Religião

10/08/2017 | domtotal.com

Mundo dos desfigurados

Somos chamados ao maravilhoso exercício de uma experiência religiosa e cristã que, de verdade, insira-nos no seio da comunidade, desinstalando-nos e nos deixando livres.

Jesus revela a divindade, antecipando com esse gesto a sua glória, indicando-nos nossa glória futura.
Jesus revela a divindade, antecipando com esse gesto a sua glória, indicando-nos nossa glória futura. (Divulgação/ Pixabay)

Por Geovani Saraiva*

Jesus de Nazaré, quando na Montanha Sagrada manifestou aos seus amigos todo o seu esplendor, quer dizer que não falte uma coisa a nós: a alegria, mística de quem sabe ter um coração grande e solidário perante a dor e a angústia dos desfigurados, dos empobrecidos e dos maltratados pela sociedade. Ele revela a divindade, antecipando com esse gesto a sua glória, indicando-nos nossa glória futura. Vemos Pedro, Tiago e João deslumbrados, querendo perpetuar essa alegria pela permanência do Bom Senhor sempre com eles naquele lugar sagrado. Daí a proposta: "Vamos construir três tendas, porque aqui é bom demais e a nossa vida será ininterruptamente fascinante e maravilhosa" (cf. Lc 9, 33).

Tenhamos a certeza de que a esperança nos é oferecida pelo Filho de Deus ao se transfigurar na Montanha Sagrada, como nos diz o Papa Francisco, nos convidando a encontrá-lo: "Seremos um sinal concreto do amor vivificante de Deus por todos os nossos irmãos, especialmente por quem sofre, por aqueles que se encontram na solidão e no abandono, pelos enfermos e pela multidão de homens e mulheres em diversas partes do mundo, humilhados pela injustiça, pela prepotência e pela violência".

Quanta clareza na mensagem de Jesus, dizendo-nos que somos chamados ao maravilhoso exercício! Mas qual exercício? O de uma experiência religiosa e cristã que, de verdade, insira-nos no seio da comunidade, desinstalando-nos e nos deixando livres, longe do isolamento, tendo presentes os necessitados e os desfigurados de toda sorte. Que o tema da Transfiguração do Senhor nos faça compreender, sempre e cada vez mais, o sentido da Páscoa eterna, na certeza de que, a partir do inefável mistério mencionado, experimentemos pela fé a certeza da eterna transfiguração.

A voz do céu que ressoa dizendo: "Eis o meu Filho amado" é para que O ouçamos com fidelidade e O encontremos em sua palavra, no seu corpo e sangue, sem nunca nos afastar da realidade dura dos desfigurados. É pela força vivificadora de sua palavra e de seu corpo e sangue que vamos andar na "sonhada esperança" de sermos semelhantes a Ele, quando se manifestar em sua glória. Amém!

*Geovani Saraiva é pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com.

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