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27/12/2016 | domtotal.com

Smart Tudo

É o insight que nos leva a conceitos como complexidade, correlação e interdependência.

Uma cidade inteligente é um lugar onde as redes e os serviços tradicionais se tornam mais eficientes.
Uma cidade inteligente é um lugar onde as redes e os serviços tradicionais se tornam mais eficientes. (Reprodução)

Por José Antônio de Sousa Neto*

A percepção cada vez mais global da interconexão de tudo que cerca o homem e mais ainda de que o homem é parte de tudo que o cerca traz em seu bojo um conjunto de percepções do significado essencial de muitas coisas. É o insight que nos leva a conceitos como complexidade, correlação e interdependência e ao mesmo tempo, em um mundo de recursos finitos e em grande medida em processos de exaustão, ao insight cada vez mais intuitivo de que a eficiência na gestão de recursos e processos está e estará cada vez mais como caminho crítico para nosso bem estar e até mesmo para a nossa sobrevivência como civilização.

Talvez, sem querer correr o risco de simplificar de forma imprudente o que deve ser respeitosamente reconhecido como complexo, uma palavra chave para tudo isso seja otimização. Basta olhar para os nossos smart phones e smart tablets e seus smart apps (aplicativos). Para o hardware buscamos a otimização eletrônica, a otimização da bateria, a otimização de matéria prima, entre tantas outras otimizações. Vejam que entre os aplicativos mais úteis como os de busca por alternativas de rota, de hotéis, de preços para uma infinidade de coisas a otimização está presente como pilar. É a evolução da engenharia, apoiada nas ciências e na matemática para o benefício da sociedade humana.

Para a maioria de nós conceitos como pesquisa operacional, programação dinâmica e algoritmos genéticos, que procuram imitar processos de seleção na própria natureza, podem parecer “mirabolancias” inalcançáveis. Somadas a uma coisa conhecida como Big Data que compila em ritmo exponencial todo tipo de dados e informações produzidos pelo homem parece coisa do outro mundo. Mas não é! São na verdade apenas coisas de um “novo” mundo! E não subestimem os nossos jovens e nossos estudantes de engenharia. Tudo isso é mais acessível e compreensível do que a maioria poderia imaginar em um primeiro momento, principalmente aos jovens, desde que não subestimem a si mesmos. E não deveriam, pois se o fizer vão perder o bonde da história.

E já ouviram falar de Smart Grid ou Rede Elétrica Inteligente? Pois ela é cada vez mais parte de nosso dia a dia e de nosso futuro. Basicamente estamos falando de uma rede elétrica que lança mão da Tecnologia da Informação para a implementação de uma série de medidas operacionais e de utilização de energia na busca pela otimização da eficiência e confiabilidade de todo o sistema elétrico do ponto de vista de sua sustentabilidade técnica, econômica, ambiental e social. Aqui falamos de Smart Meters (medidores inteligentes), Smart Appliances (por exemplo, eletrodomésticos inteligentes), eficiência energética e energias renováveis dentre tantas outras coisas.

A visão de casas que geram sua própria energia fotovoltaica e/ou eólica (através de miniturbinas) e devolvem à rede seu excesso de produção em vez de buscar através dela a energia tradicional já começa a ser uma realidade tangível. Vejam que energia é o motor de nossa civilização tal como a conhecemos hoje e certamente será o elemento central do progresso de qualquer sociedade que venhamos a construir daqui em diante.

Mas se estamos falando de “Smart Tudo” não podemos deixar também de falar de Smart Cities!

Em várias partes do mundo nós estamos vendo mais e mais exemplos de transformações sob a ótica do que convencionamos chamar de cidades inteligentes. Os principais setores "inteligentes" utilizados por essas cidades incluem transportes, energia, cuidados de saúde, água e resíduos. No contexto atual das mudanças econômicas, sociais, tecnológicas e de segurança causadas pela globalização e pelo processo de integração, cidades em todo o mundo enfrentam o desafio de combinar a competitividade e o desenvolvimento urbano sustentável simultaneamente.

Uma cidade inteligente é um lugar onde as redes e os serviços tradicionais se tornam mais eficientes (ou usando nossa terminologia são otimizadas) com o uso de tecnologias digitais e de telecomunicações, para o benefício de seus habitantes e empresas. O conceito de cidade inteligente vai além da utilização das Tecnologias da Informação e de Comunicações para uma melhor utilização dos recursos e menos emissões nocivas ao meio ambiente. Estamos falando também de redes inteligentes de transporte urbano (Smart Transportation Grids), sistemas de abastecimento de água melhorados e instalações de eliminação de resíduos além de formas mais eficientes de luz e refrigeração para os edifícios dentre outras coisas. E também engloba uma administração da cidade mais interativo e ágil e espaços públicos preservados e seguros.

Veja o leitor que estamos lidando antes de qualquer coisa e como temos deixado implícito ao longo deste breve texto com questões civilizatórias de uma maneira mais ampla e com os princípios e valores da Engenharia Sustentável (Sustainable Engineering) de uma forma mais direta. Mais importante ainda é a compreensão de que a Engenharia Sustentável é também, portanto e por excelência uma questão civilizatória. É, portanto, mais do que um Smart Concept (Conceito Inteligente) e assim o sendo só pode ser pensada e vivida levando em conta também o contexto das ciências humanas e das ciências sociais. Assim sendo Engenharia Sustentável só pode mesmo ser no final das contas e antes de tudo uma forma essencial de “Smart Engineering”! 

*José Antônio de Sousa Neto: Professor da Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). PhD em Accounting and Finance pela University of Birmingham no Reino Unido.

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