida e do mito do “duce” e, com o auxílio de um afrodisíaco precursor do Viagra, oferecido por Adolf Hitler, ele se tornou um “latin lover” sem noção de limites.
As revelações estão no livro “Dux, uma biografia sexual de Mussolini”, do escritor italiano Roberto Olla. É a primeira vez que se traça um paralelo entre os acontecimentos políticos da 2ª Guerra Mundial e a vida sexual do ditador, que era um obscuro agitador político até lançar em Milão, em 1919, o Partido Nacional Fascista. Segundo o autor, é impossível compreender o mussolinismo sem conhecer seu comportamento sexual.
Busca compulsiva de sexo
Sua vida sempre foi uma caçada compulsiva de amantes, em parte por instinto, mas também pela determinação de construir ao seu redor uma aura capaz de reforçar seu carisma de líder. Uma legião de mulheres desfilam pelo libro de Olla, entre elas a jornalista francesa Madeleine Coraboeuf, da revista Liberty, que revela pormenores eróticos capazes de ruborizar Salomé.
Ocupa lugar de destaque no harém mussoliniano aquela foi foi sua amante oficial, Clara Petacci, uma jovem italiana de 28 anos. Para garantir sua proeminência sobre as demais mulheres do ditador, Clara lhe proporcionava uma pílula afrodisíaca conhecida como Hormovin, responsável por manter o alto padrão de virilidade pela qual Mussolini gostava de ser reconhecido. A droga era proveniente de um laboratório alemão chefiado pelo pai de Clara, Francesco Petacci, ex-médico do papa Pio XII. No final dos seus 23 anos à frente do poder, o duce era totalmente dependente da pílula procedente da Alemanha, de onde vinham também as idéias nazistas que lhe inspiraram algumas das leis racistas mais vergonhosas de que se tem noticia.
Invejado pelos italianos
O poder de Benito Mussolini sempre se baseou no mito por ele criado, graças ao qual, como conta Roberto Olla em seu livro, o ditador instaurou um regime que girava ao redor de sua pessoa. Causava espanto na época a revoada de garotas com trânsito nos círculos do poder fascista e direito de se aproximar fácilmente do chefe do governo. A explicação de Olla é que “Mussolini era um homem solitário e em sua solidão poderosa nada nem ninguém era capaz de colocar-lhe freíos”.
Uma vez criado o mito, a vida sexual do duce passou a ser bem vista pelos italianos. “Não só fazia parte do mito como era invejada. Era considerada a faceta mais simpática do todo-poderoso, que dispunha até de um escritório com uma equipe encarregada de selecionar as cartas de suas admiradoras e escolher as que seriam chamadas para ‘audiências’ privadas”, diz Roberto Olla.
O resto da história é de domínio público. Em abril de 1945 Mussolini foi enforcado pelos antifascistas e pendurado de cabeça para baixo, ao lado de Clara Petacci, num posto de gasolina não muito longe do local, onde, 26 anos antes, lançara o movimento fascista. Uma multidão possuída pela fúria amarrou com arame farpado os cadáveres do casal, pendurou-os num poste e em seguida pisoteou-os a ponto de torná-los irreconhecíveis.
Mussolini: vida e morte. Veja o vídeo:
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