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Religião

09/06/2017 | domtotal.com

Não ser pedra de tropeço para os pequeninos

Ou deixamos de fazer sofrer as crianças, ou é melhor que amarremos uma pedra de moinho ao pescoço.

Pessoas que maltratam crianças estão em todos os lugares. Na igreja inclusive, infelizmente.
Pessoas que maltratam crianças estão em todos os lugares. Na igreja inclusive, infelizmente. (Divulgação)

Teófilo da Silva*

A fala de Jesus é bastante dura, quando o assunto é o cuidado para com os pequenos. O contexto da fala de Jesus nos faz pensar tanto nas crianças, quanto nos pequenos que estão no início da caminhada de fé. Para aqueles que fizerem tropeçar esses pequenos, o conselho do Mestre: melhor amarrar uma pedra de moinho ao pescoço, e lançar-se ao mar (cf. Mt 18,6). Jesus diz isso, imediatamente depois de dizer que, no Reino, só entra quem for como uma criança e que, quem acolhe a uma delas, acolhe a ele próprio.

Esse texto é bastante iluminador, quando nos propomos a refletir sobre as violências praticadas contra as crianças. É bastante natural nossa sensação de horror, quando diante da notícia de uma criança maltratada. O maltrato contra alguém que possa se defender já é um escândalo. Quando esse alguém é um indefeso, expõe-se a crueldade à qual o ser humano pode ceder. Na lógica do Reino, isso é inaceitável. Por isso Jesus é tão incisivo no rechaço ao escândalo que se pode causar aos pequenos.

Pessoas que maltratam crianças estão em todos os lugares. Na igreja inclusive, infelizmente. Há muitas maneiras de maltrato e violência contra os menores. A violência sexual é uma das que mais chocam as pessoas, sobretudo quando praticadas por líderes religiosos. Esse não é um mal que parte apenas de presbíteros católicos, como se faz acreditar popularmente. Líderes de outras instituições religiosas também estão envolvidos nesse drama. Não se pode ignorar, também, o alto índice de violência, em todos os níveis, praticada pelos próprios familiares da criança.

Popularizou-se denominar toda violência sexual como pedofilia. Estritamente, não se pode tratar todas as formas de violência sexual praticada contra menores como sendo pedofilia. Pedofilia é uma doença, na qual homens, na maior parte dos casos, e mulheres se sentem atraídos por crianças que não atingiram a puberdade. Nem toda pessoa pedófila, necessariamente cometeu algum crime contra crianças. Há casos nos quais essas pessoas buscam tratamento, antes de cederem a seus impulsos. Apesar de avanços nos estudos a respeito da pedofilia, ainda não se tem clareza sobre suas causas nem a respeito de um tratamento plenamente eficaz.

Há, porém, violências sexuais praticadas contra menores que não são motivadas por pedofilia. Entre as quais, há, inclusive, um consenso por parte dos pais; relações incestuosas em relação a menores, tidas como normais nalguns cantos do país; o escandaloso caso de prostituição infantil... De toda forma, a violência contra as crianças é extremamente negativa e danosa, seja a motivada por doença, tal como a pedofilia, seja a motivada por outros fatores. Quando o assunto diz respeito a pessoas religiosas, então, isso ganha um contorno ainda mais triste.

A Igreja Católica, nesse contexto, desde o pontificado de Bento XVI, seguido pelo do Papa Francisco, tem dado passos no combate à pedofilia e ao abuso infantil nas fileiras eclesiais e eclesiásticas. Mas há muito o que avançar e com real urgência. Há muito ainda o que fazer, contra esses tristes e revoltantes casos. Mas não só na Igreja: em todos os cantos em que houver uma criança a padecer. Ou deixamos de fazer sofrer as crianças, ou é melhor que amarremos uma pedra de moinho ao pescoço. Palavras do próprio Jesus.

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*Teófilo da Silva é poeta e agente de pastoral.

EMGE

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