Religião

16/06/2017 | domtotal.com

Diversidade sexual: um olhar a partir de diferentes religiões

É preciso que as religiões busquem compreender a rica diversidade que diz respeito ao todo do humano, aqui incluso a sexualidade.

Afinal, elas têm um importante papel na legitimação ou rechaço a situações de variadas violências contra as pessoas LGBT's.
Afinal, elas têm um importante papel na legitimação ou rechaço a situações de variadas violências contra as pessoas LGBT's. (Divulgação)

Por Felipe Magalhães Francisco*

Em duas de nossas matérias especiais, tivemos a oportunidade de refletir a respeito da relação entre cristianismo e homossexualidade e sobre cristianismo e a discussão de gênero. Esses são temas candentes em nossa sociedade, pois dizem respeito à vida de pessoas, que acabam por se tornar vítimas do preconceito, da intolerância e do ódio. Às religiões, por cuidarem do humano quando se voltam para a divindade ou transcendência, é preciso buscar compreender a rica diversidade, que diz respeito ao todo do humano, aqui incluso a sexualidade. Nessa busca por compreensão é preciso, ainda, uma real consciência do papel desenvolvido por essas religiões na legitimação ou rechaço a situações de variadas violências contra pessoas LGBT’s.

O diálogo inter-religioso pode ser um grande aliado, nessa referida busca. Os sujeitos religiosos, vinculados a alguma tradição religiosa, têm muita a aprender com o olhar de outras tradições, sobre os mais variados temas. Hoje, nessa matéria especial, dedicamo-nos a ampliar a discussão sobre diversidade sexual para além do cristianismo. Do variado leque de religiões, optamos pautar o debate a partir de três: do Budismo, da Umbanda e do Hinduísmo na perspectiva advaita. A escuta atenta de outras perspectivas pode, sem sombra de dúvidas, agregar muitos valores à nossa própria vida religiosa e, por isso, em nosso processo de humanização e de proximidade com a divindade à qual depositamos nossa confiança.

O primeiro artigo, Reflexões sobre o Budismo e homossexualidade, do Ms. Gilmar Pereira, introduz a perspectiva budista, sinalizando a diferença com o pensamento cristão, no qual este é pautado pela chamada lei natural. Ignorando a questão jurídico-moral, o Budismo abre à possibilidade de compreensão do exercício da sexualidade, não a partir da dialética do certo ou errado, bom ou mau, mas da libertação pessoal: se as relações que os seres humanos estabelecem, sejam hetero ou homossexuais, contribuem ou não para o caminho de iluminação da pessoa.

O segundo artigo, Diversidade Sexual e Umbanda, do Drdo. Alexandre Frank Silva Kaitel, articula motivos sociológicos e teológicos, para mostrar o olhar da Umbanda a respeito da diversidade sexual. No artigo, o autor reflete sobre pontos chave da Umbanda, que favorecem uma melhor relação com a questão da sexualidade, em toda a diversidade que ela abarca. Questões religiosas se somam, na prática do exercício da fé, às questões político-sociais, na busca pela garantia de direitos que são fundamentais para todas as pessoas humanas.

O terceiro e último artigo, O amor a-dualista, da Msda. Rita Grassi, faz um recorte, na rica e diversa tradição hindu, abordando o tema da diversidade sexual, sob o ponto de vista do amor, na perspectiva advaita. No artigo, a autora assinala a importância da realização do mais essencial do ser pessoa, que não se confunde com aquilo que é transitório: cor, gênero e função social, por exemplo. O exercício de viver a própria natureza do ser pessoa, torna possível que isso se expresse de variadas formas, amando e materializando esse amor de modo que ele nos aproxime nosso verdadeiro ser.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015).

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