ESDHC

22/03/2019 | domtotal.com

Maior representatividade na política é desafio para mulheres no Brasil

A realidade é pior quando se trata de mulheres negras.

Macaé Evaristo falou sobre a representatividade feminina na política e empoderamento.
Macaé Evaristo falou sobre a representatividade feminina na política e empoderamento. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professores Pedro Mattos, Macaé Evaristo e Kiwonghi Bizawu
Professores Pedro Mattos, Macaé Evaristo e Kiwonghi Bizawu Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
No evento foi realizado também o lançamento do livro ' Política e poder:  textura racial e condição humana.
No evento foi realizado também o lançamento do livro ' Política e poder: textura racial e condição humana. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
O seminário foi realizado na tarde dessa quarta-feira na Escola
O seminário foi realizado na tarde dessa quarta-feira na Escola Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professores Camila Martins, Adriana Camatta, Macaé Evaristo, Pedro Mattos, e Kiwonghi Bizawu
Professores Camila Martins, Adriana Camatta, Macaé Evaristo, Pedro Mattos, e Kiwonghi Bizawu Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
No evento foi realizado também o lançamento do livro' África dialogando com o Brasil das Minas Gerais'
No evento foi realizado também o lançamento do livro' África dialogando com o Brasil das Minas Gerais' Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
O professor Kiwonghi Bizawu fez a abertura do seminário
O professor Kiwonghi Bizawu fez a abertura do seminário Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Macaé Evaristo falou sobre a representatividade feminina na política e empoderamento.
Macaé Evaristo falou sobre a representatividade feminina na política e empoderamento. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Macaé Evaristo falou sobre a representatividade feminina na política e empoderamento.
Macaé Evaristo falou sobre a representatividade feminina na política e empoderamento. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo
Auditório acompanha a palestra da ex-secretária de Educação, Macaé Evaristo Foto (Patrícia Almada / DomTotal)

Por Patrícia Almada
Repórter DomTotal

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017 apontam que a população brasileira é formada por 51,6% de mulheres, além de serem maioria também em escolas e no mercado de trabalho. Porém, na política, elas ainda lutam por mais espaço. No Senado, por exemplo, a representatividade é mínima. São 69 parlamentares homens e apenas 12 mulheres. Do total de 513 deputados federais, só 77 são mulheres. A realidade é pior quando se trata de mulheres negras.

A baixa representatividade das mulheres na política e o empoderamento feminino foram alguns dos temas debatidos durante seminário promovido pelo Afrodom, no auditório da Escola Superior Dom Helder Câmara, na última quarta-feira (20). Para falar sobre “Política e poder: empoderamento e liberdade da mulher na contemporaneidade” foi convidada a professora, assistente social e ex-secretária estadual de Educação Macaé Evaristo.

Para Macaé, a representatividade feminina na política é um problema histórico e cultural. “Costumo dizer que as mulheres fazem política todo tempo. Quanto mais alta a esfera do poder, menor a representação das mulheres. E, no caso das mulheres negras, isso é mais grave”. De acordo com a professora, no Brasil, as negras possuem os piores indicadores no que diz respeito ao acesso ao mercado de trabalho, remuneração e indicadores ligados à saúde, o que é reproduzido no Executivo, Legislativo e Judiciário. “Fruto de uma estrutura do patriarcado, a mulher negra também sofre por essa estrutura racista da sociedade brasileira”, aponta.

Marielle Franco

A vereadora Marielle Franco foi citada por Macaé como exemplo de empoderamento na política que se ‘destacou pelas denúncias ao racismo estrutural produzido pelo Estado brasileiro’.

Socióloga feminista e defensora dos direitos humanos, Marielle foi executada com três tiros na cabeça e um no pescoço, no dia 14 de março de 2018, junto com seu motorista Anderson Pedro Mathias Gomes. Os suspeitos do crime foram presos somente neste mês, dias antes de o crime completar um ano. E uma pergunta ainda está resposta: Quem mandou matar Marielle?

Para Macaé, “Marielle foi morta, principalmente, porque denunciou esquema das milícias e o genocídio da juventude negra por áreas ligadas, muitas vezes, à própria estrutura do Estado. Isso precisa ser esclarecido”. De acordo com Macaé, a morte da vereadora representa uma perda para a política em favor das mulheres, mas, ao mesmo tempo, diz que Marielle deixou uma “semente” multiplicadora de novas lideranças e cita as deputadas negras Andreia de Jesus, Heleninha e Áurea Carolina, além da veterana Benedita da Silva. “Mesmo considerando a sub-representação, acho que estamos em um movimento importante de fortalecimento de aliança das mulheres, em especial das mulheres negras, para ocupar estes espaços”, acredita.

Afrodom

Para Macaé, eventos na academia como o promovido pelo Afrodom, são importantes para aprofundar o debate. “No nosso país, durante boa parte da história da educação, silenciou-se alguns estudos sobre a África e sobre educação para as relações étnico-raciais”, critica. Ela lembra que a promulgação da Lei 10.639, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana, foi determinantes para o crescimento de núcleos de estudos afro-brasileiros e indígenas.

“Em 2003, tínhamos no Brasil apenas cinco centros de estudos. A partir da lei, começamos a ter mais espaços para financiamento e desenvolvimento dessas pesquisas, tanto no ensino fundamental e médio como no superior, da mesma forma como acontece com o Afrodom.”

Lançamentos

Dois livros que abordam política e África foram lançados durante o seminário: “Política e poder: textura racial e condição humana” e “África dialogando com o Brasil das Minas Gerais”, de Kiwonghi Bizawu, Pedro Matos, Lívia Soares e Adriana Camatta, da Dom Helder. Fizeram parte da mesa de debates os professores Kiwonghi Bizawu, Adriana Camatta, Pedro Matos e Camila Martins, que foi palestrante do segundo painel do evento.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas