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27/10/2017 | domtotal.com

Debates sobre o corpo, a sensibilidade e a Justiça movimentam seminário internacional

Evento promovido pela Dom Helder Escola de Direito e pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) será encerrado neste sábado (28), em Belo Horizonte.

Gregory Rial (FAJE), um dos organizadores do evento
Gregory Rial (FAJE), um dos organizadores do evento Foto (Larissa Troian)
Público assistiu atentamente a palestra que abordou o tema
Público assistiu atentamente a palestra que abordou o tema "Corpo e Sensibilidade" Foto (Larissa Troian)
Professor Luciano dos Santos (UNEB) iniciou o debate ao lado do mediador Nilo Ribeiro Junior (FAJE)
Professor Luciano dos Santos (UNEB) iniciou o debate ao lado do mediador Nilo Ribeiro Junior (FAJE) Foto (Larissa Troian)
Professor Silvestre Grzibowsky (UFSM) prosseguiu com a discussão
Professor Silvestre Grzibowsky (UFSM) prosseguiu com a discussão Foto (Larissa Troian)
A segunda parte do evento discutiu o tema
A segunda parte do evento discutiu o tema "Justiça e Infinito" Foto (Larissa Troian)
Os debatedores Leonardo Meirelles (UFMG), José Tadeu Batista de Souza (UNICAP) e Sandro Sayão (UFPE), com o mediador Nélio Vieira Melo (UFPE)
Os debatedores Leonardo Meirelles (UFMG), José Tadeu Batista de Souza (UNICAP) e Sandro Sayão (UFPE), com o mediador Nélio Vieira Melo (UFPE) Foto (Larissa Troian)

O III Seminário Internacional Emmanuel Lévinas – Amor e Justiça prosseguiu com importantes debates sobre o corpo, a sensibilidade e a Justiça na tarde desta sexta-feira (27). A sessão temática IV, realizada no auditório da Dom Helder Escola de Direito, foi coordenada pelo professor Nilo Ribeiro Junior, da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Com o título ‘Corpo e sensibilidade’, a sessão contou com palestra do professor Luciano dos Santos, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que falou sobre o sofrimento e a transcendência ética em Emmanuel Lévinas.

“Lévinas afirma que a miséria e a desigualdade social são eufemismos do assassinato, tendo em vista isso, só posso iniciar minha fala com um ‘Fora Temer’!”, afirmou Luciano, conquistando aplausos da plateia. Em seguida, o professor realizou a leitura de artigo de sua autoria, em que investiga de forma ampla o estatuto do sensível e a sua relação com a alteridade do outro. De acordo com Luciano, existem situações extremas sacodem a cidadania mundana.

“São experiências limite, que constituem antes o limite da própria experiência. A primeira delas é o sofrimento. (...) O sofrimento é a recusa de sentido pondo-se como qualidade sensível, ele não cabe no pensamento. Mais do que consciência de uma profunda rejeição ao dano, é a rejeição da consciência ou a consciência ao avesso, como diz Lévinas”, citou Luciano.

No decorrer da palestra, o professor discutiu também a passividade e as modalidades da angústia, que considera, em sua intensidade carnal, ser a raiz de todas as misérias sociais, como a humilhação, a solidão e a perseguição. Fez ainda comentários sobre a vida de Emmanuel Lévinas, que foi prisioneiro em campos de concentração nazistas de 1939 a 1945, na Bretanha e na Alemanha.

Para fechar, citou crônica do escritor Hélio Pellegrino sobre uma garota que é devorada por ratos em uma favela do Rio de Janeiro. “O grito não ouvido da menina Shirley deveria ser um indexador ético dirigido ao fazer político no Brasil. Como vão ouvir o grito de Shirley aqueles que estão repletos de privilégios?”, questionou.

A sessão temática IV contou também com palestra do professor Silvestre Grzibowsky, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que discutiu a fenomenologia do corpo em Lévinas. “Para pensar a ética, precisamos partir também do corpo ou se tornaria algo muito abstrato. Lévinas traz uma ética concreta, que parte de seres encarnados”, afirmou Silvestre.

Em seguida, o professor lembrou a diversas interpretações sobre o corpo que permeiam o mundo atual. “De um lado, temos o culto ao corpo, o incentivo para manter a forma, e por outro lado temos corpos que passam fome. São coisas muito diferentes. A ética de Lévinas entra aqui para fazer um diálogo, a corporeidade aparece nas principais obras do filósofo”, apontou.

Ideias como necessidade, dependência e movimento também foram discutidas ao longo da palestra. O professor deixou ainda um agradecimento à comissão organizadora do evento. “Não é fácil, atualmente, realizar um seminário tão expressivo e importante no Brasil. Parabéns”, destacou.

Justiça

Já a sessão temática V contou com palestras dos professores José Tadeu Batista de Souza, da UNICAP, Sandro Sayão, da UFPE, e Leonardo Meirelles, da UFMG. O professor Nélio Vieira Melo, da UFPE, mediou os debates.

“Como podemos transformar a ética da alteridade em algo prático? Essa é uma questão bastante pertinente entre nós. A via que vamos trabalhar agora é um dos caminhos, a ética levinasiana vai se colocando. E onde isso vai acontecer? Na Justiça. A Justiça emerge dentro do pensamento de Lévinas com vários enfoques, não tem um púnico prisma”, ressaltou.

III Seminário

O objetivo do evento é fortalecer as atividades de pesquisas dos membros do Centro Brasileiro de estudos sobre Emmanuel Lévinas (CEBEL) e do GT Lévinas (ANPOF), além das atividades de vários Grupos de Pesquisa (CNPq), discentes e docentes espalhados pelo Brasil.

O seminário busca também divulgar o pensamento de Emmanuel Levinas para a comunidade científica de outros países, promovendo um espaço de debate em torno da filosofia levinasiana, a partir das múltiplas leituras possíveis da obra do autor.

Veja a programação!


Patrícia Azevedo/Redação Dom Total

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