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13/10/2017 | domtotal.com

Hostilidade/Hospitalidade

Tempos de cólera, de fúria, de ignorância difundida, de incultura, de reações típicas da barbárie social, política e econômica que vivemos.

Obra de Lenora de Barros.
Obra de Lenora de Barros. (Reprodução)

Por Eleonora Santa Rosa*

Em meio à preocupação com o agravamento da situação de retranca, de entraves, de trevas e de execráveis manifestações de violência, de autoritarismo e de intolerância, com a polarização que impossibilita qualquer tentativa de posicionamento pelo meio e só admite a legitimidade nas extremidades, cresce o cenário de perdas, de retração de direitos e conquistas sociais elementares, de beligerância entre grupos e de abuso do poder político e econômico.

Tempos de cólera, de fúria, de ignorância difundida, de incultura, de reações típicas da barbárie social, política e econômica que vivemos. Tende a piorar ainda mais, basta ouvir o ruído infernal dos fiéis escudeiros do obscurantismo e da obtusidade.

Cansa muito dialogar com quem não está preparado para tal, exige uma força descomunal debater pontos de vista e opiniões com os que só admitem transes e sermões, e com aqueles que acham que já nasceram sabendo. Muita coisa em jogo no país carcomido pela corrupção exterminadora de corpos e espíritos, cuja prática cotidiana desafia o limite humano da tolerância e convivência. Vergonha exposta no balcão da desfaçatez desbragada, no financiamento ao que há de mais retrógrado, no jogo apartidário da compra de “pães e opiniães”, no cinismo desmedido do abuso da desmemória e da retórica. Personagens típicos: carreiristas, arrivistas, aproveitadores, oportunistas, os mesmos de sempre, à esquerda, ao centro, à direita, que só mudam de galho. Estragos sendo feitos aos borbotões. Quanto tempo será preciso para limpar o emaranhado de leis, decretos, normativas que abrem o flanco para a discriminação, corolário eivado de preconceito, de incitamento à perseguição, à censura, ao enclausuramento?

Tempos de voltar ao batente, à luta cotidiana sem trégua pelas liberdades democráticas, pelo direito de expressão, pela Cultura sem tutela, sem grilhão, como instrumento de transformação essencial de sociedades injustas, excludentes, desumanas, provedoras do medo, da ignorância e da ignomínia.

Arte/Cultura – território maior da expressão da diferença, do respeito mútuo, da louvação da diversidade, do direito das minorias, da criação transgressora de dogmas e reparadora de estigmas, da conversão do ódio em amor, da humanidade.

Em meio a tanta hostilidade, surge a luz de esperança emanada pela corrente de reação, da afirmação da arte em posição de frente, da não capitulação e da consciência crítica que não abdica de sua força e de seu poder de mudança.

Será por meio das qualidades da cultura que descobriremos o caminho da recomposição, da humanização, da convivência civilizada, da transformação da hostilidade em hospitalidade.

Do contrário, barbárie!

*Jornalista, gestora, produtora cultural, foi Secretária de Estado de Cultura de MG.

EMGE

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