Mundo

12/08/2017 | domtotal.com

América Latina repudia ameaça de Trump de atacar Venezuela com força militar

Países latinos condenaram a postura do presidente dos EUA que disse não destacar 'opção militar' contra Maduro.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que o país sul-americano se encontra afundada em uma 'bagunça muito perigosa'.
O presidente dos Estados Unidos afirmou que o país sul-americano se encontra afundada em uma 'bagunça muito perigosa'. (AFP)

CARACAS/LIMA - Depois de atacar durante meses o impopular presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a América Latina se posicionou fortemente contra ameaças norte-americanas de ação militar contra o país em dificuldades.

Os comentários surpreendentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feitos na sexta-feira (11), podem dar ao líder de esquerda impulso regional.

Após o comentário de Trump de que a intervenção militar na Venezuela era uma opção, os críticos de Maduro estão presos entre apoiar a ideia de invasão estrangeira da Venezuela ou apoiar um presidente que chamam de ditador.

A escalada surpreendente da resposta de Washington à crise da Venezuela ocorreu quando o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, está prestes a realizar uma viagem regional no domingo que o levará para a Colômbia, Argentina, Chile e Panamá.

O poderoso ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, criticou na sexta-feira as ameaças dos EUA, considerando-as "loucura", e o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, afirmou neste sábado que a Venezuela rejeitou ameaças "hostis", pedindo à América Latina que se unisse contra Washington.

Colômbia, Peru e México

Colômbia, Peru e México rechaçaram neste este sábado o uso da força na Venezuela diante da advertência do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de uma intervenção militar no país, em meio à crise política e econômica.

"Rejeitamos medidas militares e o uso da força no sistema internacional. Todas as medidas devem ser tomadas respeitando-se a soberania da Venezuela, através de soluções pacíficas", informou a chancelaria colombiana.

O governo do Peru, um dos mais fortes críticos ao regime de Maduro, também se manifestou contrariamente à opção militar e reiterou que o diálogo é a única via para recuperar a democracia na Venezuela.

"O Peru rejeita qualquer ameaça ao uso da força não autorizado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas", afirmou o Ministério das Relações Exteriores peruano em comunicado que evitou mencionar os Estados Unidos.

Segundo uma fonte diplomática, o Peru quer deixar claro que percebe a declaração do presidente Trump como uma ameaça à paz e à segurança internacional.

O governo mexicano também rejeitou o uso da força nas relações internacionais.

"A crise na Venezuela não pode ser resolvida mediante ações militares, internas ou externas", escreveu o chanceler mexicano Luis Videgaray em sua conta do Twitter.

Em um comunicado da chancelaria, o governo mexicano expressou sua rejeição "ao uso ou ameaça de uso da força nas relações internacionais".

Mercosul

O países do Mercosul repudiaram a violência e qualquer uso da força contra a Venezuela, informou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil neste sábado, um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar o país sul-americano de intervenção militar.

"Os países do Mercosul consideram que os únicos instrumentos aceitáveis para a promoção da democracia são o diálogo e a diplomacia", trouxe a nota. "O repúdio à violência e a qualquer opção que envolva o uso da força é inarredável e constitui base fundamental do convívio democrático, tanto no plano interno como no das relações internacionais", acrescentou o ministério.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro lembrou ainda que a Venezuela já foi suspensa do Mercosul, em 5 de agosto, "em decorrência da constatação de que ocorreu uma grave ruptura da ordem democrática naquele país".

"Desde então, aumentaram a repressão, as detenções arbitrárias e o cerceamento das liberdades individuais. As medidas anunciadas pelo governo e pela assembleia nacional constituinte nos últimos dias reduzem ainda mais o espaço para o debate político e para a negociação".

Assim, reforçou que os países do bloco vão continuar insistindo para que a Venezuela "cumpra com os compromissos que assumiu, de forma livre e soberana, com a democracia como única forma de governo aceitável na região. O governo venezuelano não pode aspirar ao convívio normal com seus vizinhos na região enquanto não for restaurada a democracia no país".

A mesma nota foi publicada pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina também neste sábado.

LEIA TAMBÉM:


Reuters/AFP/DomTotal

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas