Religião

20/04/2017 | domtotal.com

Evo convida os bispos para estudarem as mensagens do Papa 'pela vida e pela humanidade'

Interpretações distintas da posição do papa sobre o aborto são tema embate político entre Igreja e Governo bolivianos.

Posições assumidas pelo papa têm influenciado na política de diversos países.
Posições assumidas pelo papa têm influenciado na política de diversos países. (AP)

A inquisição, as represálias e a guilhotina. Essas são as ideias que Evo Morales coloca no seu discurso sobre a Igreja boliviana em pleno debate sobre o aborto no país. Esta mensagem contrasta absolutamente com a mensagem do papa Francisco.

Para o líder indígena, os bispos devem prestar mais atenção à teologia de Bergoglio, cumprindo com seu dever de “contribuir para o bem da vida”.

“Não quero lembrar o Tribunal da Santa Inquisição, não gostaria debater com eles outras represálias às que a humanidade estava submetida no passado, não quero debater o tema da guilhotina” afirmou Morales, ao se referir à exclusão da Igreja no debate numa comissão do Legislativo sobre a interrupção da gravidez.

A polêmica pelo aborto continua no país e nesta ocasião o presidente afirmou que alguns membros da Igreja Católica deveriam seguir as mensagens do Papa Francisco.

“Pelo menos a Igreja católica deveria seguir as mensagens do irmão Papa Francisco sobre os diversos temas importantes ao falarmos da vida, da justiça e da igualdade”, expressou Morales, sendo consultado sobre a exclusão dessa instituição no debate sobre a ampliação das causas para o aborto. A semana passada, a Conferência Episcopal Boliviana (CEB) denunciou mediante um comunicado sua exclusão por parte da Comissão Mista de Constituição do Legislativo do debate sobre o aborto e considerou esse fato como um ato de discriminação contra a imensa maioria da população boliviana em razão das suas ideias religiosas.

“A Igreja Católica, especialmente a hierarquia, deveriam melhor contribuir para o bem da vida. Não quero lembrar o Tribunal da Santa Inquisição, não gostaria debater com eles outras represálias às que a humanidade estava submetida no passado, não quero debater o tema da guilhotina. Lamento que alguns católicos não entendam essas mensagens pela vida e pela humanidade” insistiu o presidente boliviano.

Em março passado, o vice-presidente Álvaro García Linera pediu aos católicos, que rejeitam a ampliação das causas de aborto na Bolívia, refletirem a mensagem do Papa sobre este tema em debate e adequar suas crenças religiosas ao século XXI.

Em novembro de 2016, na carta apostólica Misericordia Et misera, o Papa concedeu a todos os sacerdotes a faculdade de absolver a todos os cristãos do pecado do aborto de maneira indefinida, sem negar o mal moral que representa.

Logo após, o secretário geral da Conferência Episcopal Boliviana (CEB), José Fuentes, manifestou que as declarações de García sobre o aborto só querem mostrar uma aparente divisão na Igreja e assegurou que a autoridade estadual tergiversou a mensagem de Francisco.

Por outro lado, nesta segunda-feira (17) se soube que o presidente de Paraguai, Horácio Cartes, anunciou sua decisão de desistir da sua tentativa de aprovar as reeleições presidenciais. Uma decisão celebrada pelo senador Juan Carlos Galaverna, quem indicou que, nesta deliberação, a posição do Vaticano foi de peso para a decisão.

Da mesma forma, susteve que perante este novo cenário, a Corte Suprema de Justiça tem absoluta liberdade para resolver “com decência” a ação de inconstitucionalidade apresentada nessa instância e “agora não têm desculpas de ter a pressão do executivo” apontou Galaverna.

O senador falou que não se deve descartar a possibilidade de Cartes se candidatar para o senado e não acha que ele sairá do cenário político.


Religión Digital

Tradução: Ramón Lara

EMGE

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