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08/03/2017 | domtotal.com

‘A gente era lixo também’, diz catadora em seminário do Afrodom

Geralda foi uma das palestrantes do seminário Autonomia e Protagonismo das Mulheres em um Mundo de Transformação.

Prof. Kiwonghi Bizawu abre seminário.
Prof. Kiwonghi Bizawu abre seminário. Foto (Gilmar Pereira)
Delegada Talita Martins abordou violência contra a mulher.
Delegada Talita Martins abordou violência contra a mulher. Foto (Gilmar Pereira)
Iara Felix Viana destacou o desafio de coordenar superintendência de ensino.
Iara Felix Viana destacou o desafio de coordenar superintendência de ensino. Foto (Gilmar Pereira)
Dona Geralda foi uma das palestrantes do seminário Autonomia e Protagonismo das Mulheres em um Mundo de Transformação.
Dona Geralda foi uma das palestrantes do seminário Autonomia e Protagonismo das Mulheres em um Mundo de Transformação.
Cristal Lopez abordou o desafio de ser mulher trans e negra.
Cristal Lopez abordou o desafio de ser mulher trans e negra. Foto (Gilmar Pereira)
Prof. Kiwonghi Bizawu, coordenador do grupo Afrodom, deu boas vindas e abriu o I Seminário do Dia Internacional da Mulher.
Prof. Kiwonghi Bizawu, coordenador do grupo Afrodom, deu boas vindas e abriu o I Seminário do Dia Internacional da Mulher. Foto (Gilmar Pereira)
Antes do seminário, prof. Kiwonghi acolhe as palestrantes.
Antes do seminário, prof. Kiwonghi acolhe as palestrantes. Foto (Gilmar Pereira)
Palestrantes e membros do Afrodom posam para foto antes da abertura do seminário.
Palestrantes e membros do Afrodom posam para foto antes da abertura do seminário. Foto (Gilmar Pereira)
A palestrante Iara Felix Viana veio acompanhada de Elzelina Doris dos Santos e Rosane Pires Viana.
A palestrante Iara Felix Viana veio acompanhada de Elzelina Doris dos Santos e Rosane Pires Viana. Foto (Gilmar Pereira)
Mesa teve mediação da profa. Adriana Camatta (segunda, da esquerda para direita).
Mesa teve mediação da profa. Adriana Camatta (segunda, da esquerda para direita). Foto (Gilmar Pereira)
I Seminário do Dia Internacional da Mulher teve como tema Autonomia e Protagonismo das Mulheres em um Mundo em Transformação.
I Seminário do Dia Internacional da Mulher teve como tema Autonomia e Protagonismo das Mulheres em um Mundo em Transformação. Foto (Gilmar Pereira)
Profa. Iara Felix desenvolveu o tema Politicas Publicas e Educação.
Profa. Iara Felix desenvolveu o tema Politicas Publicas e Educação. Foto (Gilmar Pereira)
Mulheres marcaram presença no público e na organização do I Seminário do Dia Internacional da Mulher.
Mulheres marcaram presença no público e na organização do I Seminário do Dia Internacional da Mulher. Foto (Gilmar Pereira)
A delegada Talita Martins ministrou a palestra Combate ao Feminicídio e Violência contra a Mulher
A delegada Talita Martins ministrou a palestra Combate ao Feminicídio e Violência contra a Mulher Foto (Gilmar Pereira)
Ao fim do primeiro bloco, Iara Felix e Talita Martins responderam a perguntas dos alunos.
Ao fim do primeiro bloco, Iara Felix e Talita Martins responderam a perguntas dos alunos. Foto (Gilmar Pereira)
I Seminário do Dia Internacional da Mulher contou com grande participação de alunos.
I Seminário do Dia Internacional da Mulher contou com grande participação de alunos. Foto (Gilmar Pereira)
Cristal Lopez desenvolveu a palestra A Transformação do Gênero.
Cristal Lopez desenvolveu a palestra A Transformação do Gênero. Foto (Gilmar Pereira)
: Maria das Graças Marçal, conhecida como Dona Geralda, fez a palestra Empreendedorismo e Desenvolvimento Sustentável.
: Maria das Graças Marçal, conhecida como Dona Geralda, fez a palestra Empreendedorismo e Desenvolvimento Sustentável. Foto (Gilmar Pereira)
Hellem e Larissa, membros do Afrodom, durante breve pausa nos trabalhos do seminário.
Hellem e Larissa, membros do Afrodom, durante breve pausa nos trabalhos do seminário. Foto (Gilmar Pereira)
Alunos fizeram perguntas ao final de cada bloco.
Alunos fizeram perguntas ao final de cada bloco. Foto (Gilmar Pereira)

Por Rômulo Ávila 
Repórter Dom Total

Quando começou a catar papel pelas ruas de Belo Horizonte no ano de 1959, Maria das Graças Marçal, ou simplesmente Dona Geralda, tinha apenas um objetivo: ajudar a mãe a colocar comida em casa. Pobre e sem estudo, ela não imaginava que décadas depois seu trabalho de catadora de papel se transformaria em referência mundial, reconhecido pela Unesco. “Estive em Washington-EUA, para falar ao Banco Mundial sobre associação”, conta.

