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12/10/2017 | domtotal.com

Maioria de mortes nas mãos de policiais nos EUA são mal documentadas

O estudo encontrou que o número total de pessoas que morreu nas mãos da polícia em 2015 foi de 1.166 pessoas.

Manifestante confronta policial durante protesto em St. Louis
Manifestante confronta policial durante protesto em St. Louis (GETTY IMAGES/AFP/Arquivos)

Mais de 1.100 pessoas morreram em 2015 nas mãos de policiais nos Estados Unidos, mas menos da metade dessas mortes foi corretamente documentada por funcionários do governo, informaram investigadores.

O estudo publicado na revista PLOS Medicine é o primeiro a medir o número de mortes vinculadas com a Polícia em dados dos certidões de óbito do país.

"Para analisar corretamente o problema das mortes vinculadas com a aplicação da lei, o público precisa de melhor informação sobre quem morre, onde e em quais circunstâncias", apontou o diretor do estudo Justin Feldman, estudante de doutorado na Escola T.H. Chan de Saúde Pública da Universidade de Harvard.

"Mas também descobrimos que um enfoque diferente -recopilar dados de notícias dos meios de comunicação -, pode ajudar a resolver este problema", informou.

Os pesquisadores descobriram que "não há um sistema que faça um acompanhamento confiável das mortes relacionadas com a aplicação da lei nos Estados Unidos", segundo o relatório.

A única base de dados oficial, dos Centros para o Controle de Doenças do Sistema Nacional de Estatísticas Vitais (NVSS), é baseada na informação de certidões de óbito por estado e contabilizou apenas 44,9% das mortes relacionadas com a polícia em 2015.

O estudo encontrou que o número total de pessoas que morreu nas mãos da polícia em 2015 foi de 1.166 pessoas.

Uma contagem realizada pelo jornal The Guardian em Londres foi mais precisa, ao contabilizar mais de 93,1% das mortes.

Os pesquisadores apontaram que ambas as fontes podem ter ignorado 44 mortes.

"As mortes pela aplicação da lei foram muito mal contadas em uma base de dados chave em 2015 porque reportaram mal as certidões de óbito", indicou o relatório.

As falhas foram maiores aparentemente nas zonas de menores receitas, entre a população negra e menor de 18 anos, e quando as mortes não envolviam pistolas, mas dispositivos elétricos como Tasers- que matou 46 pessoas neste ano-, segundo o relatório.

A precisão também variou de acordo com a localidade.

"Por exemplo, praticamente as 17 mortes relacionadas com policiais no Oregon foram contabilizadas, mas nenhuma das 36 mortes em Oklahoma foram contabilizadas como tal", afirmou o documento.

Na maioria das vezes, as mortes vinculas com policiais não foram contabilizadas porque o Instituto Médico Legal não mencionou o envolvimento da polícia na certidão de óbito.


AFP

EMGE

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