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Religião

19/09/2017 | domtotal.com

Padre é censurado por pedir a líderes cristãos mais tolerância com LGBTs


Os blogueiros conservadores criticaram o livro do padre Martin e os convites para falar nas instituições católicas.
Os blogueiros conservadores criticaram o livro do padre Martin e os convites para falar nas instituições católicas. (America)

Um dos seminários católicos mais prestigiados da nação cancelou um convite para James Martin, SJ, o popular escritor e editor da America, que estava se preparando para falar sobre Jesus a um grupo de ex-alunos. O acontecimento teve lugar após a publicação pelo sacerdote de um livro que pede que os líderes da igreja sejam mais respeitosos com os católicos da comunidade LGBT.

Em um comunicado divulgado na sexta-feira (15), os representantes do Theological College, um seminário afiliado à Universidade Católica da América, disseram que convidaram o padre há mais de um ano e que ficaram "encantados que o padre Martin aceitasse se juntar à comunidade e compartilhasse sua sabedoria com seus ex-alunos".

Mas, devido ao "crescente feedback negativo em várias páginas das redes sociais", afirma a declaração, " foi tomada a decisão de retirar o convite do padre Martin".

O Seminário disse que sua decisão não era uma reflexão sobre os méritos das reivindicações contra o padre, mas foi feita "com a intenção de evitar distrações e controvérsias" na celebração do centenário da escola.

O Colégio Teológico disse, originalmente, que a decisão foi tomada "depois de consultar a conselheira e os assessores da Arquidiocese [católicos]". Mas John Garvey, o presidente da universidade, procurou distanciar a universidade da decisão em uma declaração própria publicada no sábado.

Ele comparou a ação de cancelar o convite do padre Martin aos esforços de ativistas de esquerda para acabar as conversas de pensadores conservadores polêmicos.

"As universidades e suas entidades relacionadas devem ser lugares de liberdade e para a troca civilizada de ideias. Nossa cultura é cada vez mais hostil a esse conceito. É problemático que indivíduos e grupos dentro da nossa Igreja demonstrem essa mesma incapacidade de fazer distinções e praticar a caridade", disse ele.

Uma versão da declaração da Faculdade de Teologia disponível no seu site no sábado à tarde, que parece estar alterada em sua declaração inicial, diz que a decisão foi tomada "depois de importantes consultas ​​com vários círculos de consultores".

O Sr. Garvey estava em Nova York na quinta-feira para uma visita previamente agendada sobre C.U.A. business e se encontrou com a equipe da America pela manhã. O padre Martin estava falando na Universidade de Scranton, gerenciada pelos jesuítas, mas não estava presente na reunião. A retirada do convite do Theological College não foi anunciada publicamente nem à equipe e nem foi discutida durante a reunião do quadro. O padre Martin disse que o Colégio Teológico o deixou consciente da decisão na quinta-feira à tarde.

Em um tweet publicado no sábado, Matt Malone, S.J., presidente e editor-chefe da America Media, expressou seu apoio ao padre Martin:

"Agradecimento. O Padre Jim é um grande editor da @americamag. Alguns podem discordar de suas opiniões, mas não encontrarão um homem mais devoto por Cristo e sua Igreja."

Mais tarde, no sábado, o padre Malone divulgou uma declaração apoiando o padre Martin e chamando os ataques contra ele de "um trabalho de uma facção pequena, mas influente na Igreja dos Estados Unidos" e descrevendo-os como "injustificados, não caridosos e não cristãos".

"Nas últimas semanas, o padre Martin foi submetido a ataques repetidos e caluniosos nas mídias sociais e na imprensa, envolvendo ataques tão assustadores quanto tóxicos", afirmou. "Uma coisa é se envolver em um debate animado. Outra coisa é tentar evitar esse debate através do medo, da desinformação ou da censura insidiosa".

A Conferência de jesuítas do Canadá e os Estados Unidos também emitiram uma declaração de apoio ao padre Martin.

A declaração da Universidade Católica disse que a decisão do seminário de cancelar o convite do padre Martin foi feita independentemente da Universidade e que não segue a política da universidade quanto ao convite de palestrantes ao campus. A declaração também aponta que o padre Martin já foi palestrante com estudantes universitários no ano passado.

"Lamentamos a decisão da Universidade Católica em apoio à decisão de ontem", diz o comunicado.

O padre David Poecking, formado pelo seminário e sacerdote na Diocese de Pittsburgh, disse em um e-mail para a America que ele estava confuso com a decisão da faculdade, chamando o comunicado da assessoria do reitor da escola, Gerald McBrearity, de "pouco claro".

