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31/10/2017 | domtotal.com

Defesa da engenharia nacional

O Brasil formou e forma gerações de engenheiros e técnicos altamente qualificados.

É preciso investimento na construção pesada, com a continuidade de obras de infraestrutura, na construção civil.
É preciso investimento na construção pesada, com a continuidade de obras de infraestrutura, na construção civil. (Reprodução)

Por David Thomaz*

A crise econômica instalada no Brasil afetou diretamente o setor produtivo. A paralisação da economia fez desaparecer as ofertas de empregos na área tecnológica. Hoje, no Brasil, são 42 mil engenheiros desempregados, no acumulado dos últimos dois anos e meio, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Desde 2014, o número de profissionais de engenharia demitidos é maior que o de contratados. O saldo de vagas fechou 2016 em queda de 20,7 mil. Até 2013, o saldo entre os engenheiros com carteira assinada admitidos e desligados era positivo.

Esses números soam ainda mais pesados quando, até cinco anos atrás, a engenharia era apontada como uma das carreiras mais promissoras e com maiores chances de contratação, falavam, inclusive, em déficit de engenheiros. Milhares de estudantes investiram na carreira porque havia oportunidades reais para os recém-formados. Hoje a realidade é devastadora.

Não fosse suficiente termos de lidar com esse mercado instável, fomos surpreendidos pela anúncio do governo federal de enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para facilitar a entrada de profissionais e de empresas de engenharia estrangeiras no mercado brasileiro com a justificativa de destravar o mercado de construção civil – imobiliário e de infraestrutura. Em matéria publicada no dia 16/10/2017, no jornal Folha de S. Paulo, o texto afirma ainda que os Conselhos Regionais de Engenharia e de Agronomia (Crea) terão de emitir o registro para profissionais estrangeiros atuarem no Brasil em, no máximo, três meses, com possibilidade de emissão automática do registro caso o prazo não seja cumprido.

O que precisa ser pauta de preocupação do governo é o reaquecimento do mercado com a contratação de profissionais brasileiros. Temos disponível uma farta mão de obra qualificada para trabalhar em posições técnicas. O Brasil formou e forma gerações de engenheiros e técnicos altamente qualificados e com excelência tecnológica que são perfeitamente capazes de contribuir para o crescimento do país.

Contudo, é preciso que haja investimento público. Neste momento de crise, cabe ao Estado efetivar as medidas necessárias para que o desenvolvimento aconteça, dissociando das questões políticas. A retomada se dá a partir das atividades básicas. É preciso investimento na construção pesada, com a continuidade de obras de infraestrutura, na construção civil, o retorno de financiamentos habitacionais, o investimento na agricultura.

Com o ambiente propício, é possível alavancar o setor produtivo, com a geração de empregos diretos e indiretos, melhoria da renda do trabalhador, crescimento e progresso. O momento atual é de unir forças para a defesa da engenharia nacional, participando ativamente no desenvolvimento da sociedade e no crescimento do Brasil no qual acreditamos.

* Engenheiro civil e presidente em exercício do Crea-Minas

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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