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10/10/2017 | domtotal.com

O Big Brother do Big Brother

Brilhantes os que perceberam uma forma escancarada de apresentar facetas da natureza humana.

A ideia do Idealizador e Produtor é que todos ganhem por mais tempo que as edições possam durar.
A ideia do Idealizador e Produtor é que todos ganhem por mais tempo que as edições possam durar. Foto (Reprodução)
Imersos cada vez mais em seus pequenos mundos, disputas e ambições, presos em suas cavernas de Platão, passam a ignorar o mundo real do exterior.
Imersos cada vez mais em seus pequenos mundos, disputas e ambições, presos em suas cavernas de Platão, passam a ignorar o mundo real do exterior. Foto (Globo/Divulgação)

Por Jose Antonio de Sousa Neto*

Já faz alguns anos que acompanhei uma das edições do Big Brother Brasil. Não me lembro exatamente qual, mas acredito que foi provavelmente a segunda ou a terceira. Na minha memória ficaram muitas percepções, mas apenas quatro participantes ou talvez quase “personagens”: Alemão, Cowboy e duas moças bonitas (sem unanimidade) que formavam uma espécie de triângulo amoroso com o primeiro. Dos demais participantes não me lembro de absolutamente nada e acho isto bastante interessante.

Não sei como foram os níveis de audiência das edições subsequentes, mas imagino que tenham sido boas senão o programa não teria continuado com suas apresentações anuais por tanto tempo. Da minha experiência ficou uma grande admiração pela inteligência e perspicácia dos seus idealizadores originais e também a certeza de que eu não teria paciência ou gosto, usando uma forma de expressão mais polida, para me interessar ou assistir qualquer edição que se seguiria. E na verdade para mim e para muitos no Brasil atual nem precisaria. Basta ver o Programa Lava Jato e seus participantes e personagens. Uma versão absolutamente e sem sombra de dúvida imbatível do Big Brother! Certamente o Netflix já pensou em aproveitar isso de alguma forma. Senão seus produtores ficam me devendo alguns royaltes.

Brilhantes os que perceberam uma forma escancarada de apresentar facetas da natureza humana, muitas das quais, talvez uma maioria no contexto do programa, a maior parte de nós prefere não ver ou pensar a respeito para não arriscar o Id (inconsciente) a forçar demais a amizade do Ego (consciente). Não resta dúvida que o programa é uma interessantíssima metáfora para muitas coisas da vida. O que muitos não se dão conta é que esta metáfora possivelmente e até muito provavelmente alcança um contexto da vida infinitamente maior.

Sob o pretexto de que muitas ações se justificam porque afinal de contas os participantes / personagens estão no contexto de um jogo, acabamos por ver sequências e mais sequências de “estratégias” capazes de provocar imenso desgosto. Na edição que acompanhei, as maldades veladas e explícitas das “meras estratégias de jogo” chegavam a me causar tal mal estar que, confesso em mais de uma ocasião, após o termino do “capítulo” diário, retardaram minha boa noite de sono. Sendo assim não fica difícil para o leitor imaginar o que tenho sentido ao longo do desenrolar do Programa Lava Jato. Sem falar da expectativa das futuras votações para a potencial eliminação da infinidade de seus participantes infelizmente e dolorosamente nefastos. Mas talvez o mais interessante de tudo seja que os participantes tanto da versão tradicional do programa Big Brother como de sua versão Lava Jato, imersos cada vez mais em seus pequenos mundos, disputas e ambições, presos em suas cavernas de Platão, passam a ignorar o mundo real do exterior. Passam a ignorar que estão sendo observados todo o tempo em suas aparências e intimidades, e que devem ser avaliados por isso. O problema aqui nas duas versões do programa mencionadas até agora são as afinidades não necessariamente muito iluminadas de muitos dos avaliadores com os personagens sob avaliação...

Mas para mim, como já havia deixado implícito mais acima, existe uma versão infinitamente mais extraordinária do programa: “O Big Brother do Big Brother”. É a versão da própria vida. E desta versão não apenas participamos todos nós, como a transparência de todos é absoluta e a avaliação dos participantes feita de forma inequívoca e perfeita. Também aqui muitos acreditam que se trata apenas de um jogo e que muitas vezes os fins justificam os meios. Também aqui, embora o bom senso devesse indicar o contrário, os participantes em seus pequenos mundos e cavernas ou não acreditam ou se esquecem que estão sendo observados até o fundo de suas almas todos os dias e todo o tempo. Muito além de um conceito de Matrix! E para aqueles que não crêem nisso vale a pena pensar em termos de probabilidades e avaliar se vale a pena correr o risco da conta que pode estar por vir. Para os que crêem, por outro lado, ainda bem que existe uma Providência. Isto porque apesar de todos os absurdos dos participantes ao longo do programa Ela não desiste de assistir a todas as edições e até de mudar o roteiro para ajudar de todas as formas aos participantes a corrigir erros e acertar o rumo. Por falar nisso esta versão do programa tem mais uma diferença. A ideia do Idealizador e Produtor é que todos ganhem por mais tempo que as edições possam durar.

*Jose Antonio de Sousa Neto é professor da EMGE – Escola de Engenharia de Minas Gerais

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