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18/06/2017 | domtotal.com

Festa do Orgulho Gay em São Paulo defende um Estado laico

Segundo dados da Agência Pública, a bancada evangélica é uma das mais poderosas na Câmara de Deputados em Brasília, com 197 parlamentares.

A Parada do Orgulho Gay toma as ruas da Avenida Paulista
A Parada do Orgulho Gay toma as ruas da Avenida Paulista (AFP)

Com o slogan "Independente de nossa crenças, nenhuma religião é lei. Todas e todos por um Estado Laico", a 21ª edição da concorrida Parada do Orgulho Gay de São Paulo tomou as ruas da cidade neste domingo.

O tradicional e popula desfile escolhe a defesa e a garantia de um Estado laico como tema central da festa.

"Nossos principais inimigos hoje são os fundamentalistas religiosos, grupos de pessoas dentro de algumas religiões que insistem em nos condenar e retirar direitos já adquiridos", explicou Cláudia Santos Garcia, diretora da associação que promove o defile no portal da organização.

Segundo dados da Agência Pública em 2016, a bancada evangélica é uma das mais poderosas na Câmara de Deputados em Brasília. Com 197 parlamentares, o grupo é o quinto em influência no Legislativo, enquanto que apenas 23 pessoas integram a frente pelos direitos humanos.

Segundo a Associação do Desfile do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo (Apoglbt SP), o fator religião incide de forma clara na tomada de decisões econômicas e políticas no Brasil.

"É uma grave ameaça à cidadania e à democracia constitucional brasileira o fato de integrantes dos Três Poderes, em qualquer nível, atuar tendo como guia seus valores religiosos, sem observância à cidadania, à pluralidade e aos direitos humanos", afirmou a ONG em um comunicado.

A luta por igualdade da comunidade LGBT rendeu frutos no Brasil. Cirurgias para mudança de sexo em hospitais públicos, adoção de crianças por casais formados por cônjuges de mesmo sexo, casamento civil, direito a benefícios por parte do parceiro e licença maternidade para os pais são algumas das conquistas obtidas nos últimos dez anos.

No entanto, os projetos de leis de identidade de gênero e para caracterizar a homofobia como um crime há anos esperam no Legislativo.

Segundo um relatório da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais, o Brasil ocupa o primeiro lugar em número de homicídios na comunidade LGBT na região, somando 340 mortes por homofobia em 2016.

"No Congresso Nacional, o debate sobre a criminalização da discriminação por orientação sexual e identidade de gênero é repleto de ataques de parlamentares da bancada religiosa conservadora, muitos dos quais envolvidos em crimes de corrupção. Seus argumentos? Alguns citam suas visões de fé, como se estivessem em lugares religiosos e não em uma instituição que deveria se orientar pela laicidade, portanto, pelo respeito à Constituição", destaca a Apoglbt SP.

Considerada uma das maiores festas do mundo em defesa dos direitos da comunidade LGBT, calcula-se que cerca de 3 milhões tomarão a Avenida Paulista, cenário tradicional da manifestação.

Colorido, atrevido e provocador, o desfile do orgulho gay movimenta milhões de reais em São Paulo.

Cálculos de edições anteriores indicam que quase a metade dos participantes são do interior do país que gastam, cada um em média, 1.500 reais durante a visita.

A manifestação esta ano também será marcada pela crise política que o país atravessa, com a exibição de cartazes pedindo "Fora Temer".

Figuras como Anitta, Naiara Azevedo e Daniela Mercury, bandeira do movimento desde que, em 2013, tornou público sua relação com uma jornalista, são os artistas mais esperados da programação da festa, que também conta com shows eventos culturais.


AFP

EMGE

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