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21/11/2017 | domtotal.com

Racismo 'faz sangrar', diz desembargadora de Cabo Verde em seminário do Afrodom

Em uma sociedade que está repleta de brancos corruptos e criminosos, os negros é que são alvos da violência e discriminação.

A palestrante Vera Duarte conversa sobre a luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África.
A palestrante Vera Duarte conversa sobre a luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Detalhes do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos.
Detalhes do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Detalhes do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos.
Detalhes do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Íris Amâncio do grupo editorial Nandyala, professores da Dom Helder Pedro Andrade, Thiago Loures, a palestrante Vera Duarte, o pró-reitor Sebastien Kiwongui, a mestranda Mirtes Santos e a integrante do grupo Nandyala Fernanda Luiza Roberto.
Íris Amâncio do grupo editorial Nandyala, professores da Dom Helder Pedro Andrade, Thiago Loures, a palestrante Vera Duarte, o pró-reitor Sebastien Kiwongui, a mestranda Mirtes Santos e a integrante do grupo Nandyala Fernanda Luiza Roberto. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Detalhes do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos.
Detalhes do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professor Thiago Loures passa algumas informações antes das palestras
Professor Thiago Loures passa algumas informações antes das palestras Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professor Thiago Loures abre os trabalhos no Seminário.
Professor Thiago Loures abre os trabalhos no Seminário. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
A palestrante Vera Duarte conversa sobre a luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África.
A palestrante Vera Duarte conversa sobre a luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Em uma sociedade que está repleta de brancos corruptos e criminosos, os negros é que são alvos da violência e discriminação.
Em uma sociedade que está repleta de brancos corruptos e criminosos, os negros é que são alvos da violência e discriminação. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professor Pedro Andrade Matos.
Professor Pedro Andrade Matos. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professor Pedro Andrade Matos conversa com os participantes do evento.
Professor Pedro Andrade Matos conversa com os participantes do evento. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Participantes do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos.
Participantes do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
A palestrante Vera Duarte conversa sobre a luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África.
A palestrante Vera Duarte conversa sobre a luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
A palestrante Vera Duarte conversa sobre a luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África.
A palestrante Vera Duarte conversa sobre a luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professor José Carlos Batista detalha sobre a questão racial nos Estados Unidos da América Latina e no Brasil: uma análise comparativa.
Professor José Carlos Batista detalha sobre a questão racial nos Estados Unidos da América Latina e no Brasil: uma análise comparativa. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professor José Carlos Batista detalha sobre a questão racial nos Estados Unidos da América Latina e no Brasil: uma análise comparativa.
Professor José Carlos Batista detalha sobre a questão racial nos Estados Unidos da América Latina e no Brasil: uma análise comparativa. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)
Professor José Carlos Batista detalha sobre a questão racial nos Estados Unidos da América Latina e no Brasil: uma análise comparativa.
Professor José Carlos Batista detalha sobre a questão racial nos Estados Unidos da América Latina e no Brasil: uma análise comparativa. Foto (Patrícia Almada / DomTotal)

Por Rômulo Ávila
Repórter Dom total 

O racismo no Brasil é berrante, violento e 'faz sangrar'. Assim a escritora, desembargadora e ex-ministra da Educação de Cabo Verde, na África, Vera Duarte, define a situação enfrentada pelos negros e afrodescendentes brasileiros, que representam 54% da população do país.  Vera participou, na noite desta terça-feira (21), do I Seminário Internacional Consciência Negra e Direitos Humanos, realizado na Dom Helder Escola Direito pelo Centro de Estudos Afro Brasileiros (Afrodom), em razão do Dia da Consciência Negra, celebrado nessa segunda, 20 de novembro.

O seminário foi organizado pelos professores Thiago Loures (Grupo de Iniciação Científica Direito das Minorias da ESDHC) e Sebastien Kiwonghi Bizawu (Grupo de Pesquisa Direito dos Animais, Economia, Cultura, Sustentabilidade e a Proteção Internacional).

“Vejo o racismo como uma situação berrante que no século XXI ainda existe no Brasil. Racismo que, como costumo dizer, faz sangrar”, disse a escritora à reportagem do Dom Total.

