Meio Ambiente

12/08/2017 | domtotal.com

A explosão da agricultura biológica na Europa

O consumo de produtos biológicos na UE foi de 28,3 bilhões de euros em 2015.

Os produtos biológicos vão de vento em popa na agricultura europeia.
Os produtos biológicos vão de vento em popa na agricultura europeia. (AFP)

Os produtos biológicos vão de vento em popa na agricultura europeia, ante consumidores que procuram cada vez mais alimentos saudáveis.

Entre os países do sul (com as maiores superfícies bio) e os do norte (os primeiros consumidores), e ante a pressão da grande distribuição, a agricultura europeia ecológica busca seu lugar no sistema agroalimentar mundial.

Este enfrenta o desafio de prover alimentos a mais de nove bilhões de pessoas em 2050.

O consumo bio na Europa

Segundo as estatísticas europeias mais recentes, de 2015, o consumo de produtos biológicos na União Europeia (UE) foi de 28,3 bilhões de euros naquele ano; 70% deste gasto procedia de quatro países: Alemanha, França, Itália e Reino Unido.

No entanto, os que mais compram esses produtos são os dinamarqueses (8,4% das suas compras), os austríacos (8%), e os suecos (7,7%), segundo dados do mesmo ano.

O primeiro mercado bio da Europa é a Alemanha, onde o gasto em produtos ecológicos quadruplicou em 15 anos, com 8,62 bilhões de euros de volume de negócios em 2015, o que supõe 5% de toda a alimentação consumida no país.

Mas na Alemanha, onde a grande maioria dos produtos ecológicos são vendidos em comércios de grande distribuição, o consumo bio se desenvolve mais rápido que a produção. Cada vez se importa mais: 80% dos seus tomates e 90% dos seus pimentões orgânicos procedem da Espanha e da Itália.

O mercado bio mais dinâmico na Europa é o da Suécia, que progrediu 38% em 2014 e 39% em 2015, chegando a 2,3 bilhões de euros.

Diferentes estudos realizados pelo Instituto Sueco de Pesquisa Ambiental contribuíram para o entusiasmo, ao insistir nas questões de saúde diante dos escândalos alimentares dos últimos anos.

Um deles demonstrava a diminuição dos resíduos de pesticidas na urina de uma família graças a uma dieta bio.

Em 2013, a restauração coletiva (escolas, hospitais, etc.) na Suécia empregava em média 23% dos produtos orgânicos (em valor).

As granjas bio na Europa

A superfície agrícola dedicada aos cultivos biológicos na UE aumentou 21% em cinco anos, até 11,1 milhões de hectares em 2015, contra nove milhões em 2010, segundo o escritório europeu de estatísticas Eurostat.

Todos os países da UE avançaram, exceto o Reino Unido (495.929 hectares bio, 29% a menos que em 2010) e Holanda (44.402 hectares bio, -4%).

Em 2015, quatro países concentravam cerca da metade (53%) das superfícies de cultivos bio europeias: Espanha, à frente dos 28 países com 1,96 milhão de hectares (21,9% mais que em 2010), seguida pela Itália, com 1,5 milhão de hectares (+34%), França, com 1,36 milhão (+61%) e Alemanha, com 1,06 milhão (+7%).

A Polônia, na quinta posição, contava com quase 600.000 hectares em 2015 (+11%), mas é considerada um país com um grande potencial de crescimento para a alimentação bio, segundo um relatório de abril de 2017 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Em toda a Europa restam grandes margens de avanço para a produção biológica. Em 2015, as superfícies dedicadas aos cultivos bio representavam apenas 6,2% do conjunto das terras agrícolas dos 28 Estados-membros da UE.

Segundo a Eurostat, os chamados países do norte, como Áustria, Suécia e Estônia são proporcionalmente os mais ecológicos, com mais de 15% das suas terras agrícolas dedicadas à produção bio em 2015 ou em "conversão para o bio", uma etapa intermediária durante a qual os agricultores mudam suas práticas progressivamente.

Em seguida aparecem a República Tcheca, Letônia e Itália, com mais de 10% de terrenos agrícolas dedicados aos produtos biológicos.

Na Itália, o país com o maior número de produtores bio (45.246), o setor se assemelha a uma indústria. As granjas de produção de ovos bio florescem no norte: em 2007 se abriu em Imola uma com 90.000 galinhas poedeiras e em 2017 em Sao Paolo outra com 250.000.

No entanto, é no leste da Europa e no Reino Unido onde estão as maiores explorações bio. Em 2013, a superfície média na Eslováquia era de 474 hectares, de 200 hectares no Reino Unido, de 178 hectares na República Tcheca e de 92 hectares na Estônia.

Em contraste, na Bélgica, Irlanda, Grécia, França, Itália, Chipre, Malta, Holanda, Áustria e Finlândia as superfícies eram, em média, inferiores a 50 hectares.

Cereais

Quanto à produção, Alemanha, Itália e Espanha contam com as maiores superfícies de cereais bio, com cerca de 200.000 hectares cada um.

No total, em 2015 em toda a UE havia mais de 1,7 milhão de hectares de cultivos ecológicos de cereais, 3% da superfície total de grãos.

Leguminosas

No que se refere às superfícies dedicadas às leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, etc), França, Espanha e Itália estão à frente com 68.000, 39.000 e 37.000 hectares, respectivamente.

Hortaliças

A Polônia é o primeiro país em questão de hortaliças bio, com 41.819 hectares cultivados, na frente da Itália (29.487 hectares) e França (16.832). Além disso, é o maior produtor de morangos bio na Europa, com 2.900 hectares em 2015.

Cítricos

A bacia do Mediterrâneo é líder em cítricos bio - laranjas e limões -, com a Itália à frente graças aos seus 31.869 hectares em 2015 (dos 42.000 da UE), seguida pela Espanha, com 8.245 hectares.

A Grécia, devido à crise, registrou uma redução das superfícies até 1.295 hectares em 2015, em comparação com os 1.909 hectares de 2010.

Azeitonas

A mesma coisa aconteceu com a Grécia com os cultivos de azeitonas bio, cuja superfície passou de 56.970 hectares em 2010 a 47.605 hectares em 2015.

Na Espanha (líder nesta categoria), as superfícies aumentaram até 197.000 hectares, em comparação com os 126.000 de 2010. Em seguida está a Itália, onde as oliveiras bio se estendiam em 2015 ao longo de 180.000 hectares, contra 140.700 em 2010.

Vinhedos, uvas e vinho

Os vinhedos bio da Europa estão dominados pelo trio Espanha, Itália e França, que também são os três primeiros produtores mundiais de vinho.

Embora as superfícies ecológicas ainda estejam longe das dos vinhedos convencionais, seu crescimento foi forte: +40,7% na Espanha entre 2010 e 2015, até 96.591 hectares (principalmente na região de Castilla-La Mancha); +37,5% na Itália, alcançando 83.643 hectares (sobretudo na Sicília); e +28,6% na França, com 70.496 hectares (em Languedoc-Roussillon).


AFP

EMGE

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