Religião

12/10/2017 | domtotal.com

Nossa Senhora Aparecida, 300 anos na companhia dos empobrecidos

Aparecida é Mãe que acolhe a todos: pobres, ricos e até mesmo os que não sabem rezar e só se achegam a ela para mostrar o olhar.

Nesses 300 anos, ela tem sido a companhia dos empobrecidos e empobrecidas de todos os cantos.
Nesses 300 anos, ela tem sido a companhia dos empobrecidos e empobrecidas de todos os cantos. (Governo do Estado-SP)

Por Felipe Magalhães Francisco*

A história da “aparição” da Virgem tão querida por muitos brasileiros e brasileiras é uma história singular. Não há nenhuma epifania, nem mensagens reveladas e ditadas. Uma imagem: um corpo e uma cabeça, separados, mergulhado no rio à espera de um encontro. O traço de transcendência que acompanha o encontro da imagem partida é o barco carregado de peixes, no reafirmar da esperança, dada a companhia da Mãe Aparecida. Como o Filho Jesus, tem predileção pelos últimos da história: os pescadores, os negros escravizados, homens e mulheres empobrecidos.

Nesses 300 anos de encontro com a Aparecida, ela tem sido a companhia dos empobrecidos e empobrecidas de todos os cantos de nosso país. Mas é Mãe que acolhe a todos: pobres, ricos e até mesmo os que não sabem rezar e só se achegam a ela para mostrar o olhar, tal como se canta em nosso cancioneiro. Faz jus à fé que professou em Nazaré, abrindo-se ao Senhor, que também é ao lado dos pobres. Ela, própria, agraciada pelo amor de Deus, faz-se Mãe daquele que, no anúncio do Reino, revela a festa da vida àqueles que nunca a ela tinham acesso. É contada dentre a família de Jesus, porque verdadeiramente escutou e viveu a Palavra de seu Filho (cf. Lc 8,21).

O primeiro artigo de nossa matéria especial, Aparecida 300 anos: história e atualidade, do Dr. Ir. Afonso Murad, traz uma leitura teológica e espiritual do encontro da imagem da Senhora da Conceição, chamada Aparecida. No texto, o autor revela a riqueza ainda sendo descoberta nesses trezentos anos de história da “aparição”. Os muitos encontros com a Mãe Aparecida no hoje da história de nosso país, continuam a significar bênçãos na vida dos fiéis, sobretudo dos empobrecidos e empobrecidas. Na atual conjuntura político-social que temos enfrentado, a companhia da Negra Aparecida acalenta nossa luta e nosso sonho por uma vida mais justa.

Em seguida, o Dr. Frei Jonas Nogueira, no artigo Piedade Mariana: caminhos e descaminhos, propõe uma reflexão a respeito do valor da piedade popular, tão viva na relação dos fiéis com a Senhora Aparecida. No artigo, o autor aponta para os riscos dos desvios da piedade popular, bem como mostra sua capacidade de revelar a genuína expressão de fé das pessoas. Contextualizando, teologicamente, a devoção mariana, o autor chama a atenção para o cuidado pastoral a ser dispensado às expressões de piedade popular, para que, cada vez mais, apontem para o mistério da fé: a pessoa de Jesus Cristo.

No terceiro e último artigo de nossa matéria, temos o texto Maria, imagem da Igreja, de autoria do Ms. Fábio Cristiano Rabelo. No artigo, o autor reflete sobre a antiga compreensão a respeito da semelhança teológica entre a Mãe do Senhor e a Igreja. Olhando com atenção para aquilo que os evangelhos nos revelam sobre Maria, a Igreja tende a viver de maneira mais profunda sua missão, sempre atenta e aberta a Palavra de Deus. 

Boa leitura!


Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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