“Obviamente, no meu país, que é africano, não é nada parecido com a situação berrante que se vive no Brasil. Nossa situação em Cabo Verde é muito diferente. Não há esse racismo que  prejudica, que adolescentes são mortos cotidianamente pela polícia, que o criminoso é praticamente sempre o negro, o afrodescendente.  E isso em uma sociedade que está repleta de brancos corruptos e criminosos”, disse Vera, que proferiu palestra com o tema “A luta e a defesa dos direitos das mulheres e o desenvolvimento sustentável na África”.

Vera tem razão. Dados do Atlas da Violência de 2017 mostram que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no Brasil. A população negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios. De cada 100 pessoas assassinadas no país, 71 são negras.

Assista:


Racismo nos EUA e no Brasil

Doutor em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o professor José Carlos Batista também foi palestrante do seminário. Ele fez uma análise comparativa entre o racismo no Brasil e nos Estados Unidos.

“São várias diferenças, explicadas pelas trajetórias históricas com que cada país tratou a questão racial. Nos Estados Unidos houve uma divisão muita clara entre Norte e Sul, democratas e republicanos, negros e brancos. Já o Brasil foi integralmente escravocrata. Não tivemos aqui, por exemplo, nenhum movimento de oposição à escravidão tal como teve nos Estados Unidos”, comparou.

Batista explicou que após a escravidão nos Estados Unidos foi implementado um sistema rígido de segregação racial, sendo o próprio Estado o principal ator na institucionalização da política de segregação. “Aqui no Brasil, após a Abolição, tivemos o predomínio da ideologia da democracia racial. Criou um mito de que aqui não existia racismo”, disse o professor.

Atualmente, Batista destacou que os Estados Unidos continua tendo um conflito rígido entre negros e brancos, um racismo explícito, claro e muitas vezes enfrentado duramente pelos atores. “Já aqui no Brasil ainda predomina essa ideia, esse resquício da democracia racial. O racismo permanece velado, muito sutil, não menos violento do que nos Estados Unidos, mas ele consegue mascarar a desigualdade, a exclusão e a violência. Embora algumas pessoas tenham consciência disso, o mito ainda tem um papel importante no racismo aqui no Brasil”.

Para Batista, o caminho para mudar a realidade dos dois países passa, inicialmente, pela mobilização social. “Não apenas dos negros. Precisamos do apoio da população branca em favor da causa do negro. Além da mobilização, é necessário que o Estado responda por meio de políticas públicas que venham promover maior igualdade social”, apontou.

Nesse sentido, o professor elogia a política de cota racial, mas ressalta: “É apenas um passo. Não adianta, por exemplo, o negro sair da universidade com diploma de curso superior e encontrar uma grande barreira no mercado de trabalho, que ainda permanece racista”.  

Dados

Uma pesquisa feita com mais de 500 empresas brasileiras mostra que, apesar de serem a maioria da população, negros ocupam só 10% dos cargos de chefia. Já a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que a média de salário do homem branco é R$ 2.507; a da mulher branca, R$ 1.810; a do homem negro, R$ 1.458; e a da mulher negra, R$ 1.071.  

Consciência humana

Natural do Congo, na África, o professor Sebastien Kiwonghi avalia que enquanto as pessoas não criarem uma consciência humana, haverá necessidade de datas afirmativas.


“Para tentar fazer perdurar a temática da Consciência Negra seria interessante que haja essa consciência humana. Se isso ocorrer veremos que todos somos humanos e gozamos dos mesmos direitos . Enquanto isso não acontecer,  a gente continua falando e conscientizando sobre esse dia”.

“Devido à ignorância e à falta de colaboração de algumas pessoas no sentido de eliminar discriminações raciais, segregações e injustiças sociais é que procuramos sempre lembrar o Dia da Consciência Negra como algo que leve a sociedade a ter consciência e eliminar qualquer forma de discriminação”.

Academia

A professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretora da Nandyala Editora, Iris Amâncio, foi uma das participantes do seminário internacional.  Para ela, tratar a questão racial na academia é um passo importante na busca por uma sociedade melhor.

“Precisamos criar possibilidades para que as pessoas percebam que o racismo é uma realidade. E sendo uma realidade, o racismo é um problema grave. E não é um problema do negro, não foi o negro que criou o racismo. O negro é vitimizado, inferiorizado e subalternizado por causa do olhar, do entendimento, da visão racista de todos nós como sociedade brasileira”, disse.

Assista:

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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