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09/05/2016 | domtotal.com

Cientistas desenvolvem dispositivo de fotossíntese


Segundo Antônio Patrocínio, opção de energia estará disponível em uma década.
Segundo Antônio Patrocínio, opção de energia estará disponível em uma década. (Cleiton Borges)

Aproveitar a luz solar para o desenvolvimento de fontes alternativas para geração de eletricidade e combustíveis limpos. É o que pretende o projeto “Dispositivos nanoestruturados para conversão da energia solar” do Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O processo é semelhante ao que é realizado pelas plantas por meio da fotossíntese quando convertem água, gás carbônico – dióxido de carbono (CO2) – e a luz do Sol em fonte de energia.

Para conseguir desenvolver um dispositivo que gere essa fotossíntese artificial, são utilizados os conceitos da engenharia molecular e da nanotecnologia. A ideia é que essa conversão possa gerar combustíveis, como o hidrogênio e o metano, de forma limpa e renovável, contribuindo para a diminuição da dependência dos combustíveis fósseis e o acúmulo de poluentes atmosféricos, como o dióxido de carbono (CO2) – causador do efeito estufa.

O processo do estudo divide-se em quatro etapas. A primeira é absorver a luz solar. A segunda é gerar energia elétrica, como fazem as placas fotovoltaicas que são utilizadas em residências e em outros estabelecimentos. Já o terceiro passo consiste em utilizar os dispositivos criados para realizar a fotossíntese artificial para converter essa energia em combustíveis. Por fim, o que for gerado deve ser armazenado.

A ideia é que isso aconteça a longo prazo, pois os pesquisadores ainda estão na etapa de entender o mecanismo de conversão e as principais características que os materiais a serem utilizados devem possuir para se garantir eficiência e estabilidade. O principal desafio dessa fase é o desenvolvimento de compostos que possam funcionar como catalisadores para as reações de fotossíntese artificial.
“O intuito do desenvolvimento de um projeto como esse é criar alternativas para a diversificação da matriz energética. Além disso, na fotossíntese artificial, é possível produzir combustíveis limpos, como o hidrogênio, e reduzir o dióxido de carbono (CO2) causador do efeito estufa”, disse o professor de química da UFU que coordena o projeto, Antônio Otávio de Toledo Patrocínio.

Segundo ele, o projeto ainda deve demorar a ser utilizado em larga escala, já que a inserção dessa tecnologia no mercado depende de mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de envolver aspectos políticos e econômicos. “Acredito que, em uma década, a distribuição dessa energia poderá ser oferecida em grande escala”, afirmou Patrocínio.

O estudo tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Além do professor coordenador, estão envolvidos no projeto o também professor do Instituto de Química da UFU Antonio Eduardo da Hora Machado e cerca de 20 alunos dos cursos de graduação e pós-graduação em Química da Universidade de Uberlândia.

Força química 

Dispositivos para transformar a energia solar em eletricidade já estão disponíveis comercialmente, mas a eletricidade gerada precisa ser usada imediatamente. Do contrário, é necessário o uso de baterias para armazenar a energia, o que diminui a eficiência global do processo e aumenta os custos, segundo o professor de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) que coordena o projeto que pretende transformar energia solar em combustíveis limpos, Antônio Otávio de Toledo Patrocínio.

A proposta da fotossíntese artificial é usar a energia solar e armazená-la em forma de energia química, como a natureza faz. Sendo possível usá-la para converter substâncias abundantes na natureza como a água e o dióxido de carbono em hidrogênio, oxigênio, metano e outros compostos. Os cientistas esperam desenvolver uma célula fotoeletroquímica capaz de absorver a luz solar e armazenar a energia luminosa na forma de ligações químicas. Ou seja, combustíveis que podem ser facilmente armazenados e utilizados em diversas aplicações.


Correio de Uberlândia

EMGE

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