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09/06/2017 | domtotal.com

'Filosofia da Natureza e Direito Ambiental' em debate na Dom Helder

Professor José Carlos Aguiar de Souza ministrou a conferência "Evolução epistêmica e crise ecológica".

Dom Helder promove seminário “Filosofia da Natureza e Direito Ambiental”
Dom Helder promove seminário “Filosofia da Natureza e Direito Ambiental” Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
O grupo de iniciação científica “Filosofia, Direito e Meio Ambiente” pode conversar com o conferencista do seminário antes do evento.
O grupo de iniciação científica “Filosofia, Direito e Meio Ambiente” pode conversar com o conferencista do seminário antes do evento. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
O professor José Carlos Aguiar de Souza foi acolhido pelos professores da Dom Helder e membros do grupo de iniciação científica.
O professor José Carlos Aguiar de Souza foi acolhido pelos professores da Dom Helder e membros do grupo de iniciação científica. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Matheus Resende, membro da Comissão de Estagiários da OAB esteve presente convidando os alunos da Dom Helder a se integrarem às atividades da entidade.
Matheus Resende, membro da Comissão de Estagiários da OAB esteve presente convidando os alunos da Dom Helder a se integrarem às atividades da entidade. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Alunos do grupo de iniciação Científica “Filosofia, Direito e Meio Ambiente” participam de conversa com professor José Carlos Aguiar de Souza antes do início do Seminário.
Alunos do grupo de iniciação Científica “Filosofia, Direito e Meio Ambiente” participam de conversa com professor José Carlos Aguiar de Souza antes do início do Seminário. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Seminário 'Filosofia da Natureza e Direito Ambiental' foi organizado pelo grupo de Iniciação Científica “Filosofia, Direito e Meio Ambiente”.
Seminário 'Filosofia da Natureza e Direito Ambiental' foi organizado pelo grupo de Iniciação Científica “Filosofia, Direito e Meio Ambiente”. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Auditório esteve cheio para a participação do seminário 'Filosofia da Natureza e Direito Ambiental'.
Auditório esteve cheio para a participação do seminário 'Filosofia da Natureza e Direito Ambiental'. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Os alunos Fagner Alexandrino da Silva e Sibeli Pereira da Silva Cotta apresentaram suas pesquisas no segundo momento do seminário.
Os alunos Fagner Alexandrino da Silva e Sibeli Pereira da Silva Cotta apresentaram suas pesquisas no segundo momento do seminário. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
O aluno Gabriel Ortiz apresentou sua pesquisa junto ao grupo de iniciação científica.
O aluno Gabriel Ortiz apresentou sua pesquisa junto ao grupo de iniciação científica. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Alunos do grupo de iniciação científica apresentaram seus trabalhos.
Alunos do grupo de iniciação científica apresentaram seus trabalhos. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Mesa foi composta por Matheus Resende, da comissão de estagiários da OAB; do palestrante, o professor José Carlos Aguiar de Souza; e dos professores da Dom Helder, coordenadores do grupo de iniciação científica, Émilien Vilas Boas Reis e Marcelo A. Rocha.
Mesa foi composta por Matheus Resende, da comissão de estagiários da OAB; do palestrante, o professor José Carlos Aguiar de Souza; e dos professores da Dom Helder, coordenadores do grupo de iniciação científica, Émilien Vilas Boas Reis e Marcelo A. Rocha. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
O professor Marcelo Antônio Rocha, coordenador do grupo de iniciação científica, expõe brevemente a temática do seminário e as problemáticas que encerra.
O professor Marcelo Antônio Rocha, coordenador do grupo de iniciação científica, expõe brevemente a temática do seminário e as problemáticas que encerra. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
O professor Émilien Vilas Boas Reis apresenta as atividades do grupo de pesquisa
O professor Émilien Vilas Boas Reis apresenta as atividades do grupo de pesquisa "Filosofia, Direito e Meio Ambiente", do qual é um dos coordenadores. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
O professor Émilien Vilas Boas Reis apresenta o livro
O professor Émilien Vilas Boas Reis apresenta o livro "Filosofia, Direito e Meio Ambiente: aproximações e fundamentos para uma nova ética ambiental", fruto dos trabalhos do grupo de iniciação científica. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
O conferencista, professor José Carlos Aguiar de Souza, desenvolveu o tema “Evolução epistêmica e crise ecológica”.
O conferencista, professor José Carlos Aguiar de Souza, desenvolveu o tema “Evolução epistêmica e crise ecológica”. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Grupo de iniciação científica, em parceria com a em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa da Dom Helder, organizou seminário que contou com a presença do professor José Carlos Aguiar de Souza.
Grupo de iniciação científica, em parceria com a em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa da Dom Helder, organizou seminário que contou com a presença do professor José Carlos Aguiar de Souza. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)
Alunos puderam participar com perguntas após a exposição do conferencista.
Alunos puderam participar com perguntas após a exposição do conferencista. Foto (Gilmar Pereira/ Dom Total)

Por Gilmar Pereira

“Filosofia da Natureza e Direito Ambiental” foi o tema do seminário organizado pelo grupo de iniciação científica “Filosofia, Direito e Meio Ambiente” que contou com a presença do professor José Carlos Aguiar de Souza, que ministrou a conferência “Evolução epistêmica e crise ecológica”. O evento foi realizado na tarde desta sexta-feira (9), no auditório da Dom Helder Escola de Direito.

