Religião

22/09/2017 | domtotal.com

Cinema e Religião em diálogo

Aproximação entre religião e cinema possibilita apreender dessa expressão artística, novas linguagens e compreensões que possibilitem novas interpretações do religioso.

Cinema pode contribuir com um novo olhar a respeito do fato religioso, tematizando-o ou não.
Cinema pode contribuir com um novo olhar a respeito do fato religioso, tematizando-o ou não. (Divulgação/ Pixabay)

Por Felipe Magalhães Francisco*

Religião e arte, em geral, têm muito em comum. Ambas estão diretamente ligadas à experiência humana e são expressões dessa experiência diante do mundo. No âmbito da teologia cristã, a aproximação com as mais diversas manifestações artísticas, para um diálogo, tem sido bastante profícua. Um horizonte amplo está aberto, diante dos teólogos e teólogas, que se debruçam sobre a arte, propondo, de muitos modos e de diversificados métodos, um diálogo, na intenção de enriquecer o trabalho teológico de compreender a revelação, em meio à cultura humana.

Interessa-nos, aqui, uma aproximação muito específica: trata-se do cinema, como possibilidade de tornar factível novos olhares sobre o fato religioso, agregando novas perspectivas para a linguagem religiosa. Cabe-nos destacar, que essa aproximação entre cinema – e as artes, em geral – e a teologia não deve, sem risco de prejuízo para a arte, ser utilizada de modo instrumentalista para reforçar ideias religiosas e teológicas, de modo apologético. Trata-se, tão somente, de apreender dessas expressões artísticas, novas linguagens e compreensões que possibilitem novas interpretações do religioso.

É certo, porém, que há aquelas expressões artísticas que trazem, em si, a explicitação de temas religiosos. Outras tantas, no entanto, desvinculam-se dos temas propriamente religiosos. Ambas, enfim, podem contribuir com um novo olhar a respeito do fato religioso, tematizando-o ou não. Tudo dependerá, nesse caso, da sensibilidade do olhar daqueles que propõem tal diálogo, tal como propomos nessa matéria especial, no tocante à aproximação entre religião e cinema. Selecionamos, para nosso intento, três filmes.

No primeiro artigo, O Senhor dos Anéis: um encontro da mitologia e do cristianismo, proposto por Daniel Couto, temos uma aproximação entre a narrativa proposta na trilogia “O Senhor dos Anéis” e o pano de fundo religioso-cristão que a obra cinematográfica abarca. Tecendo uma leitura a respeito de elementos afins com a tradição cristã, o autor analisa aspectos centrais da trilogia, explicitando o ambiente religioso do autor da obra literária que dá origem aos filmes.

Num segundo momento, Rodrigo Ladeira analisa um filme que também teve sua origem a partir de um texto literário. No artigo A cozinha e a mesa como alegorias da salvação: uma leitura de A festa de Babette, o autor aborda os elementos centrais da narrativa, refletindo sobre a salvação, a partir de elementos que giram em torno da convivialidade, tão marcantes no filme. Ao redor da mesa, as personagens têm grande oportunidade de desfrutarem de uma transformação da vida, que não passam por elementos rígidos de uma religião vivida segundo a obrigação, mas no prazer da comunhão e da festa.

Por fim, sinalizando a fecunda possibilidade da aproximação entre cinema e religião, agora sob uma ótica pastoral, temos o terceiro artigo de nossa matéria especial, O labirinto do Fauno, uma leitura iniciática da vida, do Pe. Danilo César. No texto, o autor perpassa o percurso da película, analisando a narrativa na perspectiva da iniciação, tão própria de muitas realidades e culturas humanas. A partir disso, o autor propõe o filme como um aliado no processo de formação dos agentes pastorais envolvidos na dinâmica da iniciação cristã dos fiéis, nas comunidades cristãs.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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