"Ele cita o livro do padre Martin, Building a Bridge (Construindo uma Ponte), que marcou o início do feedback negativo (mas não necessariamente a causa deste) assumido pelo Theological College em páginas de redes sociais", escreveu o padre Poecking. "O padre McBrearity também achou certas falhas no livro, ou no padre Martin, ou no feedback negativo, ou nas páginas de redes sociais?".

"Oferecer insinuações de faltas sem fazer um julgamento claro parece evasivo", continuou apontando o padre Poecking. "As reações públicas do padre Martin e de alguns ex-alunos parecem prejudicar a afirmação do padre McBrearity de que o cancelamento do convite é ‘o melhor para todas as partes’".

A decisão do Theological College é a terceira ocasião em que uma organização anula um convite para o padre Martin por causa de uma afirmação em seu livro, Building a Bridge: como a Igreja Católica e a comunidade LGBT podem entrar em um relacionamento de respeito, compaixão e sensibilidade. A Ordem do Santo Sepulcro, uma organização caritativa leiga, e CAFOD, uma organização de caridade católica localizada no Reino Unido, também rescindiram convites ao padre Martin.

O padre Martin disse à America que esperava críticas ao livro - "da extrema esquerda seriam críticas de não ser suficiente extremo", e da extrema direita, "de ser muito extremo", como ele disse, mas apontou que ficou surpreso pela "corrente de ódio que desencadearia dos católicos conservadores". Advertiu que o livro tinha sido aprovado por seu superior jesuíta e que foi avaliado por dois cardeais e vários bispos.

Mas, ele disse: "O nível de ódio, ataques pessoais e homofobia é de tirar o fôlego".

Ele ressaltou que os convites cancelados deveriam ser sobre Jesus, com base em seu livro de 2014, Jesus: uma peregrinação, e não sobre a questão mais controversa da comunidade L.G.B.T. na igreja. Ele questionou as razões das organizações que o convidaram terem sucumbido à pressão das redes sociais.

"Eu não estava lá para falar sobre os problemas das pessoas L.G.B.T.", disse ele. "E quanto ao manejo de pressão, o que é o pior que pode acontecer? Alguns manifestantes? Essa é uma razão para cancelar uma conversa sobre Jesus?".

Os blogueiros conservadores criticaram o livro do padre Martin e os convites para falar nas instituições católicas.

ChurchMilitant.com, por exemplo, chamou o convite do Theological College de "desagradável" e LifeSiteNews.com promove uma petição pedindo a remoção do padre Martin de um comitê consultivo de comunicação do Vaticano, ao qual o Papa Francisco o nomeou no início deste ano.

No início desta semana, o padre John Zuhlsdorf, que publica um blog popular sobre o catolicismo tradicionalista, perguntou: "Parece certo para você que um seminário deva colocar o foco em um promotor aberto a uma agenda homossexual?".

"Eu vou aceitar que um palestrante possa ser capaz de abordar mais questões do que apenas o seu foco principal. Mas não há como contornar o fato de que, no momento, pelo menos, quando o nome do padre Martin surgir, a primeira coisa que você pensa sobre ele é ser um ativista da agenda homossexual", apontou o padre John Zuhlsdorf. "Não entendo isso".

Em um post separado no sábado, o padre Zuhlsdorf negou liderar uma campanha para rescindir o convite do padre Martin, escrevendo: "NÃO fiz campanha para nada. Não pedi a ninguém que ligasse para o Theological College. Eu só fiz algumas perguntas. Ponto".

Outras críticas questionaram por que o padre Martin não inclui uma seção em seu livro sobre ensino da igreja, que proíbe as relações sexuais entre duas pessoas do mesmo gênero.

"A razão pela qual evitei tópicos da sexualidade é que não é um livro sobre moralidade sexual ou sobre o comportamento sexual de pessoas L.G.B.T.", disse ele. "O livro é sobre o diálogo e a oração. É incrível que, para alguns católicos, a única lente pela que podem ver as pessoas L.G.B.T. é através do sexo".

Quanto aos comentadores nas redes sociais que o chamam de herege ou mesmo de afeminado, o padre Martin disse que simplesmente silencia as contas particularmente agressivas do Twitter ou elimina os comentários "de ódio" deixados em sua página do Facebook.

Mas ele disse que a igreja institucional enfrenta um desafio maior.

"A questão maior é: como a igreja lidará com trolls? Como a igreja lidará com os sites e os indivíduos bem organizados e bem financiados motivados pelo ódio e que parecem ter tanta influência quanto os ordinários locais no cancelamento de uma palestra? Basicamente, como lidamos com os católicos que odeiam?", perguntou ele.


America - Tradução: Ramón Lara

EMGE

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