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08/02/2017 | domtotal.com

Coordenador de engenharia da EMGE analisa mudanças no Minha Casa, Minha Vida

Ministro do Trabalho prevê que as novas regras vão gerar cerca de 1 milhão de empregos.

José Antônio:  'não adianta você dizer que está construindo uma casa mais barata se a casa não durar'.
José Antônio: 'não adianta você dizer que está construindo uma casa mais barata se a casa não durar'. (Patrícia Almada / DomTotal)

Por Rômulo Ávila 
Réporter Dom Total 

A ampliação do Minha Casa, Minha Vida terá impacto significativo para a recuperação do setor da Construção Civil, mas é preciso enquadrar o programa habitacional no conceito de engenharia sustentável. A avaliação é do coordenador do curso de Engenharia Civil da EMGE, José Antônio de Sousa Neto.

As mudanças das faixas de renda do programa, o que permitirá a inclusão de famílias com renda bruta mensal de até R$ 9 mil, foram anunciadas pelo Governo Federal nessa terça-feira. O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, afirmou que as novas regras vão gerar cerca de 1 milhão de empregos diretos e indiretos no País. Somente neste ano, a meta é a contratação de 610 mil novas moradias.

“Sobre o ponto de vista macroeconômico, essas medidas são muito importantes e corretas, uma vez que o setor da Construção Civil e o setor de Infraestrutura como um todo, na sua extensa cadeia de valor, têm efeito multiplicador muito grande. Não só na geração de empregos como também na geração de riqueza”, analisou José Antônio.

Apesar da expectativa positiva, José Antônio faz um alerta sobre a qualidade das moradias do Minha Casa, Minha Vida. Levantamento do Ministério da Transparência referente à faixa 1 do programa mostrou que quase metade dos imóveis destinados ao público mais carente, construídos entre 2011 e 2014, apresentam algum problema ou incompatibilidade em relação ao projeto. Os principais são trincas e fissuras (30,8%), infiltração (29%), vazamentos (17,6%) e cobertura (12,3%). 

“Quando a gente avalia o Programa Minha Casa, Minha Vida fica evidente que ele foi extremamente mal conduzido”, critica. “A ideia é muito boa, mas o processo de contratação e de construção deve ser feito de forma criteriosa. Um dos problemas que considero uma tragédia para a engenharia brasileira nos últimos 15 anos é que as propostas técnicas desapareceram”, ressaltou.

O coordenador argumenta que grande parte das obras do Brasil, para não dizer a totalidade das obras contratadas pelos governos, é feita apenas pelo valor da proposta financeira, desconsiderando propostas técnicas qualificadas.

“No meu ponto de vista, trata-se de um erro gravíssimo. Em qualquer lugar sério, em qualquer economia séria leva-se em conta o melhor custo-benefício. Não adianta você construir a estrada mais barata se depois de seis meses ela esfarela e você tem de fazer novamente; não adianta você dizer que está construindo uma casa mais barata se a casa não durar. O processo de contratação é fundamental, a valorização da proposta técnica das empresas licitantes é fundamental. Se o processo for feito corretamente, é uma iniciativa (ampliar o programa) que pode trazer muitos bons frutos”, ponderou.

O conceito de engenharia sustentável é uma das principais bandeiras da EMGE, Conceito Máximo no MEC. “No final da contas, quando a gente observa o que foi feito até agora, certamente não podemos enquadrar o Programa Minha Casa, Minha Vida  em um conceito daquilo que seria engenharia sustentável”, concluiu José Antônio.

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Redação Dom Total

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