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26/05/2017 | domtotal.com

Direito da Paisagem: luta pela memória dos rios e a defesa da Serra do Gandarela

Seminário expõe a busca de sentidos pela preservação de patrimônios naturais na cidade e no meio rural como direito de todos.

Trabalho coordenado por Paulo Baptista revela a beleza da região da Serra do Gandarela e outras formações em Minas Gerais.
Trabalho coordenado por Paulo Baptista revela a beleza da região da Serra do Gandarela e outras formações em Minas Gerais. Foto (Wilson Baptista Junior/Divulgação)
Foto coletada por Borsagli mostra o córrego do Leitão, no cruzamento das ruas São Paulo e Guajajaras em 1928.
Foto coletada por Borsagli mostra o córrego do Leitão, no cruzamento das ruas São Paulo e Guajajaras em 1928.
Autor de quatro livros e com o quinto já engatilhado, o geógrafo Alessandro Borsagli apresentou pesquisa que mostra a evolução da gestão hídrica na capital mineira desde sua fundação
Autor de quatro livros e com o quinto já engatilhado, o geógrafo Alessandro Borsagli apresentou pesquisa que mostra a evolução da gestão hídrica na capital mineira desde sua fundação Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Artes Visuais, Paulo Baptista desenvolveu um modelo de mapeamento fotográfico da paisagem.
Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Artes Visuais, Paulo Baptista desenvolveu um modelo de mapeamento fotográfico da paisagem. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Seminário expõe a busca de sentidos pela preservação de patrimônios naturais na cidade e no meio rural como direito de todos.
Seminário expõe a busca de sentidos pela preservação de patrimônios naturais na cidade e no meio rural como direito de todos. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)

Por Thiago Ventura
Repórter DomTotal


Um trabalho que revela os ‘Rios invisíveis’ que cortam Belo Horizonte, mas foram sepultados em nome do progresso. O registro fotográfico de deslumbrantes serras mineiras, constantemente ameaçadas pelas mineradoras. Em comum, a defesa da paisagem como direito de toda sociedade. Esses temas foram debatidos pelo seminário ‘Paisagens e Perspectivas Tecnológicas’ realizado pela Dom Helder Escola de Direito nessa quarta-feira.

Autor de quatro livros e com o quinto já engatilhado, o geógrafo Alessandro Borsagli apresentou pesquisa que mostra a evolução da gestão hídrica na capital mineira desde sua fundação em 1897. Já o fotógrafo Paulo Baptista está a frente da Missão:Gandarela, sobre a serra localizada a 40 quilômetros de Belo Horizonte e recentemente transformada em parque nacional.

“O Direito de Paisagem é previsto em diversas legislações, como o Código Florestal, Código das Cidades e leis de proteção ao patrimônio. No entanto, o conceito do que é paisagem não é definido. Por isso é extremamente importante conhecer trabalhos de outras áreas do conhecimento que conferem sentido e legitimidade na defesa da paisagem na esfera do Direito”, explica a professora Maraluce Custódio, coordenadora do grupo de pesquisa Meio Ambiente, Paisagem e Energia (MAPE), que organizou o seminário.
 

Ribeirão Arrudas nos anos 1928 e em 2010 em arte sobre foto de Evandro Miranda.
Ribeirão Arrudas nos anos 1928 e em 2010 em arte sobre foto de Evandro Miranda

As interferências questionáveis do poder público na natureza em Belo Horizonte estão no centro do trabalho de Alessandro Borsagli, responsável pelo site Curral del Rey, que resgata a memória urbana e a discussão sobre as mudanças ocorridas no espaço e na paisagem. Um dos motivos da escolha da região para a nova capital foi justamente a ofertas de cursos d’água que garantiriam abastecimento para a cidade. Porém, ao longo dos anos, a natureza foi suprimida.

“Os córregos foram retificados e depois canalizados como forma de resolver o problema das enchentes e melhorar o saneamento. Mas, ao invés de solucionar, tal prática potencializou os danos”, comenta Borsagli, que é mestrando em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Em seu trabalho, o geógrafo utiliza fotos antigas para mostrar o desenvolvimento urbano e requalificação do espaço, além de apontar soluções para o tema.

Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Artes Visuais, Paulo Baptista desenvolveu um modelo de mapeamento fotográfico da paisagem. O pesquisador e professor de Fotografia na UFMG utiliza equipamento de grande formato com saída digital para registrar imagens em altíssima resolução. As fotos revelam a beleza região da Serra do Gandarela e outras formações em Minas Gerais.

O trabalho se soma ao projeto Missão: Gandarela, um coletivo artístico para proteger a última grande área ainda preservada do Quadrilátero Aquífero de Minas. Nesse exemplo, os trabalhos artísticos serviram como forma de divulgar a necessidade de proteger a região, vulnerável a um projeto de mineração. A pressão deu certo com a criação do Parque Nacional, apesar de que várias áreas com potencial turístico e ambiental ainda estão em risco.

“Falta a consideração da paisagem como direito de todos. Ainda estamos engatinhando nessa proteção. Por isso a necessidade de registrar e mostrar a mais pessoas lugares que podem ser devastados”, alerta Baptista.
 


Redação DomTotal

EMGE

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