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14/03/2017 | domtotal.com

Quatro regras da vida

Nestas quatro regras há uma concepção de grandeza e de amor infinito.

O amor infinito e incondicional da Providência nos convida à co-criação.
O amor infinito e incondicional da Providência nos convida à co-criação. (Reprodução)

Por José Antônio de Sousa Neto*

Regra I:

. O livre arbítrio é o pilar fundamental da criação do homem por Deus.

Regra II:

. Ao homem tudo é permitido menos destruir.

Regra III:

. Tudo é sempre entre nós e Deus e nunca entre nós e as outras pessoas.

Regra IV

. Não existem outras regras a não serem as três primeiras.

Caríssimo leitor, isso pode parecer simples ou mesmo uma simplificação. Não é! Nestas quatro regras há uma concepção de grandeza e de amor infinito. Maravilhas para as quais provavelmente e dificilmente vamos encontrar palavras que lhes façam jus. As implicações são absolutamente extraordinárias.

Gostaria de começar pela quarta regra. Peço ao leitor desculpas pela ousadia de apresentá-la. Foi a única forma que encontrei para enfatizar na dimensão adequada a importância e a abrangência das três primeiras.

E já que estamos caminhando sem uma ordem específica, até porque todas são igualmente importantes, gostaria de prosseguir a partir da segunda regra. Gostaria de iniciar as reflexões sobre ela tendo como referência o Papa Emérito Bento XVI que como sempre nos apresenta sínteses magistrais e de grande profundidade e beleza. Ele nos propõe “reconhecer que o ambiente natural está cheio de chagas causadas pelo nosso comportamento irresponsável: o próprio ambiente social tem suas chagas. Mas fundamentalmente todas elas ficam a dever ao mesmo mal, isto é, a ideia de que não existem verdades indiscutíveis a guiar a nossa vida, pelo que a liberdade humana não tem limites. Esquece-se de que o homem não é apenas uma liberdade que se cria por si própria. O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e verdade, mas também natureza” (Discurso ao parlamento alemão em setembro de 2011).

É aqui, como já comentamos em textos anteriores, que se confunde liberdade com transgressão. É aqui onde se acredita que os fins justificam os meios. É aqui onde o egoísmo que é subjacente a todos os males humanos prevalece. É aqui onde a arrogância cega de almas profundamente equivocadas fruto, como toda arrogância, da mais profunda ignorância, prevalece.

O leitor já se deu conta neste ponto que a segunda regra é subjacente a todos os dez mandamentos entregues por Deus a Moisés? Que a segunda regra na verdade é uma regra de profundo alento e esperança e que explicitamente e muitas vezes implicitamente é transversal a todos os livros sagrados? Não é fácil, no entanto, cumpri-la e não devemos subestimar esta dificuldade. Em nossa ignorância, nosso egoísmo e falta de humildade frequentemente destruímos sem nos dar conta disso. É aqui onde se destroem pessoas, famílias, sociedades e países. É aqui onde se destrói o meio ambiente e o próprio planeta. A dificuldade de nossas sociedades de erradicar a pobreza é, por exemplo, e antes de tudo, uma forma básica de destruição.

Para continuar voltemos agora à primeira regra. Para mim sua grandeza transcende. O amor infinito e incondicional da Providência nos convida à co-criação. Neste ponto gostaria de fazer uma reflexão sobre os limites do bem e do mal. O mal só pode levar a destruição. No seu extremo só pode levar a um fim e um fim representa, portanto, um limite. O bem leva à criação, que implica em mais criação, em um processo virtuoso infinito que por ser infinito não tem limites. Não podemos comparar sob esta perspectiva o que tem limites com o que é infinito. Parece até coisa ligada às ciências exatas com cálculos e limites e na verdade não deixa de ser.

Aqui então chegamos à terceira regra. Tomo-a emprestada de Santa Teresa de Calcutá.  Vejam que ela está inexoravelmente ligada às duas primeiras. Muitas vezes na avalanche de fatos que nos atropelam no dia a dia nos perguntamos se de fato temos a oportunidade de escolha, de um livre arbítrio. Temos sim, mas na maior parte das vezes não entendemos isso muito bem. O verdadeiro livre arbítrio não é na verdade um controle sobre o mundo e sobre todos os fatos da vida, mas sim como reagimos a estes fatos e a este mundo. Diante dos desafios que nos são colocados temos o arbítrio de reagir pelo caminho do bem ou do mal. Prevalecer no bem quando tudo é bom é fácil. Prevalecer no bem diante do mal que na verdade é a ausência do bem é a única forma das almas serem verdadeiramente testadas. Nem de longe temos ainda a visão do todo. Na verdade não são as pessoas que nos testam. É sempre Deus que nos testa através das pessoas. E a cada uma delas restará o débito e o crédito do papel desempenhado através de seu livre arbítrio. E já sabemos pela segunda regra que em todas as situações podemos tudo menos destruir!

Neste ponto o leitor pode estar se perguntando: E o amor? Onde ele fica em tudo isso? O amor é essência da própria vida, verdadeira vida e, portanto, o único caminho para cumprir na sua totalidade a primeira, a segunda e a terceira regras. E não existe amor verdadeiro que não passe pelo próprio Criador. Em outras palavras tudo é permitido, mas apenas sob a égide do amor o livre arbítrio da primeira regra que permite o exercício da segunda regra, no único contexto verdadeiro que é o contexto da terceira regra, pode ser exercido em sua plenitude verdadeira. O contrário, grande parte de nós já percebeu pelo menos algumas vezes ao longo de nossas vidas, tem consequências duras e nunca nos levou ou levará a lugar nenhum, seja como indivíduos, seja como sociedade. Melhor escolher o infinito porque do fim não dá mesmo para a gente passar! Ah, uma boa notícia só para encerrar. Em função da própria segunda regra e da generosidade infinita da Providência nunca podemos chegar a um fim, mesmo que no contexto desta vida tantas vezes assim nos pareça. O fato é que, apesar de tudo, todos nós também estamos destinados ao infinito!

*José Antônio de Sousa Neto: Professor da Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). PhD em Accounting and Finance pela University of Birmingham no Reino Unido.

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