O seminário foi coordenado pelos professores Émilien Vilas Boas Reis e Marcelo Antônio Rocha, líderes do grupo de iniciação científica ‘Filosofia, Direito e Meio Ambiente: aproximações e fundamentos para uma nova ética ambiental’, em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa. O tema em debate teve como motivo a comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Segundo o professor Marcelo, o objetivo da atividade foi “discutir fundamentos filosóficos e jurídicos que podem nos ajudar a construir uma nova consciência ecológica e uma ética que trate da relação do homem com a Terra, com os animais e com tudo o que nela vive”.

A aluna Sibeli Cota ressaltou que o grupo de pesquisa busca trazer para o graduando a necessidade de refletir sobre o meio ambiente e a crise ambiental. Para ela, “de nada adianta estudar o direito dogmático se a gente não conseguir, após a graduação, saber interpretá-lo e aplica-lo para a sociedade e para o próprio meio ambiente”. E completa, refletindo a relação entre Filosofia e Direito: “De nada adianta produzir leis, aprender o que é o dever ser, enquanto a gente não busca a compreensão acerca do ser”. Ela e outros alunos apresentaram, após a conferência principal, resultados de suas pesquisas. “No meu trabalho abordo o conceito de natureza em Aristóteles e estabeleço o paradoxo com a perspectiva do físico Marcelo Gleiser. Para um é a perfeição e para o outro a imperfeição”, explica Sibeli.

O evento

Na abertura do evento, o professor Marcelo Rocha discorreu brevemente, introduzindo ao tema do seminário. Em seguida, Matheus Resende, representante da Comissão de Estagiários da OAB, apresentou os trabalhos desse seguimento da entidade e explicou como os alunos podem se integrar às atividades. Por fim, antes da conferência principal, o professor Émilien falou sobre a importância da pesquisa acadêmica, apresentando a produção do grupo de iniciação científica.

O conferencista, professor José Carlos Aguiar de Souza é graduado em Filosofia pela PUC-RIO, mestre em Ciências da Religião (Katholieke Universitet Leuven), Mestre em Filosofia (Katholieke Universiteit Leuven) e Doutor em Filosofia pela UFMG. Atualmente é professor Adjunto PUC-Minas e do Instituto Santo Tomas de Aquino. Desenvolve pesquisa nas áreas de metafísica, filosofia da religião e psicologia da religião. Entre outras publicações, é autor do livro “Projeto da Modernidade: autonomia, secularização e novas perspectivas”.

O professor conversou com a reportagem do Dom Total sobre o tema de sua palestra “Evolução epistêmica e crise ecológica”.

A Conferência de Estocolmo, em 1972, vincula o direito ambiental aos direitos humanos. Disso se vislumbra o ser humano não mais como um indivíduo isolado. Qual ser humano se descortina nessa perspectiva ambientalista?

Eu tenho trabalhado com um conceito muito novo, que é a bionarrativa. Até agora, desde o início da modernidade, a narrativa é a partir de nós, dos animais humanos que consideraram todo o restante, todos os outros, desde um processo de dominação e senhorio. Descartes define a razão humana como senhora e dominadora da natureza. Os animais não narram, as plantas não narram - somos nós quem narramos –, mas  elas têm todo um estilo e um processo de vida que têm de ser respeitados. Por isso, temos que começar a olhar a natureza e narrar a partir dos outros e não a partir de nós. Temos que tirar essa centralidade de que nós somos a espécie mais importante e de que tudo gira em torno de nós. A primeira questão é que temos uma narrativa que terminou gerando “poder e domínio” e agora temos que buscar um outro tipo de narrativa que não a partir de nós.

As cosmologias indígenas trazem essa leitura do homem como integrado à natureza. Evocando aqui Boaventura de Souza Santos, como as epistemologias do Sul podem contribuir para esse tipo de leitura e narrativa?

Se você pensar as epistemologias oficiais, acho que muito pouco. Acho que temos que buscar uma espécie de reencantamento do mundo a partir das narrativas dos povos que estavam aqui antes de chegarem os povos europeus com essa mentalidade mercantilista, com essa mentalidade do valor, com essa mentalidade, posteriormente, científica, de senhorio e domínio. Mas é uma coisa muito difícil. Pense naquele general que falava sobre a barragem que estão construindo no Norte e que inundaria terras indígenas e que acabaria com todo um modo de viventes tradicionais. Ele dizia que o número de índios do Brasil não enche o Mineirão e se questionava: “Então vamos ficar preocupados com um grupo de índios?”. Precisamos criar um outro tipo de sensibilidade para começarmos a criar um novo ethos. Também um tipo de vida mais simples. Se cada um de nós não optarmos agora por e começarmos a pensar que não precisamos de tantos bens e tantas coisas para nos realizarmos e sermos felizes, estaremos numa espécie de grande encruzilhada. Isso implica outro tipo de vida. A Terra não tem recursos para o padrão de vida da classe média americana.

O tema do seminário versa sobre a epistemologia para a crise ecológica.  Mas, a própria epistemologia não está em crise, dado que na “pós-modernidade”, por exemplo, a perspectiva de tempo e espaço muda, as narrativas são fragmentadas etc.?

Não existe mais uma epistemologia última ou marco zero do conhecimento. Todo conhecimento, toda epistemologia parte de alguns pressupostos. Quem sabe - tomando aqui os jogos de linguagem, de Wittgenstein – a gente consiga, no fundo, escutar vozes outras à essa epistemologia? E se a gente conseguisse isso filosoficamente? William Desmond usa um termo muito curioso metaxologia, que vem do termo grego metaxu, que significa entre. Mostrando que a voz da epistemologia, a voz filosófica, todas as vozes são uma entre outras tantas vozes. A partir desse momento da gente aceitar a outra voz como uma parceira numa grande discussão pode ser que essa voz da epistemologia seja modificada.

EMGE

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