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19/03/2017 | domtotal.com

Nem Bryan Cranston salva 'Tinha Que Ser Ele?' do seu humor rasteiro


Cena do filme
Cena do filme "Tinha que ser ele?". (Divulgação)

Por Alysson Oliveira

Na primeira cena de “Tinha Que Ser Ele?”, o personagem de James Franco, Laird Mayhew, um jovem magnata criador de um aplicativo de celular, está numa conversa de vídeo com sua namorada, Stephanie (Zoey Deutch).

E comenta que, como eles não passam a noite juntos há três dias, ele está com o saco escrotal azul, quase preto. Na cena seguinte, quando a garota está numa videoconferência com a festa de aniversário do pai, Ned (Bryan Cranston), o rapaz entra na casa dela e começa a tirar a roupa, sendo que seu traseiro fica em evidência, projetado na tela do restaurante para todos verem.

Logo de cara, o filme de John Hamburg (“Quero Ficar com Polly”) deixa claro o tipo de humor com que trabalhará. É aquele rasteiro, que nem muito engraçado é, calcado em palavrões e alguma escatologia. A trama central tem a ver com o fato de que Ned conhecerá Laird e não gostará nada dele, e passará o tempo tentando impedir que ele peça sua filha em casamento. Se a trama se parece com “Entrando numa Fria” não é por acaso: o diretor e roteirista também é responsável pelo roteiro do outro filme.

Franco interpreta um milionário com a casa toda digitalizada, que receberá os pais de Stephanie – a mãe, Barb, é interpretada por Megan Mullally, a inesquecível Karen Walker, da série “Will & Grace”- e o irmão mais novo dela, Scotty (Griffin Gluck). Fora a linguagem baixaria, Laird não deixa de fazer comentários sobre a sua performance e a da namorada na cama – para desespero do pai super-protetor dela –, além de se mostrar narcisista, egocêntrico e irritantemente ingênuo.

O núcleo da comédia ancora-se na disputa entre o pai e o namorado por Stephanie. Há também uma diferença entre eles subjacente em todo o filme: Laird é o futuro, do qual não se poderá fugir, e Ned é um passado, que, aos poucos, deixa de existir. Ele tem uma gráfica que parece estar com os dias contados – ninguém imprime mais nada. Curiosamente, seu candidato a genro vive numa casa livre de papel – nem papel higiênico existe lá. Os vasos sanitários são do “tipo japonês”, com jatos de água e afins para fazer a higiene.

Cranston é um grande ator – basta vê-lo em “Trumbo – Lista Negra” ou na série “Breaking Bad”- e suas cenas com Megan são boas. Mas, mais cedo ou mais tarde, ele iria fazer um filme ruim (apesar de ele ser o que há de melhor aqui). A pergunta é: tinha que ser logo com James Franco?


Reuters

EMGE

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