Economia

11/01/2017 | domtotal.com

IPCA sobe menos que o esperado em dezembro

Somente em dezembro o indicador avançou 0,30 por cento, nível mais baixo para o mês desde 2008 (0,28 por cento), depois de alta de 0,18 por cento em novembro.

O IPCA fechou o ano passado com alta de 6,29 por cento.
O IPCA fechou o ano passado com alta de 6,29 por cento. (Divulgação)

Por Camila Moreira e Pedro Fonseca

A inflação ao consumidor oficial do Brasil subiu um pouco menos que o esperado em dezembro e terminou 2016 dentro da meta do governo, favorecida pela crise econômica que assola o país, dando ao Banco Central mais espaço para o afrouxamento monetário em meio a expectativas de menor pressão sobre os preços neste ano.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano passado com alta de 6,29 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, voltando a ficar dentro da meta do governo - de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais - depois de ter estourado o objetivo em 2015.

Somente em dezembro o indicador avançou 0,30 por cento, nível mais baixo para o mês desde 2008 (0,28 por cento), depois de alta de 0,18 por cento em novembro.

Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de alta de 0,33 por cento sobre novembro, fechando 2016 com avanço de 6,34 por cento.

Para este ano, as projeções de economistas para a inflação se aproximam do centro da meta, também de 4,5 por cento pelo IPCA, mas com tolerância de 1,5 ponto percentual. Porém as expectativas para a recuperação da atividade vêm recuando, o que será decisivo para o comportamento do IPCA num cenário de perda de empregos, dificuldade de crédito e renda em queda.

"Devemos ver este ano os mesmos movimentos, mas numa intensidade menor de alta dos preços. Vamos continuar vendo os efeitos da recessão e aumento de desemprego, que devem pressionar a inflação especialmente de serviços, mas numa intensidade menor do que em 2016", disse o analista de inflação da consultoria Tendências, Marcio Milan.

Alimentação e bebidas

Em dezembro, o grupo Alimentação e bebidas foi o destaque na pressão de alta, segundo o IBGE, passando a subir 0,08 por cento no mês contra queda de 0,20 por cento em novembro. Na outra ponta, o grupo Habitação apresentou queda de 0,59 por cento nos preços, depois de subir 0,30 por cento em novembro na comparação mensal.

Segundo o IBGE, o principal impacto para baixo na inflação em dezembro (-0,13 p.p.) veio da energia elétrica, com queda de -3,70 por cento nos preços. Essa redução se deveu à volta da bandeira tarifária verde em 1º de dezembro, em substituição à amarela.

Em 2016, o principal impacto sobre a inflação também veio de Alimentação e Bebidas, com alta de 8,62 por cento contra 12,03 por cento em 2015, exercendo peso de 2,17 ponto percentual.

"Temos hoje vários países em desenvolvimento que aumentaram o consumo de alimentos, estão importando mais inclusive muito do Brasil. Além disso, o clima mais rigoroso tem provocado problemas nas lavouras, então os alimentos têm sido um elemento de pressão sobre o custo de vida", destacou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

O maior impacto individual do ano coube à alimentação fora de casa, com 0,63 ponto percentual depois de os preços terem subido 7,22 por cento.

Já a inflação de serviços, que vem sendo observada pelo BC e com o setor sofrendo os efeitos da demanda fraca, viu a alta desacelerar em 2016 a 6,50 por cento, contra 8,09 por cento em 2015. Só em dezembro, subiu 0,65 por cento, frente a 0,42 por cento de novembro.

"O desemprego foi aumentando, as pessoas foram perdendo emprego, o crédito permaneceu muito caro com as pessoas deixando de comprar por estar sem emprego. Com tudo isso vimos a demanda muito reprimida,", resumiu Eulina sobre o ano passado.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, tem reiterado que seu objetivo é o levar a inflação para o centro da meta em 2017 e, recentemente, afirmou que ela está declinando no Brasil e as expectativas estão bem ancoradas, abrindo espaço para afrouxamento monetário.

O BC começou a reduzir a Selic em outubro passado e, de lá para cá, fez dois cortes de 0,25 ponto percentual cada, para os atuais 13,75 por cento. Mas recebeu algumas críticas de que poderia ter sido mais ousado diante da forte recessão econômica.

Nesta noite, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC divulga a nova taxa básica de juros e a ampla expectativa é de que ela seja reduzida em 0,5 ponto percentual. Mas há, poucos na verdade, quem veja corte de 0,75 ponto.

Com o resultado da inflação em 2016 abaixo do teto da meta, aumentam as chances de intensificação do corte para 0,75 ponto, segundo especialistas, no encontro do Copom de fevereiro.

"Vamos aguardar o comunicado e a ata da reunião (de agora), mas é uma possibilidade sim (corte de 0,75 ponto em fevereiro) dado que a inflação vem surpreendendo positivamente e a atividade econômica infelizmente tem sido mais fraca do que se imaginava", afirmou o economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawall.


Reuters

EMGE

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