Religião

15/12/2016 | domtotal.com

O iceberg do egoísmo e do descaso

Menino Jesus entrou no mundo como uma criança frágil querendo desmanchar o iceberg do orgulho e do egoísmo, amparado pelo manto da ternura, da justiça e da paz.

O que o mundo propõe não deve ser causa de alegria. Alegria de verdade encontramos no Evangelho.
O que o mundo propõe não deve ser causa de alegria. Alegria de verdade encontramos no Evangelho. (Divulgação)

Por Geovani Saraiva*

Da misteriosa encarnação, compreendida aos olhos da fé, é que vem a inigualável energia para vencer e ultrapassar todas as barreiras que contrariam a vontade de Deus: a energia do amor. Neste tempo que antecede o Natal, estamos todos ansiosos pela chegada do Menino Jesus, tão pequeno na gruta de Belém, e que entrou no mundo como uma criança frágil, vivendo na sociedade de seu tempo, filho de Maria de Nazaré e do humilde carpinteiro José, querendo, evidentemente, desmanchar o iceberg do orgulho e do egoísmo, amparado pelo emblemático manto da ternura, da justiça e da paz. Misteriosamente, sem que as pessoas conseguissem identificar em toda a sua plenitude, Ele carregava consigo uma profunda impressão: a natureza divina – É o Verbo de Deus que se encarnou e veio se estabelecer entre nós[1].

No contexto da obra salvífica e redentora do nosso bom Deus, mistério a dominar e encantar a história da humanidade, somos convidados sempre mais a apreciar: “Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame bem alto, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor”[2]. O Cardeal Aloísio Lorscheider, no sentido profundamente belo quanto inefável, afirma, a partir do mistério da encarnação do Filho de Deus, de um modo encantador e ao mesmo tempo paradoxal, que “Jesus é a majestade divina despojada, aniquilada por nós, é também a nulidade humana, em certo sentido, divinizada. Vemos o nosso nada subir no trono de Deus, enquanto Deus desce às nossas manjedouras; e quem realiza esse prodígio de onipotência, de amor, de glorificação e de humilhação é Jesus”[3].

O que o mundo propõe não deve ser causa de alegria. Alegria de verdade encontramos no Evangelho como uma palavra de ordem: “Eis que eu anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo”[4]. E qual é mesmo a alegria no sentido mais profundo? “Encontramo-la no mistério da encarnação, no nascimento do Filho de Deus. A nós, cristãos, cabe exultar e, ao mesmo tempo, contemplar, associados aos anjos que povoaram os céus naquela noite memorável, no inexprimível e misterioso coro: “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.

O Papa Francisco alimenta no mais íntimo do íntimo, no convite do apóstolo Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor”. O Senhor está próximo! Não é uma alegria superficial ou puramente emotiva, nem sequer aquela mundana ou do consumismo, mas trata-se de uma verdadeira alegria, da qual somos chamados a redescobrir o sabor”[5], numa fervorosa súplica, em que cesse a falta de amor, a insensibilidade e a indiferença por um mundo mais inclusivo, segundo o desejo de Francisco. Assim seja!
 

[1] Cf. Jo 1, 14.

[2] Cf. Fl 2, 10-11.

[3] Diante de Deus com Dom Aloísio Lorscheider, o mistério de Cristo, p. 51.

[4] Cf. Lc 2, 10-11.

[5] Papa Francisco, na oração do Ângelus na Praça de São Pedro (11/12/2016).

*Geovani Saraiva é pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com.

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