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Dona Geralda foi uma das palestrantes do seminário Autonomia e Protagonismo das Mulheres em um Mundo de Transformação, promovido pelo Centro de Estudos Afro Brasileiros da Dom Helder (Afrodom), nesta quarta-feira, Dia Internacional da Mulher. Uma das fundadoras da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare), ele conta que a questão ambiental ajudou a mudar a forma que a sociedade enxergava os catadores.

“Quando descobriram que o lixo era rentável e perceberam as questões do meio ambiente, nos descobriram também. Até isso, éramos tratados igual lixo, a gente era lixo também”, relata Dona Geralda, que tem 66 anos. “Ninguém falava em meio ambiente”, lembrou Geralda, que puxava carrinho com mil quilos. 

O seminário, realizado pela Dom Helder Escola de Direito, contou com palestras da delegada Talita Martins (foi representante da Polícia Civil no protocolo de atendimento as vítimas de violência sexual de 2011ª 2014); da superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da Secretaria de Educação de Minas, Iara Felix Viana;  e  de Cristal Lopez, transexual reconhecida pelo trabalho voltado para as causas LGBT Negras. 

“Primeiramente, queria agradecer ao nosso magnífico Reitor, Paulo Umberto,  por ter dado a oportunidade ao Afrodom de organizar o primeiro seminário do Dia Internacional da Mulher e, sobretudo, do evento entrar no calendário letivo da nossa Instituição.  Isso representa um marco importante, porque o Afradom quer trazer, perante o corpo discente e docente os debates pertinentes sobre desigualdade sociais, discriminação racial e, sobretudo, a discriminação contra as mulheres”, destacou o professor Kiwonghi Bizawu, coordenador do Afrodom.

Só a lei não resolve 

A delegada Talita Martins considera ‘fenomenal’ o avanço da legislação nos últimos anos, especialmente com o advento da Lei Maria da Penha. No entanto, avalia que somente as leis não são suficientes para acabar com a violência contra a mulher. 

“Não é um problema que o enrijecimento da lei consiga modificar . Vejo um problema histórico, de discriminação, de preconceito. E isso a gente não muda com lei”, frisou. “O autor que quer matar a ex-mulher não vai deixar de fazê-lo porque agora é homicídio qualificado e apena aumentou um pouco. Ele não vai pensar nisso”, garante. 

Para ela, a mudança está na educação e precisa começar nas escolas. Neste sentido, Talita elogiou a iniciativa da Dom Helder. “É de suma importância discutir essas questões na academia. São pessoas que amanhã vão praticar a lei e terão essa consciência”. 

Persistência 

Se a mulher já é vítima de preconceito e violência, imagine quando trata-se de uma transexual! Graduada em moda e bailarina, Cristal Lopez sonha em ser vista pela sociedade como uma mulher trabalhadora e que lutou pelos seus ideias e por um mundo melhor. Contudo, a realidade é bem diferente. 

“Ainda estamos lutando para ter o nome social, o nome que a gente se identifica, nos documentos. É uma luta para conseguir o reconhecimento”, diz Cristal, que não considera o 8 de março como dia também das mulheres trans. 

“É dia da mulher cisgênero, mas da mulher trans não. A mulher trans ainda não é considerada do gênero feminino. É uma luta contínua para sermos legitimadas como mulheres”, ressalta Cristal, que não vê diferença entre trans e travestis.

“A mulher travesti está na esquina se prostituindo. Já a mulher trans é um termo higienizado que arrumaram, mas para mim é a mesma coisa, não tem diferença”, ressalta Cristal, que se identifica na militância como travesti. 

Desafio 

Iara Felix Viana destacou o desafio de coordenar uma superintendência em um Estado com 3.668 escolas ocupadas em sua maioria por alunos (as) negros (as). “E o mais drástico: quando eu ia para os meus números de defasagem idade/série a maioria dos meus estudantes também era de negros e negras. Mais alarmante ainda é quando eu ia para as escolas do sistema prisional e  do sistema socioeducativo onde também os estudantes, em sua maioria, eram de negros e negras. Impossível negar esses dados, impossível virar as costas para isso e criar política pública única para um Estado que é tão diverso”, disse Iara, que fez um recorte étnico-racial  das políticas do governo de Minas.

Afrodom 

Iniciativa que busca promover e divulgar a cultura africana e seu impacto no processo evolutivo e de democratização da sociedade brasileira. Promove a difusão das realidades culturais, econômicas, jurídicas, políticas e socioambientais do continente africano, visando o resgate das relações históricas milenárias entre o Brasil e a África.

O Afrodom também desperta o interesse para pesquisa e especialização sobre as sociedades tradicionais africanas e suas transformações na era da globalização e da democracia participativa. 

*Com colaboração de Gilmar Pereira


Redação Dom Total

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