Meio Ambiente

14/09/2017 | domtotal.com

O que 'Os Simpsons' não previram do futuro do planeta

Futuras gerações dependem do combate ao aquecimento global para ter um mundo mais limpo para viver.

Episódio de 'Os Simpsons' de 2000 antecipou eleição de Trump para presidente dos EUA.
Episódio de 'Os Simpsons' de 2000 antecipou eleição de Trump para presidente dos EUA. (Reprodução)

Por Letícia Carvalho*

Os Simpsons é uma serie de animação mundialmente conhecida por tratar de maneira divertida o estilo de vida da classe média dos Estados Unidos. Durante seus mais de 600 episódios transmitidos desde 1989, ela vem chamando atenção também pelas previsões que foram feitas ao seu decorrer. Mas a previsão que deixou várias pessoas incrédulas foi, justamente, a vitória de Donald Trump como presidente da maior potência mundial atualmente.

Teoria da conspiração? Pacto com seres sobrenaturais? O diretor e o produtor são membros de sociedades secretas? Não sabemos. Fato é que o episodio foi ao ar em 2000, ou seja, 16 anos antes de qualquer suposição de que o empresário poderia ocupar este cargo.

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Essas antevisões do futuro fizeram o mundo das redes sociais se divertirem por um tempo? Sem dúvida nenhuma. Porém, existe algo que a série não previu e que pode vir a ser razão de um impacto brutal no clima mundial: a saída dos EUA do Acordo de Paris.

Este acordo foi um reconhecimento de vários países, inclusive do Brasil, sobre as consequências que as mudanças climáticas já estão causando e continuarão a causar nas próximas gerações se nada for feito. Portanto, tendo em vista essa ameaça urgente para a sociedade e para o planeta, o Acordo tem como objetivo principal a redução de emissões de gases poluentes de efeito estufa.

O ex-presidente dos EUA Barack Obama assumiu o compromisso na época de tentar reduzir entre 26% e 28% das emissões até o ano de 2025. Porém, o atual presidente Donald Trump, retirou os EUA do acordo. Com isso, especialistas da Rhodium Group afirmam que os EUA conseguirão, no máximo, uma redução de apenas 14% da emissão, o que é péssimo se levarmos em conta que eles são, depois da China, o maior poluidor do mundo. Completando os dados, os especialistas da Associated Press sugerem que a cada ano podemos ter até 3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono a mais na atmosfera, isso levando em conta que todos os países podem aquecer 0,3 graus centigrados até o final do século.

É Simpsons... Isso vocês não previram mesmo.

Como argumento fundamental para a sua saída, Trump afirmou que o Acordo era desfavorável à economia e aos trabalhadores americanos, já que boa parte de sua economia é provinda da indústria carvoeira, que foi diretamente afetada quando os EUA aderiram ao Acordo. Lado outro, essa fonte de energia sempre foi o grande alvo de criticas quanto ao seu impacto ambiental e mesmo os países subdesenvolvidos têm a evitado, optando por fontes mais limpas de combustível (o gás de xisto, por exemplo).

Mesmo Trump achando que fez um grande feito ao deixar para trás um esforço internacional de diplomacia importantíssimo, várias empresas americanas como Google, Apple e até mesmo companhias petrolíferas americanas, como Exxon Mobil e Conoco Phillips se posicionaram a favor do acordo global. O executivo-chefe da Exxon chegou a escrever uma carta pessoal a Trump tentando aconselhá-lo sobre sua decisão. Para ele, é importante que o presidente se mantivesse nas negociações justamente para que os EUA pudessem participar, influenciar e exercer seu papel de líder mundial. Já outras empresas como a BP, Total e Shell se colocaram a favor do imposto sobre o carbono que, resumidamente, seria uma forma de estimular a redução deste poluente mesmo após a retirada, além de reverter a taxa para a população.

Falando em população, não é novidade para ninguém que a maior parte dela está insatisfeita com o governo de Trump. Uma pesquisa publicada no dia 16 de maio pela empresa Public Policy Polling aponta que 48% dos americanos querem um processo de impeachment contra o presidente. E outra pesquisa feita pela CNN diz que seu governo atualmente tem reprovação de 54% dos americanos. Isso é consequência das declarações e decisões de Trump que destoam da imagem dos EUA que o ex-presidente Barack Obama conseguiu construir ao longo de seu mandato.

Para quem acha que os americanos amam viver em seu país, segue um dado curioso: durante os 100 primeiros dias de mandato de Trump, muitos americanos afirmaram ter planos para mudarem de país. O Google inclusive anunciou que no dia seguinte ao resultado das eleições, as buscas com a frase "mudar para o Canadá" foram bem mais altas do que em qualquer outro momento da história do site.

A saída dos EUA, entretanto, não será tão rápida. O art. 28 do Acordo dispõe que a qualquer momento, após três anos a partir da data em que o Acordo entrou em vigor para uma Parte, essa Parte pode retirar-se mediante notificação por escrito ao Depositário (Organização das Nações Unidas – ONU) e, além disso, afirma que a retirada somente produzirá efeitos após 1 ano do recebimento da notificação. Em outras palavras: mesmo se retirando agora, os EUA ainda terão que cumprir os compromissos assumidos até novembro de 2019 – quando será possível encaminhar a notificação – e esta, por sua vez, somente entrará em vigor em novembro de 2020 – justamente o ano no qual haverá novas eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Lado outro, os Estados americanos possuem uma autonomia maior do que os Estados brasileiros devido à configuração centrípeta do federalismo norte-americano. Enquanto nos EUA os Estados eram soberanos e aceitaram ser apenas autônomos para formar uma Federação, no Brasil os Estados precisaram obter certa autonomia para se juntar. Por esse motivo, os Estados americanos possuem certa margem de escolha frente à decisão de Trump. Assim sendo, pelo menos 14 dos 50 Estados americanos – como Califórnia, Virgínia e Minnesota – afirmaram que se manterão nas condições estabelecidas pelo Acordo assumido por Obama.

A corrida contra o aquecimento global não irá parar e nem pode. As futuras gerações dependem disto e também do bom-senso que a geração atual deve manter para que as próximas possam ter um mundo mais limpo para viver. Isso pode parecer um tanto romantizado e até ser clichê, mas é a realidade batendo em nossas portas, é o mundo pedindo socorro e – ainda bem! – a maior parte dos países respondendo positivamente. E para finalizar, deixo para o Trump um recado que Os Simpsons também não previram, mas que o Greenpeace já profetizou: “quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come”. Clichê ou não, that’s the real deal.

Letícia Carvalho é graduanda em Direito pela Dom Helder Escola de Direito

EMGE

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